Você sabe porque a idade da mulher é tão importante na fertilidade?

Hoje em dia fala-se muito do relógio bilógico, do envelhecimento dos óvulos, da idade em relação a tentar engravidar, mas você sabe por que isso acontece?

Innovation_073Nós mulheres não produzimos óvulos ao longo da vida. Quando ainda estamos lá no útero das nossas mães, nós temos a quantidade máxima de óvulos que ficará disponível para gastarmos durante nossa vida. A partir desse momento, ou seja, quando ainda somos um feto bem protegido no corpo da nossa mãe, começamos a gastar nossos óvulos. E gastamos da seguinte forma: todo o mês o ovário disponibiliza um lote de óvulos para gastarmos. Quando ainda somos criança, nenhum amadurece e no final do mês nós perdemos todo esse lote. A partir do momento em que já ficamos menstruadas, ou seja, já estamos na vida reprodutiva, um dos óvulos desse lote irá amadurecer e iremos libera-lo lá pela metade do ciclo menstrual, e isso chamamos de ovulação.

Se você tiver relação sexual nesse período e o óvulo encontrar com o espermatozoide, parabéns! Você está grávida!! Mas se por algum motivo eles não se encontrarem ou se você não tiver relação nesse período, você gasta aquele que ovulou e todos os outros que estavam disponíveis e não amadureceram.

Fazendo uma analogia bem simples, nosso ovário funciona como uma poupança. Porém se você gasta e não repõe um dia eles acabam. E esse “fim” tem o nome de menopausa e acontece geralmente entre os 45 e 50 anos da nossa vida. Bem, se nosso ovário que é onde os óvulos estão guardados só tem óvulos até mais ou menos os 45 anos, podemos pensar que sua “vida útil” é curta, considerando que hoje uma mulher vive até os 80, 90, 100 anos. Por isso a idade dos 35 anos é um marco na nossa vida reprodutiva, pois a partir dessa idade a qualidade dos óvulos começa a cair, sendo que após os 40 anos a qualidade e a quantidade caem drasticamente, sendo mais difícil engravidar tanto naturalmente quanto fazendo tratamento.

É lógico que existe uma variabilidade entre as mulheres, mas de uma forma geral é assim que todo processo acontece.

E aí entra uma dúvida muito comum que ouvimos no consultório: “Se eu congelar meus óvulos ou fizer uma fertilização in vitro, eu vou estar gastando meus óvulos mais rápido?”. A resposta é NÃO, pois estimulando seu ovário para que todos os óvulos daquele determinado mês do tratamento cresçam, nós só estaremos otimizando a resposta do seu ovário, ou seja, usando aqueles que você iria jogar fora naturalmente.

Espero que esse pequeno texto tenha ajudado a esclarecer algumas dúvidas comuns entre as mulheres. Qualquer dúvida nos procurem!

Dra. Melissa Cavagnoli, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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Ovulação: como saber se estou ovulando?

Com a observação do próprio corpo é possível estimar o período fértil, ótima medida para quem está querendo engravidar, por exemplo.

Período fértil pode ser resumido como o momento em que a mulher está mais propensa a engravidar. Isso porque é quando ocorre a ovulação, ou seja, o ovário libera um ou mais óvulos para serem fecundados.

Vale destacar que, caso a mulher esteja querendo engravidar, conhecer bem o seu corpo e cada fase do ciclo menstrual ajuda muito. Assim, ela saberá melhor quando costuma ovular e, portanto, quais são seus dias mais férteis.

Mas será que é possível a mulher saber que está mesmo ovulando? Fernanda Rodrigues, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, esclarece que, com a observação do próprio corpo, é possível estimar o momento da ovulação devido a alguns sinais sugestivos. “Porém, a ovulação só pode ser confirmada pela avaliação médica, que é realizada através de dosagens hormonais e ultrassom pélvico transvaginal”, diz.

Abaixo você confere quais são alguns dos sinais que indicam que a mulher está ovulando:

1. Desconforto abdominal

“Como a ovulação é o rompimento do folículo (bolsinha com líquido) para a liberação do óvulo (célula microscópica que está no interior do folículo), ocorre o extravazamento do conteúdo intrafolicular, acompanhado muitas vezes de um pequeno sangramento local. Esse líquido com sangue pode gerar desconforto quando chega ao abdômen”, explica Fernanda.

2. Alteração na temperatura basal

Temperatura corporal basal nada mais é do que a temperatura do corpo em repouso (ou seja, quando está dormindo). Para acompanhá-la você precisa simplesmente de um termômetro e de papel e lápis/caneta para anotar a temperatura. Deve medi-la todo dia, assim que despertar (antes de fazer qualquer outra atividade), preferencialmente, colocando o termômetro embaixo da língua.

Para interpretar é preciso saber que a temperatura basal deverá ser mais baixa durante as duas primeiras semanas do ciclo. Depois de ter ocorrido a ovulação (cerca de 24 a 72 horas depois), a temperatura do corpo eleva-se, mantendo-se elevada até a menstruação.

Trata-se de um método simples para avaliar a função ovulatória, de acordo com Fernanda. “Quando a ovulação ocorre, há um aumento da produção de progesterona pelo corpo lúteo, podendo provocar um aumento da temperatura basal em 0,2 a 0,5 graus dois a três dias depois da ovulação. Portanto, os ciclos ovulatórios estão geralmente associados com curvas de temperatura basal claramente bifásicas.”

“Assim, só é possível estimar que a paciente ovulou depois que a ovulação aconteceu. Porém, por vezes, é identificado um padrão, sendo possível estimar o período fértil nos próximos ciclos”, explica a especialista.

Dra. Fernanda Rodrigues, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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Congelamento de sêmen pode preservar fertilidade de pacientes com câncer de próstata

Texto publicado no portal Brasil Post em 21/01/2016. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

O câncer de próstata é um dos mais presentes em homens e é importante alertá-los sobre os riscos e a necessidade de diagnosticar precocemente a doença. Entre estes riscos, está a infertilidade masculina, que corresponde a 40% dos casos. Alguns homens perdem a fertilidade em decorrência de uma quimioterapia para tratamento da doença.

Em consultas, percebo que o assunto ainda é um tabu, mas que a mídia tem nos ajudado bastante na exposição da doença. Este tipo de câncer é o segundo mais comum entre os homens e aproximadamente 62% dos casos diagnosticados no mundo ocorrem em pacientes com 65 anos ou mais, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Contudo, não é comum encontrarmos pacientes com este diagnóstico, já que a maioria nos procura um pouco mais jovem.

Presente somente nos homens, a próstata é uma glândula localizada à frente do reto e abaixo da bexiga. Os sintomas, como dores na lombar, problemas de ereção, dor na bacia ou joelhos e sangramento pela uretra podem ser suspeitos. Porém, na maioria das vezes, a doença não causa sintomas aparentes até que se atinja um tamanho considerável. Por isso, o acompanhamento médico regular é tão importante em sua prevenção.

O diagnóstico é realizado através do exame clínico, realizado por meio de um toque retal, juntamente com o resultado de um exame de sangue chamado PSA. Este exame clínico ainda causa resistência em muitos homens, apesar de já ter vencido o preconceito de boa parte da população masculina.

O tratamento dependerá do estágio em que se encontra o câncer de próstata, porém, como citado, um de seus efeitos colaterais pode ser a infertilidade. Além de o tratamento combater as células cancerígenas, ele pode afetar também as células germinativas, responsáveis pela produção dos espermatozoides. Diante disso, os homens que pretendem ter filhos futuramente podem apresentar dificuldades.

Sendo assim, é importante que os médicos oncologistas mantenham um estreito diálogo com seus pacientes, orientando-os sobre todo o processo do tratamento oncológico e indicando possibilidades de preservação da fertilidade. O congelamento de sêmen, por exemplo, é uma opção simples e segura para que o paciente mantenha o sonho de ser pai após vencer a doença.

Dra. Michele Panzan, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Dra. Michele Quaranta Panzan

Mulheres podem ser mães após câncer ginecológico

Texto publicado no Portal saúde do Brasil 247 em 19/01/2016. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

Doença não deve representar o fim do sonho da maternidade; quando em estágio inicial, índice de cura chega a 90%, e existem opções para engravidar.

O câncer ginecológico é um dos mais perigosos e pode soar como um pesadelo na vida das mulheres que ainda sonham em ter filhos.  A ida regular ao ginecologista, no entanto, pode colaborar para que a doença seja diagnosticada em estágio inicial, e garantir que expectativas como a da maternidade sejam concretizadas após o tratamento. Em lembrança ao Dia Nacional de Combate ao Câncer, o Dr. Maurício Chehin, especialista em reprodução humana e em preservação da fertilidade em pacientes oncológicos do Grupo Huntington, pondera, com esperança, que, “apesar da gravidade da doença e do tratamento complexo e invasivo, é possível ser mãe”.

“O ginecologista é o principal aliado da mulher quando o assunto é câncer ginecológico. A ida preventiva ao consultório pode evitar a descoberta de um quadro mais avançado, que dificultaria a cura”. O câncer ginecológico é um dos mais perigosos, segundo o Dr. Chehin, justamente pelo comportamento de poder se espalhar para outros órgãos, já que por vezes pode ter seu diagnóstico realizado tardiamente.  É por isso que, em casos mais graves, a retirada de parte ou de toda estrutura reprodutiva pode ser necessária, para preservar a saúde da paciente.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 15 mil novos casos de cânceres no sistema reprodutor feminino foram registrados em 2014. A projeção para 2015, considerando apenas o de colo do útero, é de mais 15 mil casos. Os cânceres ginecológicos têm tratamentos que podem ser simples, mas também podem necessitar de cirurgias e tratamentos de radioquimioterapia e quimioterapia.

Entre as opções para engravidar após o câncer, está o congelamento de óvulos ou tecido ovariano antes do tratamento, que permite a preservação da fertilidade para a realização, posteriormente, de uma Fertilização In Vitro. “Assim como a oncologia, a medicina reprodutiva evolui rapidamente e já oferece algumas opções confiáveis para mulheres que desejam ter filhos após a cura da doença”.

Saiba quais são os cânceres que afetam o aparelho reprodutor feminino:

Os órgãos do aparelho reprodutor feminino que mais são acometidos por câncer são: colo do útero, endométrio e  ovário enquanto vagina e vulva têm menor incidência. “O câncer de mama é o mais comum em mulheres, mas todos os órgãos do sistema reprodutor são passíveis de desenvolver a doença e merecem atenção”, observa o especialista. “Vale ressaltar que os cânceres ginecológicos só apresentam sintomas visíveis quando estão em quadros mais graves e avançados”.

Câncer do colo do útero: É mais comum em mulheres entre 35 e 45 anos. Está na maioria das vezes associado ao vírus HPV, transmitido sexualmente. Há outros fatores que aumentam as chances de desenvolvê-lo, como fumar, não fazer a higienização na região corretamente, grande número de parceiros e outras infecções concomitantes. Pode provocar corrimento vaginal sanguinolento, sangramento nas relações sexuais e dor pélvica.

Câncer de endométrio (corpo do útero): É o câncer ginecológico mais comum. Geralmente está relacionado a desequilíbrios hormonais, diabetes, pressão alta, obesidade e uso indevido de terapia hormonal para tratar sintomas da menopausa. Causa sangramento anormal – até mesmo durante a menopausa -, sangramento vaginal entre as menstruações, secreção aquosa ou com sangue muito claro, dor pélvica e dor durante a relação sexual.

Câncer de vulva: Também pode estar relacionado à infecção pelo vírus HPV, mas o mais comum é que  pode evoluir a partir da coceira crônica causada por alterações da pele da vulva. Os sintomas são coceiras crônicas e surgimento de úlceras, feridas ou gânglios.

Câncer do ovário: O perfil de risco são mulheres que entraram na menopausa , embora existam casos em todas as idades . O fator hereditário pode influenciar, além de fatores hormonais, ambientais e genéticos. A indução de ovulação não tem comprovações cientificas de causadora desse câncer.

Câncer de vagina: É o tipo mais raro – representa menos de 1% dos tumores ginecológicos. Os principais sintomas são sangramento vaginal e corrimento vaginal anormais, massa palpável e dor durante a relação sexual.

Dr. Maurício Chehin, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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