Quando devo procurar um especialista em reprodução humana?

Esta é uma dúvida muito comum entre as mulheres que já se consultam regularmente com o ginecologista. A resposta é: depende da idade.

Mulheres abaixo de 35 anos podem tentar engravidar por até 1 ano antes de procurar ajuda especializada. Recomendamos este período, pois não é todo mês que o corpo tem condições favoráveis para gerar a gravidez e há  tempo para esperar sem diminuir as chances de gravidez. No entanto, a partir dos 35 anos, a capacidade reprodutiva da mulher vai diminuindo progressivamente, por isso indicamos iniciar a investigação a partir de 6 meses de tentativas em casa.

Outra questão muito importante que devemos lembrar é que a partir dos 35 anos também devemos pensar em estratégias para preservar a fertilidade. Indicamos às mulheres que não tem pretensão de engravidar nos próximos 1 ou 2 anos procurar um especialista para congelar os óvulos, e assim ter liberdade de escolher o momento ideal para engravidar. Além disso, nos casos de pacientes com câncer, a estratégia de congelar os óvulos antes do tratamento de quimioterapia é de extrema importância.

Lívia Oliveira Munhoz

Dra. Lívia Munhoz Soares, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

10 dúvidas sobre Doação de Óvulos

1)   O que é a doação de óvulos?

É a doação de óvulos de uma mulher saudável (doadora) para outra que não tem óvulos próprios de boa qualidade. A doação ocorre quando uma mulher cede seus óvulos para que ele seja fecundado e transferido para o útero de outra mulher.

2)  Quem pode se beneficiar da Ovodoação?

Mulheres que não conseguem engravidar por alteração no óvulo, são elas:

- Idade avançada (mais de 40 anos) que gera perda da qualidade ovular;

- Ausência de ovários por causa genética ou cirúrgica;

- Menopausa precoce, que gera falência ovariana antes dos 40 anos, levando essas mulheres a não produzirem mais óvulos

- Mulheres que já tiveram múltiplas falhas de tratamento;

- Mulheres com alterações genéticas vinculadas ao óvulo;

- Mulheres que realizaram tratamentos oncológicos.

Obs: Casais homoafetivos formados por homens também podem receber óvulo doado, que será fecundado com o sêmen de um deles e gerado no útero de outra doadora, chamado de “doação temporária do útero”.

3)  Quem pode ser doadora?

As candidatas geralmente são voluntárias que realizam o procedimento para ajudar outra pessoa, desde que preencham os seguintes pré-requisitos:

- Ter no máximo 35 anos;

- Não possuir doenças genéticas ou infectocontagiosas;

- Não deve ter nenhum problema de saúde que possa ser agravados pela estimulação ovariana, como cânceres dependentes de hormônio.

Obs 1: É preciso ressaltar que nesse tipo de tratamento, o importante é a idade do óvulo e não a idade do útero que irá recebê-lo.

Obs 2: No Brasil, a maior recomendação do Conselho Federal de Medicina (CFM) é que seja realizada a doação compartilhada, onde doadora e receptora necessitam de tratamento para engravidar.

4)  Como é feito o processo?

Chamamos de doadora a mulher que fará a estimulação da ovulação, que resultará na coleta de vários óvulos que serão doados para outra mulher, a receptora. A mulher que vai fazer a doação toma medicamentos injetáveis no início do ciclo menstrual para induzir o crescimento dos folículos (bolsas que contém os óvulos) e após 10 a 12 dias, é realizada a aspiração dos folículos. O procedimento é realizado colocando-se uma agulha fina por via vaginal, com sedação leve. Geram poucos efeitos colaterais, geralmente sensação temporária de inchaço e desconforto abdominal leve.

No mesmo dia da aspiração folicular o sêmen (do esposo ou, eventualmente, de doador) é preparado e os espermatozoides fecundam os óvulos no laboratório. Assim se forma o embrião que é cultivado (geralmente durante 5 dias) e depois colocado no útero da receptora.

A receptora terá seu útero preparado com hormônios (estradiol e progesterona) antes de receber o embrião, através do uso de medicações inicialmente por via oral e geralmente após 12 a 14 dias, associadas às de via vaginal. As medicações são utilizadas até o terceiro mês de gestação, quando a placenta assume a função de manter a gravidez.

5)  Quem será a mãe do bebe gerado por óvulos doados?

No Brasil a lei estipula que a mãe da criança será a mulher que gerou o bebê e não a que forneceu o óvulo. Caso a mulher que deu a luz à criança seja uma barriga solidária, o filho é considerado do beneficiado pelo procedimento.

6)  A criança pode se parecer com a doadora?

Esta é uma questão interessante, pois muitas vezes as mulheres que vão receber os óvulos temem que a criança não se pareça com ela, podendo gerar questionamentos por outras pessoas. No entanto, a escolha da doadora é realizada com muita cautela, por uma equipe especializada, para que haja semelhança física, como cor da pele, cabelos, olhos, altura, biótipo e também do tipo sanguíneo entre a doadora e a receptora.

Além disso, sabe-se que entre as pessoas há semelhança de mais de 99% dos genes, ou seja, o maior determinante das características individuais, tanto físicas como comportamentais não é o DNA em si, mas como se dá a expressão dos genes.

Tal conceito chama-se epigenética, que é definida como mudanças herdadas na expressão do gene, que não alteram a sequência de DNA. Ou seja, sabe-se que o processo da mãe de gestar e a própria criação do bebê influencia sua formação e ajuda a “moldá-lo”.

7)  Posso saber a identidade da doadora?

O processo de doação de óvulos é legal no Brasil, no entanto deve ser anônima e sigilosa. Ou seja, a doadora não saberá a identidade da receptora e vice-versa, conforme a legislação do CFM (Conselho Federal de Medicina). A legislação brasileira atual não permite a doação entre familiares.

8)  Qual a chance de sucesso?

A taxa de sucesso do tratamento de fertilização in vitro está relacionada principalmente à qualidade dos gametas (óvulo e espermatozoide) que formarão o embrião. Por este motivo, no tratamento com óvulos doados, em que a qualidade do óvulo em geral é muito boa, pois as doadoras são jovens, a taxa de gravidez é alta (50-60%).

9)  Preparação para a Doação de Óvulos

Indicamos acompanhamento psicológico para o casal antes do tratamento, pois se trata de um caminho diferente, que requer adaptação dos planos do casal e aceitação das limitações individuais. Logo, pode levar certo tempo até o casal assimilar o caminho alternativo. No entanto, trata-se de uma excelente opção para muitas mulheres, que antes não podiam conquistar o tão sonhado desejo de gestar.

10)  Doar óvulos tem efeitos colaterais?

O tratamento é bem tranquilo, pode causar leve desconforto, além de ter mínimos riscos. No entanto, para que sejam coletados vários óvulos, o ovário é estimulado e cresce. Este crescimento pode causar certo desconforto abdominal, principalmente nos últimos dias de medicação, e os níveis hormonais elevados podem causar sintomas como os de TPM, alteração de humor e dor nas mamas.

Saiba mais sobre o assunto clicando aqui.

Lívia Oliveira Munhoz Thais Domingues

Dra. Lívia Munhoz Soares e Dra. Thais Domingues,  médicas especialistas em reprodução assistida do grupo Huntington.

Diferença entre Inseminação Intrauterina x Fertilização in Vitro

Essa é uma dúvida muito comum entre os casais que procuram tratamento de reprodução assistida. De maneira simples, a diferença é que na inseminação é colocado o sêmen “potencializado” dentro do útero para que a fertilização ocorra naturalmente, e na fertilização in vitro é colocado no útero o embrião formado em laboratório.

Por esse motivo classificamos a inseminação intrauterina como procedimento de baixa complexidade, por ser mais simples, e a fertilização in vitro como de alta complexidade, pois necessita de tecnologia laboratorial avançada para a manipulação dos gametas (óvulo e espermatozoide) e cultivo embrionário adequado.

Quanto às taxas de sucesso dos dois tratamentos há diferenças importantes entre as duas técnicas. Considerando um casal jovem, sem fator de infertilidade grave, a inseminação permite uma taxa de cerca de 15-20% de gravidez, enquanto na fertilização in vitro pode chegar a 50-60%.

Há indicações médicas para cada um dos tratamentos, pois não são todos os casais que tem benefícios em realizar a inseminação intrauterina. Por exemplo, mulheres com as tubas ocluídas não conseguiriam ter a fertilização natural, portanto devem ser encaminhadas diretamente para a fertilização in vitro.

Por isso é necessário consultar o especialista em reprodução assistida para decidir, em conjunto com o casal, o melhor tratamento para cada caso.

Lívia Oliveira Munhoz

Dra. Lívia Munhoz Soares, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

Congelamento de óvulos: uma estratégia segura?

518020494Atualmente com o crescimento das mulheres no mercado de trabalho, cada vez mais temos postergado a maternidade em prol da carreira profissional. Por este motivo, tem crescido significativamente o número de mulheres com anseio de engravidar próximo aos 40 anos, e é neste momento que, consequentemente, as dificuldades reprodutivas aparecem.

Isso acontece pois os óvulos são produzidos no início da vida da mulher, ainda no estágio fetal, e com o passar dos anos os óvulos vão sendo “gastos” sem uma nova produção. Assim, a partir dos 35 anos, podemos considerar que a mulher já utilizou mais da metade da sua reserva ovariana, restando menor quantidade e qualidade ovular para alcançar uma gestação. Essa queda se intensifica ainda mais a partir dos 40 anos.

Por esse motivo, as mulheres precisam ficar atentas ao tempo. Com a tecnologia atual é possível congelar os óvulos, tendo a liberdade para escolher o momento em que se sentem preparadas para engravidar. A técnica é segura, eficiente e garante no futuro o óvulo com a mesma qualidade da idade em que foi congelado.

Devemos lembrar que, embora a técnica de vitrificação apresente taxas de sobrevivência ao descongelamento de 95%, os óvulos são preservados, e não há garantia de gravidez futura, pois isso dependerá muito do número de óvulos criopreservados, da qualidade deles, e também de como se dará a fertilização destes óvulos no futuro com o espermatozoide.

Lívia Oliveira Munhoz

Dra. Lívia Munhoz Soares, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.