Congelamento do tecido ovariano e outras técnicas ajudam a preservar a fertilidade em pacientes com câncer

Texto publicado no Portal R7.

Para a medicina, a vida pós-câncer é uma realidade que aumenta cada vez mais e exige atenção. Com o crescente número de sucessos no tratamento, a sobrevida cheia de planos também está no pacote. Muitas mulheres, que sonham com a maternidade, enfrentam um problema grave após o tratamento, a infertilidade. Em alguns casos, a quimioterapia e a radioterapia que destroem as células tumorais, também podem atingir as células germinativas, as mesmas que dão origem aos óvulos.

Congelamento do tecido ovariano

Além da criopreservação dos óvulos, que já é conhecida há mais de uma década, o congelamento de tecido ovariano pode ser uma nova alternativa.

“A técnica é muito recente, e seus resultados são bastante promissores. Mais de 60 bebês já nasceram através do reimplante de tecido ovariano em diversos locais do mundo”, explica o Dr. Maurício Chehin, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington. Ele acrescenta que a avaliação de cada caso é realizada individualmente, “sempre respeitando todas as orientações do oncologista responsável, com o objetivo de sucesso no tratamento oncológico e a possibilidade de preservar a fertilidade futura”.

O novo procedimento é uma alternativa às pacientes que não possuem tempo hábil para congelar óvulos ou embriões após o diagnóstico do câncer. A técnica também é indicada para as mulheres que receberam contraindicações para a estimulação ovariana com hormônios.

Como funciona?

O procedimento é mais invasivo do que a criopreservação (congelamento) dos óvulos. A paciente é submetida a um procedimento cirúrgico, por meio de uma videolaparoscopia. Uma parte, ou, a depender do caso, todo o ovário, é retirado. O tecido é submetido a um processo de preparo e congelamento em nitrogênio líquido, a uma temperatura de -196º C. Depois de congelado, pode permanecer assim por tempo indeterminado. “Para o procedimento, a paciente fica internada de um a dois dias. A cirurgia é rápida e não interfere no início do tratamento contra o câncer, que é prioritário sempre”, explica o Dr. Maurício.

Já na criopreservação dos óvulos, a mulher passa por uma indução de ovulação, com o uso de hormônios, que demora entre 10 e 15 dias. Em muitos casos, a paciente não tem esse tempo de espera para o início do tratamento contra o câncer. A técnica de congelamento do tecido ovariano também é indicada para meninas que ainda não entraram no período fértil.  Já que nesses casos, não existe a possibilidade de se coletar óvulos.

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De acordo com o Dr. Maurício Chehin, após a liberação do oncologista para uma gravidez, realiza-se outra videolaparoscopia, para reimplantar o tecido ovariano. Caso obtenha sucesso, este procedimento pode proporcionar uma gestação natural, induzida por hormônios, ou, na impossibilidade, por meio da técnica de Fertilização in Vitro.

Mas, e os custos?

Vale lembrar que os custos para todos esses tratamentos são caros, e os convênios, em geral, não cobrem. É preciso avaliar bem, e às vezes não temos muito tempo para pensar nisso. Meu oncologista clínico alertou que a quimioterapia poderia provocar uma menopausa precoce. No meu caso, consegui realizar a criopreservação dos óvulos. Ele liberou a indução por hormônio e aguardou 15 dias para o início do tratamento com quimioterapia.

 Outras técnicas de preservação da fertilidade

Além da criopreservação de óvulos e ovariana, também existem técnicas de preservação da fertilidade em pacientes com câncer oncológico (colo do útero, ovário ou endométrio).

De acordo com o diretor de Ginecologia Oncológica do A.C. Camargo, Dr. Glauco Baiocchi, o câncer de colo do útero (tumor ginecológico mais comum no Brasil com 16 mil novos casos estimados para 2016) é uma doença que pode receber um tratamento mais conservador desde que o tumor não seja maior do que dois centímetros. Quando a doença ocorre em mulheres em idade reprodutiva, a doença pode ser unilateral, sendo assim possível preservar um dos ovários. “Nestes casos retira-se o ovário doente e deixa-se o ovário contralateral, trompa e útero”, destaca o especialista.

O diagnóstico precoce também é o fator determinante para a tomada de decisão em se tratando de câncer de endométrio. “A principal indicação de preservação de fertilidade em caso de câncer de endométrio é quando a doença está restrita ao endométrio (camada interna que reveste o útero) e apresenta resposta ao tratamento hormonal. A paciente é acompanhada com um exame chamado histeroscopia e após ela engravidar é que será submetida à retirada do útero”, acrescenta o Dr. Glauco Baiocchi

Gravidez durante o tratamento

Caso a mulher descubra um tumor e já esteja esperando um filho, há formas de tratamento seguro. O tumor de colo do útero, dependendo de cada caso e do estadiamento da doença, pode ser tratado durante ou depois da gestação. Uma cirurgia também pode ser realizada se um exame de ultrassom apontar uma massa suspeita ou um possível câncer de ovário. Já em casos de câncer de mama, após a biópsia para confirmar o diagnóstico, o tratamento cirúrgico pode ser realizado mesmo durante a gestação.

A quimioterapia não é utilizada durante os três primeiros meses de gestação, quando o feto ainda está no início da formação. Porém, após o primeiro trimestre, a quimioterapia poderá ser aplicada. A radioterapia, porém, não é uma opção de tratamento, pois a radiação pode causar efeitos colaterais para o bebê.

Dr. Maurício Chehin, coordenador do Programa de Oncofertilidade do Grupo Huntington.

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A Huntington e o Outubro Rosa

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O Outubro Rosa é o mês mundial da conscientização do câncer de mama.

O movimento que dura todo o mês, apresenta para as mulheres os riscos e a necessidade do diagnóstico precoce deste tipo de câncer, que é o segundo mais recorrente no mundo.

O Grupo Huntington faz parte desta campanha mundial de alerta sobre a doença, e mobiliza sua equipe. Durante o mês de outubro seus colaboradores farão uma mobilização interna, utilizando o laço rosa no uniforme para alertar aos pacientes sobre a importância da campanha. Além disso, as unidades Huntington estarão iluminadas com a cor rosa.

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O que é câncer de mama?

O câncer de mama é tipo de câncer mais comum entre as mulheres, pouco frequente nos homens. Como o próprio nome diz, o câncer de mama afeta diretamente as mamas, que são glândulas formadas por lobos, que se dividem em estruturas menores chamadas lóbulos e ductos mamários.

Hoje, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura chegam a 90% dos casos, um avanço muito importante na medicina. Algumas mulheres podem desenvolver o câncer de mama com menos de 35 anos, faixa etária em que aquelas preocupadas com a carreira e relacionamento ainda não começaram um projeto de construir uma família.

Especialistas orientam sobre a importância de toda mulher realizar pelo menos uma mamografia por ano a partir dos 40 anos.

Sintomas

O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio de nódulos nos seios, secreção de sangue pelos mamilos e alterações no formato ou textura do mamilo ou do seio. O nódulo está presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria paciente.

Diagnóstico

O exame que deve ser priorizado entre as mulheres é sempre o autoxame, ou seja, exame físico. O câncer de mama é uma doença séria, mas com grandes chances de cura. O diagnóstico de câncer de mama pode ser realizado através de uma biópsia da área suspeita, caso exista alguma alteração suspeita.

Quando a paciente ou o médico suspeitam de alterações no autoexame, geralmente são solicitados exames complementares como mamografia, ou ultrassom das mamas. Durante a mamografia, mulheres sem alterações no exame clínico podem ter alterações detectadas neste momento. O ultrassom das mamas pode servir de complemento à mamografia, pois ajuda a diferenciar cistos de nódulos.

A ressonância magnética é recomendada para o rastreamento apenas em populações de alto risco, como pacientes com uma história familiar confirmada ou suspeita, pacientes sabidamente predispostas geneticamente ao câncer ou pacientes que já tiveram um primeiro câncer de mama.

Nas pacientes com alto risco da doença, como histórico familiar ou genético, alguns especialistas recomendam o início do rastreamento a partir dos 30 anos de idade.

Autoexame

 O autoexame permite perceber alterações nas mamas. É muito importante lembrar que o autoexame das mamas não substitui a consulta de rotina que deve ser feita ao mastologista.

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Fontes: Mulher Consciente, Oncoguia, IBCC.

Faça a mamografia e previna-se contra o câncer de mama!

 

A realização da mamografia na detecção do câncer de mama é fundamental, por isso, você deve consultar seu médico regularmente e fazer o exame.

O diagnóstico precoce da doença pode salvar sua vida!

Compartilhe esta informação com outras mulheres para que elas também entendam a importância da realização do exame e da prevenção.

Faça parte desta campanha e previna-se!

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