6 perguntas e respostas sobre o congelamento de óvulos

Texto publicado no Portal Mde Mulher em 03/07/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

Saiba mais sobre essa técnica que tem com objetivo preservar, por mais tempo, a fertilidade das mulheres.

Congelar óvulos não é novidade no mundo da ciência. Para ter ideia, o primeiro caso de uma gestação que deu certo a partir de um óvulo congelado é 1986. No entanto, foi só no fim dos anos 2000 que o recurso se aprimorou a ponto de garantir uma boa taxa de gravidez e tornar-se realidade nas clínicas de reprodução humana. Isso graças a uma técnica chamada vitrificação, que tornou o congelamento mais rápido e permitiu que a célula reprodutora feminina sofresse menos danos nesse processo. “Antes, demorava muito tempo para o óvulo congelar, o que favorecia a formação de cristais que danificavam a célula”, explica a médica especialista em reprodução humana Cláudia Gomes Padilla, do Grupo Huntington, em São Paulo. Com a nova tecnologia, a chance de o óvulo sobreviver ao congelamento é de 95%.

Desde então, pesquisadores mundo afora têm investigado a eficácia dessa técnica. E os estudos já comprovaram que o congelamento é, sim, uma boa alternativa para preservar a fertilidade de mulheres que querem engravidar, mas ainda não sabem quando isso vai acontecer.

O CONGELAMENTO

1. Como funciona?

No segundo dia da menstruação, a mulher inicia um tratamento de indução da ovulação. Isso é feito por meio de medicações à base de hormônios, que vão fazer com que o ovário produza o maior número de folículos possível durante mais ou menos 11 dias. Por volta do 12o dia, num procedimento em que a paciente fica sedada, esses óvulos serão aspirados do útero com a ajuda de uma agulha acoplada a um aparelho de ultrassom. Após coletados, os óvulos são levadas ao laboratório para serem desidratados e congelados com nitrogênio líquido a -196oC.

Quando a mulher decide engravidar, os óvulos são descongelados, fertilizados em laboratório e, depois, introduzidos no útero.

2. Qual a probabilidade de gravidez?

A regra é simples: quanto antes ela congelar os óvulos e quanto mais nova for ao fazer o procedimento, maiores são as chances de engravidar. Até os 35 anos, a taxa de sucesso é de mais ou menos 50%.

Outro fator que contribui para que a gravidez vingue é o número de óvulos congelados.

3. Para quem a técnica é indicada?

Principalmente para mulheres que já têm mais de 30 anos e pretendem engravidar, mas ainda não sabem quando - seja porque não têm parceiro, seja porque ainda não estão prontas. É que, após os 35, como os óvulos vão ficando mais velhos, as células ficam mais sensíveis, diminuindo a probabilidade de a mulher engravidar.

O congelamento também é recomendado para mulheres com câncer que terão que se submeter à quimioterapia ou à radioterapia. “Alguns tipos desses tratamentos podem levar à menopausa precoce”, alerta Cláudia Padilla.

4. Quanto tempo dura um óvulo congelado?

Não há um limite de tempo.

5. Quanto custa?

O custo do procedimento - que inclui toda a parte do laboratório, a coleta e mais os medicamentos - é de 12 a 15 mil reais. Depois, é preciso pagar uma taxa anual para a manutenção dos óvulos congelados, que varia de 500 a mil reais. Quando for utilizar esses óvulos, aí será cobrado o preço da fertilização in vitro.

6. Dá para fazer pelo SUS?

Não. A rede pública cobre o procedimento apenas em casos de pacientes com câncer e que estão sob risco de ter o sistema reprodutor afetado devido ao tratamento.

Dra. Claudia Gomes Padilla, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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Entenda como preservar sua fertilidade

Especialista em reprodução assistida dá dicas e recomendações para a mulher moderna que quer adiar a maternidade

Adiar a gravidez é uma realidade e uma tendência comportamental e cultural percebida na vida de muitas mulheres, principalmente nas mais jovens. Pode acontecer por uma série de motivos: o foco na carreira, a espera do parceiro ideal ou, até mesmo, a busca pelo corpo perfeito. Em lembrança ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8/3, a Dra. Karla Zacharias, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, selecionou informações importantes para orientar aquelas que possuem outros objetivos e querem adiar a maternidade, mas desejam – não menos que todas as outras – ter filhos, um dia.

Os dados comprovam a tendência: em 1991, a média de filhos por família era de 2,9. Essa taxa vem caindo anualmente e chegou a 1,7, em 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do adiamento da decisão, a taxa de fecundidade também caiu no Brasil. “A mulher do século XXI tem outras prioridades, em um comportamento que difere do visto no século passado e que pode trazer problemas para a fertilidade em longo prazo”, observa a médica.

Isso ocorre porque o relógio biológico não acompanha as mudanças comportamentais e pode ser implacável. “Os melhores óvulos são os primeiros a serem perdidos: aos 25 anos, mais de 70% deles já foram descartados pelo corpo. Uma mulher de 35 anos tem 80% mais chances de engravidar do que uma de 40 anos. A partir daí, as chances podem ser muito pequenas”, analisa a especialista.

Como preservar a fertilidade por mais tempo?

É possível se preparar fisicamente e psicologicamente para conseguir engravidar com mais idade. Algumas ações simples podem ser importantes para a conservação dos óvulos das mulheres. A médica dá algumas dicas à mulher moderna, sobre como manter a fertilidade por mais tempo:

 - Visitar um ginecologista periodicamente pode revelar desequilíbrios hormonais ou outras situações perigosas, que possam afetar a fertilidade;

 - Uma dieta balanceada, com adição de alguns alimentos benéficos, pode ajudar a fertilidade. Consumir Ômega 3, presente em nozes, ervilhas  e peixes de água fria como salmão e sardinha, por exemplo, ajuda o sistema de reprodução;

 - A prática de exercícios físicos para manter a forma é aconselhada. Uma mulher acima do peso está sujeita a mais disfunções hormonais e ovulatórias. Quando conseguem engravidar, a obesidade é prejudicial à gravidez;

 - A pílula anticoncepcional tem baixo conteúdo hormonal e pode até contribuir com a fertilidade, ao prevenir a endometriose, por exemplo. Após um tempo de interrupção de uso, a chance de engravidar volta ao normal;

 - Atenção ao uso de drogas e medicamentos. Fumar, consumir bebidas alcoólicas em excesso, antidepressivos, anabolizantes e outras drogas afeta a qualidade dos óvulos;

 - O estresse pode alterar as taxas hormonais, que afetam as funções ovarianas, modificam os ciclos menstruais e, em quadros mais avançados, cessam a menstruação;

Além das questões fisiológicas, a questão psicológica também é importante para a fertilidade. Quando se decide engravidar, o cenário costuma vir acompanhado de um quadro de tensão, ansiedade e expectativa. Aproximadamente dois em cada cinco casais (39%) mencionam aumento do estresse e da tensão em seus relacionamentos no período em que tentam ter filhos.

Um acompanhamento psicológico pode evitar o desenvolvimento de doenças, como a depressão ou o transtorno de ansiedade. Atividades como ioga, meditação, massagens e acupuntura podem ajudar a reverter o quadro de estresse. “O mais importante é a mulher saber as limitações de seu corpo para se programar para ter filhos. No caso de uma reserva ovariana diminuída, comum em mulheres com mais de 30 anos, as opções de reprodução assistida, como inseminação artificial e Fertilização In Vitro, podem ser uma solução”.

O congelamento de óvulos

A médica lembra que há outra possibilidade segura para preservar a fertilidade: o congelamento de óvulos, que mostra um alto índice de resultados positivos, de cerca de 30%. “O congelamento é mais indicado a casos de doenças que impeçam a paciente de engravidar imediatamente e para quem pretende ter filhos em idade bem avançada. O parceiro também pode congelar o sêmen, que pode permanecer neste estado por muitos anos antes de ser utilizado”, finaliza.

Dra. Karla Zacharias, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Karla Zacharias