Congelamento de óvulos deve ser feito até os 35 anos: entenda como funciona

Matéria publicada no portal UOL Estilo, com participação da Dra. Thais Domingues, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

Adiar a gravidez é uma realidade cada vez mais comum às mulheres. Nos últimos 16 anos, o Brasil viu crescer em 27% o número de gestantes com mais de 40 anos, segundo o IBGE. Muitas delas recorrem ao congelamento de óvulos.

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Thais Domingues

Dra. Thais Domingues, médica especialista em reprodução assistido da grupo Huntington.

Congelamento de tecido ovariano pode ajudar mulheres com câncer a se tornarem mães

Texto publicado no Portal Bebe.com

Com grande capacidade de se espalhar para outros órgãos, o câncer ginecológico é um dos mais perigosos e pode soar como um pesadelo na vida das mulheres que ainda desejam ter filhos. Afinal, é possível engravidar depois da doença? Muita gente ainda desconhece o fato de que um tratamento oncológico pode comprometer drasticamente a fertilidade.  As pacientes se empenham na cura do câncer - o que é extremamente importante e compreensível -, mas poucos sabem das consequências.

A ida regular ao ginecologista pode colaborar para que a enfermidade seja descoberta em estágio inicial e, assim, garantir que expectativas – como a da maternidade – sejam concretizadas após o tratamento, que é complexo e invasivo. Em casos mais graves, quando o diagnóstico é realizado tardiamente, a retirada de parte ou de toda a estrutura reprodutiva pode ser necessária para preservar a saúde da paciente.

No entanto, assim como a oncologia, a medicina reprodutiva também tem evoluído rapidamente e já oferece algumas alternativas confiáveis para mulheres que sonham em aumentar a família após a cura da doença. Entre as opções para conservar a fertilidade antes de um tratamento contra o câncer está o congelamento de óvulos, que já está estabelecido, ou de tecido dos ovários, uma técnica atual e promissora.

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A criopreservação do tecido ovariano é indicada para meninas antes da puberdade, para pacientes que não podem ser estimuladas com hormônios ou para aquelas que precisam começar o tratamento quimioterápico com urgência, não tendo tempo para aguardar a indução da ovulação (que demora de 12 a 14 dias) e só então fazer o congelamento de óvulos. O período de internação para a realização deste procedimento cirúrgico - que consiste na retirada de parte ou de todo o ovário por meio de videolaparoscopia – é curto, entre um ou dois dias, o que possibilita um início mais rápido do tratamento oncológico.

Os fragmentos do ovário são congelados por tempo indeterminado e, posteriormente, reimplantados no organismo da paciente, após ela ser liberada para tentar uma gravidez. Quando isso acontece, o tecido pode demorar cerca de quatro meses para voltar a funcionar, recuperando suas funções hormonais. A partir daí, é possível que aconteça a ovulação e a tão esperada fecundação. Se a paciente tiver trompas normais, ela pode engravidar naturalmente. Se a mulher tiver dificuldades, pode ser realizada uma fertilização in vitro (FIV).

Já foram registrados mais de 60 nascimentos no mundo por esta técnica – nenhum ainda no Brasil, porque o reimplante do tecido ovariano ainda não foi feito por aqui. De qualquer forma, estima-se que a chance de uma gestação seja por volta de 35 a 40% – o que é mais uma esperança para mulheres que encaram um câncer em idade reprodutiva.

Dr. Maurício Chehin, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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Você sente que chegou o momento de realizar o sonho da maternidade?

Entenda o processo de congelamento de óvulos

banner_congelamento_ de_ovulos_O congelamento de óvulos, conhecido também como vitrificação, é o principal recurso para preservar a fertilidade de mulheres que têm o sonho da maternidade, mas podem, futuramente, apresentar algum problema que provoque o declínio ou a interrupção total da produção de óvulos. É um avanço a favor da saúde e da fertilidade feminina, que possibilita adiar o projeto de ser mãe, para o momento que a mulher julgar mais apropriado.

O procedimento consiste em fazer o congelamento rápido da célula através de nitrogênio líquido, a baixa temperatura, cerca de -196°C. Quando a paciente resolve utilizar o óvulo para iniciar a tentativa de gravidez, a célula passa pelo processo de desvitrificação, ou descongelamento, também feito de forma rápida. Com estas técnicas, a chance de sobrevivência do óvulo é de 95%. E não existe um período determinado para que a célula fique congelada.

Esse procedimento pode solucionar alguns casos que comprometem a maternidade. Um deles é o da mulher que adia uma gravidez porque quer estar emocionalmente preparada para essa fase ou por algum motivo relativo à questões profissionais. Atingir estabilidade pode levar algum tempo. E o momento certo para a mulher pode ser quando a idade não está a seu favor.

Para garantir que a idade não se torne um empecilho, é aconselhável fazer o congelamento de óvulos. A técnica, quando feita em idade reprodutiva adequada, é útil para preservar óvulos que certamente estarão em ótima qualidade e se mostrarão intactos quando descongelados para que, na fertilização, gerem um embrião saudável.  Para ter se uma ideia, 12 óvulos congelados aos 28 anos oferecem até 50% de chances de gravidez ao serem fertilizados aos 40 anos.

Outro caso em que se indica o congelamento é o de mulheres com histórico de menopausa precoce na família. Nessa situação, preventivamente, se vitrificam os óvulos para que ela não seja pega de surpresa pelo esgotamento de sua reserva ovariana, já que a menopausa pode atingir 3% das mulheres com menos de 40 anos.

Preservação da fertilidade em pacientes com câncer

Aos pac65wexsrkd9ykr44lzjde3k5wxientes que iniciarão um tratamento oncológico, a preservação da fertilidade também é um assunto importante. Apesar de ser uma situação delicada, mulheres em idade reprodutiva que ainda não tiveram filhos, mas desejam ter um dia, devem pensar nisso. A quimioterapia e a radioterapia debilitam consideravelmente a produção de células germinativas – que dão origem a óvulos e espermatozoides, por exemplo. A infertilidade muitas vezes é um dos legados de tratamentos contra o câncer. A depender do caso, a paciente pode fazer o congelamento em até 10 dias antes de iniciar com as medicações contra a doença, sem precisar esperar pelo próximo ciclo menstrual.

Congelar os óvulos é simples

Os ovários serão estimulados com medicamentos indutores da ovulação. Isto provoca o crescimento dos folículos ovulatórios, fenômeno que será acompanhado pela ultrassonografia. Quando o momento for propício, as células serão recolhidas enquanto a paciente se encontra sedada profundamente. Após coletados, os óvulos são levados ao laboratório de embriologia, desidratados e vitrificados para que possam ser fertilizados e implantados quando a mulher finalmente decidir que o momento para tentar ser mãe chegou.

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Dr. Mauricio Chehin, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.