Mês Mundial de Conscientização da Endometriose

Em março, muitos países se mobilizam e realizam ações para conscientizar a população feminina sobre o assunto.

Conhecida como a “doença da mulher moderna”, cerca de 40% das pacientes que chegam até as clínicas de reprodução assistida sofrem desse problema cada vez mais comum.

A fertilidade feminina pode ser afetada pela endometriose de diversas formas, dentre elas, por obstrução das trompas ocorrida diretamente por lesões, formação de cistos nos ovários que alteram a capacidade ovulatória e liberação de substâncias inflamatórias na pelve que podem alterar a qualidade do óvulo, do embrião e o desenvolvimento da gestação aumentando a taxa de abortamento.

Saiba mais sobre o assunto em nosso hotsite: www.endometrioseefertilidade.com.br/

Para que esta corrente fique ainda maior, curta, compartilhe e ajude a conscientizar amigas e familiares sobre a endometriose.

03.03_Mês Mundial da Endometriose

Endometriose

endometrioseNessa semana, novamente se fala sobre a luta contra a endometriose, essa doença cada vez mais comum entre as mulheres. Então achei importante também falar um pouco sobre isso, até por já ter sofrido com ela, mas tentar falar de uma forma um pouco mais simples.

Para entender o que é a endometriose, é preciso entender o que é o endométrio e a menstruação, o endométrio é um tecido que cobre a parte interna do útero, ele cresce e se desenvolve durante o ciclo menstrual, e, caso não ocorra gravidez, ele se descama, ou seja, a menstruação desce. A endometriose acontece, quando esse tecido (o endométrio) extravasa para o abdomên, crescendo de forma irregular em outros locais, como ovários, trompas, intestino, peritôneo, saco de douglas, diafragma e no próprio útero, formando lesões (feridas, cistos, nódulos). A endometriose é classificada em leve, moderada ou severa, dependendo da abrangência das lesões.

Os sintomas mais comuns são sangramentos fora do período menstrual, cólicas fortes, dores e/ou sangramentos na relação sexual, dor e/ou sangramentos ao urinar, dores pélvicas, sangramento nas fezes. Quem tem endometriose pode apresentar um ou mais sintomas, mas também pode não ter sintoma algum, como no meu caso, pois muitas mulheres são assintomáticas e acabam só descobrindo a endometriose, quando investigam problemas de infertilidade ou fazem algum procedimento cirúrgico abdominal.

As causas da endometriose ainda são estudas, são vária teorias, e entre as possíveis causas estão a maior exposição a hormônios, causas genéticas, hereditárias, estresse, problemas imunológicos, disfunções hormonais.

Mas por que a endometriose pode causar infertilidade ou atrapalhar uma gravidez? Porque ela pode obstruir as trompas, comprometer os ovários, dificultar a implantação de um óvulo fecundado no útero, matar os espermatozoides (já que é um processo infeccioso e pode alterar o PH interno da mulher), causar alterações hormonais e imunológicas.

Para diagnosticar a endometriose podem ser os usados exames, como CA125, ultrassom, ressonância magnética, histeroscopia diagnóstica, biópsia e o principal deles a videolaparoscopia. Já o tratamento pode ser cirúrgico e/ou hormonal, suprimindo por um período à menstruação.

Se você tem qualquer um dos sintomas, algum indício, ou mesmo já tem um bom tempo de tentativas de gravidez sem sucesso, converse com seu médico sobre o assunto. No meu caso, só mesmo com a videolaparoscopia que foi possível descobrir e tratar a endometriose.

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Alê Nunes, mãe e blogueira

Como faço para saber se tenho endometriose?

Atualmente as estatísticas mostram que cerca de 40% das mulheres com dificuldade para engravidar apresentam endometriose. E o mais curioso é que boa parte delas não necessariamente irá apresentar os sintomas típicos da doença como cólicas fortes ou dor para ter relação sexual. Então é muito comum que uma mulher sem sintomas e com dificuldade para engravidar tenha endometriose e muitas vezes não seja submetida aos exames adequados para o diagnóstico da doença.

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E aí está a grande questão. Os exames de rotina ginecológica como o ultrassom transvaginal ou pélvica nem sempre conseguem visualizar as lesões de endometriose. Mas porque isto ocorre? Por dois motivos principais: pela presença de conteúdo no intestino (gases e fezes) que podem dificultar a visualização das lesões e principalmente pela falta de treinamento técnico do profissional que realiza o exame, pois é preciso conhecimento específico para se detectar as lesões ao ultrassom ou na ressonância magnética.

No entanto, existem hoje exames de imagem, que quando feitos pelo profissional adequadamente treinado tem ótimo poder de detecção da doença. Não é somente com a laparoscopia, ou seja, com a inserção de uma câmera no abdômen por meio de um procedimento cirúrgico com anestesia geral, que se faz o diagnóstico. A ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética pélvica com preparo intestinal possibilitam um diagnóstico preciso e não invasivo da endometriose.

Estes exames então são indicados para todas as mulheres que apresentem sintomas da endometriose, sendo a dificuldade para engravidar isoladamente também considerada como uma indicação. Sabemos hoje que a endometriose, principalmente quando extensa e profunda pode não só afetar anatomicamente a fertilidade, obstruindo as trompas ou formando cistos ovarianos, por exemplo, como também pode interferir negativamente com a qualidade dos óvulos e receptividade do útero ao embrião com alguns estudos mostrando maiores chances de aborto nas mulheres com endometriose. Então seu diagnóstico e tratamento são de extrema importância e podem potencializar as chances tanto de engravidar naturalmente quanto por tratamentos de reprodução assistida.

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Dra. Claudia Gomes Padilla, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Operar ou não a endometriose: eis a questão?

A endometriose é uma condição que afeta muitas mulheres e que comumente cursa com cólicas. Porém, ela pode ser silenciosa, isto é, não ter nenhum sintoma e somente a dificuldade para engravidar ser o sinal de alerta. Para seu diagnóstico são necessários exames de imagem específicos que utilizam um preparo intestinal e técnica radiológica especializada tanto para o ultrassom quanto para a ressonância. Por esse motivo, na maioria das vezes, as lesões mais profundas ao redor do útero, intestino e bexiga, acabam não sendo diagnosticadas por exames de imagem comuns. O tratamento da endometriose pode ser com medicações para alívio dos sintomas ou para tentar diminuir a evolução da doença, mas somente a cirurgia com retirada das lesões é que possibilita a cura.

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Por todos estes motivos, acredito ser de extrema importância a investigação detalhada para excluir a endometriose em todas as mulheres com dificuldade para engravidar. Solicito essa avaliação para as minhas pacientes e quando o diagnóstico é feito a grande pergunta que fica é: Operar ou não operar a endometriose antes de fazer o tratamento?

Nem a ciência tem essa resposta para todos os casos, mas penso que existem alguns pontos importantes a serem considerados para essa decisão que deve ser compartilhada entre o casal e seu médico:

- A endometriose é uma doença crônica e progressiva na idade reprodutiva e que tende a involuir somente na menopausa. Em mulheres com boa capacidade ovariana e sem alterações da parte do parceiro, a cirurgia pode ter um grande benefício diante da possibilidade de gravidez natural.

- Mulheres com sintomas graves como cólicas incapacitantes, dor na relação sexual, dor para evacuar ou urinar devem considerar a cirurgia não somente pensando na gravidez, mas também para melhora da sua qualidade de vida.

- Se a endometriose é extensa afetando principalmente intestino ou bexiga ou se há outras alterações como miomas ou pólipos a cirurgia terá grande benefício antes de um tratamento para engravidar. Estudos demonstram que a endometriose profunda, principalmente quando afeta o intestino, diminui a chance de gravidez até mesmo com a fertilização in vitro.

- Por outro lado, se a reserva de óvulos já está baixa ou se a qualidade dos espermatozoides for ruim, as chances de concepção natural são muito pequenas. Nestas situações a fertilização in vitro é mais indicada que a cirurgia, principalmente nos casos em que a endometriose não é extensa.

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Dra. Claudia Gomes Padilla, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.