Você sabe o que é espermograma?

 

O espermograma ou análise do sêmen é, até hoje, o mais importante exame para averiguar a capacidade reprodutiva dos homens, pois avalia de uma só vez a quantidade e, de certa forma, a qualidade do espermatozoide para fertilizar um óvulo.

{072bb4ed-7610-4e56-8e36-a2ce78df923d}_1Sua execução é muito simples e a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou alguns critérios no ano de 2010 para uma correta análise. A coleta do sêmen é realizada por masturbação e recomenda-se que o homem fique de 03 a 05 dias em abstinência sexual, embora diversos estudos já tenham demonstrado que a variação na concentração dos espermatozoides ou de sua motilidade e/ou forma varie pouco, se este período não for adequadamente seguido.

O sêmen passará por dois tipos de análise: uma a “olho nu” (macroscópica) e a outra feita por meio de microscópios (microscópica). Os dados encontrados podem, inclusive, ajudar a diagnosticar as possíveis causas da infertilidade masculina e trabalhar como complemento em determinar a infertilidade do casal. Os parâmetros utilizados pelo Grupo Huntington são os mesmos recomendados pela OMS.

Dicionário Reprodutivo do Espermograma

Hipospermia: volume de sêmen ejaculado abaixo de 1,5 ml.

Oligozoospermia: concentração de espermatozoides abaixo de 15 milhões/ml.

Para fins de tratamento, é subdividida em:

Oligozoospermia leve: quando a concentração varia de 5,0 milhões/ml até 14,9 milhões/ml.

Oligozoospermia moderada: concentração de espermatozoides de 1,0 milhões/ml até 4,9 milhões/ml.

Oligozoospermia grave: concentração de espermatozoides de 0,1 milhões/ml até 0,9 milhões/ml.

Astenozoospermia: motilidade progressiva espermática abaixo de 32%.

Necrozoospermia: porcentagem de espermatozoides vivos abaixo de 58%.

Leucocitospermia: alta concentração de leucócitos na amostra seminal.

Teratozoospermia: espermatozoides com formato perfeito abaixo de 4%.

Azoospermia: ausência de espermatozoides no sêmen ejaculado.

Criptozoospermia: após centrifugação de todo volume ejaculado, são encontrados raros espermatozoides.

Normozoospermia: paciente sem nenhuma alteração nos parâmetros acima.

A partir da conclusão do exame, o médico poderá prescrever exames complementares ao espermograma. Entre os mais frequentes, estão:

Fragmentação de DNA – permite a identificação de áreas fragmentadas dentro do DNA espermático. Essa fragmentação, se alterada, pode trazer ao casal abortos de repetição, má qualidade embrionária ou a não gravidez.

Espermograma sob magnificação – o espermograma pode ser realizado por microscópios específicos que aumentam em até 1.000 vezes a visualização do espermatozoide, daí o nome sob magnificação. Estes microscópios são normalmente utilizados para realizar o chamado super-ICSI. Através desta análise, identificamos outros parâmetros, sendo o principal deles a presença de vacúolos ou buracos dentro do espermatozoide que estão associados à piora da fertilização ou do sucesso reprodutivo. Nos casos de oligospermia severa, é interessante contar com este tipo de análise prévia, pois se pode recomendar a fertilização pela técnica do super-ICSI.

FISH – analisa alterações no número de cromossomos presentes nos espermatozoides, como as dissomias (quando existem alguns cromossomos a mais) ou as diploidias (duplicação de todos os cromossomos no espermatozoide).

Carga viral – utilizada para pacientes com sorologias alteradas, como HIV, Hepatite, HTLV, para que no dia da fertilização seja utilizado um sêmen testado previamente e livre de quaisquer contaminações. Este sêmen passa por um processo de centrifugação e lavagem, na qual é retirado todo o líquido seminal contaminado, restando apenas os espermatozoides. Uma vez comprovada a não infecção dos espermatozoides, elas já podem ser utilizadas para a fertilização.

Congelamento seminal – utilizado para preservar a fertilidade de pacientes pré-quimioterápicos ou de pacientes com baixa concentração de espermatozoides – neste caso, para garantir o material reprodutivo, caso as células eventualmente deixem de ser produzidas pelo organismo durante o tratamento de fertilidade.

Homens estão mais abertos aos tratamentos de fertilidade para realizarem sonho de ter filhos

 

 

 

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), metade dos casos de infertilidade são decorrentes de alterações masculinas. Apesar de antigamente eles terem se mostrado mais relutantes em recorrer aos tratamentos de reprodução humana, essa realidade, hoje, é bastante diferente. “Os homens estão mais abertos aos tratamentos de fertilidade porque, na maioria das vezes, realizar o sonho da paternidade não exige medidas muito invasivas. Além disso, os avanços da medicina reprodutiva ajudam no sucesso do tratamento”, comenta a Dra. Thaís Domingues, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington.

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A infertilidade masculina nada tem a ver com perda de virilidade e é preciso desmistificar esse preconceito. Essa ideia apenas dificulta o progresso na construção de uma família e aumenta o estresse do casal, uma vez que não conseguir ter filhos gera muito sofrimento. “É importante perceber que o problema da infertilidade é algo a ser trabalhado pelo casal. Deve haver compreensão e informação para que ansiedade e tensão não se excedam além do normal”, aconselha.

Primeiro passo: identificar o problema

O material reprodutivo do homem pode apresentar alterações que diminuem a chance de fertilização do óvulo naturalmente, geralmente por alterações adquiridas ao longo da vida, como a varicocele, que podem levar a um prejuízo nas funções reprodutivas. Para que esses fatores sejam avaliados, é preciso recorrer, primeiro, ao espermograma, um exame realizado através da coleta de sêmen por masturbação e a posterior análise por critérios macro e microscópicos. Depois de identificadas as causas da infertilidade, o médico indicará o procedimento mais correto para que o casal consiga engravidar.

“Através da análise seminal macroscópica verificamos o volume de sêmen ejaculado, a acidez desse material, em quanto tempo ele se liquefaz, se possui aderência adequada. Pela avaliação microscópica descobrimos a concentração de espermatozoides por milímetro cúbico de sêmen assim como o total dessas células em todo o material ejaculado. A forma como essas células se movem, o formato delas e quantas estão de fato vivas também são indicadores importantes para estabelecermos o próximo passo a ser tomado”, explica a médica.

A partir dos resultados obtidos com o espermograma, o médico poderá encaminhar o paciente a outros exames, como o ultrassom de testículos, para se obter o diagnóstico da causa da diminuição do potencial reprodutivo masculino . “Quando sabe de sua infertilidade, o homem recebe a notícia como muita tristeza. Por diversas razões, esse tipo de diagnóstico se reflete diretamente na autoestima e vida sexual”, observa.

Como resolver?

Existem tecnologias muito precisas. Além da inseminação intra-uterina, que já consegue melhorar o potencial de fertilização, técnicas de alta complexidade, como a ICSI, por exemplo, através da seleção do melhor espermatozóide e a sua injeção diretamente no interior do óvulo, proporcionam melhores chances de se obter a gestação. Além disso,  Quando há  um caso de contagem muito baixa dos gametas masculinos, o material pode ser congelado para que não haja o risco das células se esgotarem enquanto outros processos do tratamento de fertilidade estão em andamento.

Caso haja alguma malformação do sistema reprodutivo ou o paciente tenha realizado a vasectomia, é possível recorrer a técnicas cirúrgicas que revertam o quadro. “No entanto, quando alguns casos não apresentam chances muito baixas de reversão, pode ser realizada uma punção testicular para coletar espermatozoides e realizar a fertilização in vitro” complementa a especialista.

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Dra. Thaís Domingues, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Infertilidade masculina: mais comum do que se imagina

À primeira vista, a fertilidade masculina parece não ser um evento que mereça tanta atenção quanto à feminina. Um bom exemplo disso é que a primeira menstruação é um acontecimento celebrado, enquanto a primeira ejaculação passa muitas vezes despercebida na vida de um homem. Mesmo assim, o potencial fértil masculino para um casal que quer ter filhos é tão importante quanto o de sua parceira. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 40% dos casos de infertilidade tem origem nos homens.

As principais causas são as razões genéticas, problemas congênitos ou ligados a infecções e a varicocele – varizes nos cordões espermáticos que aumentam a temperatura intratesticular, afetando a formação dos espermatozoides. Outro fator que leva à “infertilidade” masculina é a vasectomia. Geralmente, homens que entraram em um segundo casamento e tinham se submetido à cirurgia no primeiro, se veem novamente aptos à paternidade e querem reverter o procedimento para conseguir ter filhos. As chances de sucesso são bem maiores entre os primeiros 10 anos pós-cirurgia, depois desse período a probabilidade de sucesso na reversão vai diminuindo.

Apesar das causas de infertilidade serem praticamente meio a meio para homens e mulheres, no caso delas, a preocupação é sempre maior. A existência da menopausa exige uma urgência à maternidade. Para eles, não existe um relógio biológico, uma vez que os espermatozoides são constantemente produzidos, em contraste com os óvulos, que são estocados. Mas se o homem não está certo de sua fertilidade, como descobre que não era tão fértil quanto esperava?

Enquanto para checar o estado da reserva de óvulos das mulheres são necessários exames que avaliam as taxas hormonais e o trato reprodutivo, o homem precisa apenas de uma ejaculação para realizar o espermograma, que conduzirá a uma conclusão sobre suas funções reprodutivas. O que vejo em minha prática clínica é que a mulher toma o primeiro passo para saber o porquê de não conseguir engravidar. Ela se submete primeiro a todos os exames, que são mais complexos e, só depois de não constatada a sua infertilidade, é que ele se prontifica a realizar o exame. Essa atitude, pouco proveitosa, expõe o medo causado pela cultura machista de que a infertilidade está associada à masculinidade. Isso é retrógrado e sem comprovação científica alguma. Quando somos procurados, a recomendação é que o homem seja o primeiro a realizar os exames, que são mais simples e bem menos invasivos.

O espermograma trará uma análise quantitativa e qualitativa dos espermatozoides. Esse material será estudado a partir de suas características aparentes como volume e viscosidade, e também microscópicas como concentração, formato e motilidade dessas células. Somente após comprovada uma alteração significativa no sêmen é que poderá ser traçado um diagnóstico para corrigir a dificuldade. Homens que apresentam ausência total de espermatozoides (azoospermia) podem ainda tê-los no epidídimo ou no testículo para serem extraídos através de um procedimento pouco invasivo. Se ainda assim nada é encontrado poderão recorrer às células de um doador, por exemplo. Aqueles que possuem poucos gametas utilizáveis, contam com a Injeção Intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) que introduz com precisão a célula mais perfeita dentro do óvulo para aumentar as chances de sucesso da fecundação.

Se o especialista se depara com situações em que o homem demonstra grande resistência à realização do espermograma, quando tem, por exemplo, receio de se descobrir infértil, ele deve criar uma relação mais próxima com esse paciente e esclarecer detalhadamente um problema que está além de toda superstição. A infertilidade é uma questão que deve estar sob o apoio mútuo do casal para que o processo seja menos estressante.

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Dr. Mauricio Chehin, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

A fertilidade “Azul”

Aproveitando os eventos do Novembro Azul neste mês vou escrever sobre o lado masculino da fertilidade que cada vez mais vem sendo evidenciado pela ciência como de maior importância do que anteriormente se pensava.

feat02Neste sentido temos hoje além da avaliação do espermograma como exame básico para avaliar a fertilidade do homem, a determinação da fragmentação de DNA seminal. Esta técnica surgiu para estudar como a informação genética será fornecida para o óvulo no momento da fertilização. Caso seja muito fragmentada, no caso acima de 20%, pode ocorrer a formação de embriões de pior qualidade que não conseguem se implantar no útero ou tem mais chance de aborto.  Portanto, é hoje um exame muito importante para casos de abortamentos de repetição, falhas de implantação embrionária em fertilização in vitro  e também para homens que fumam ou tem varicocele , duas das principais causas de aumento da fragmentação de DNA seminal.

O tratamento para o aumento da fragmentação de DNA seminal pode ser feito com medicação para diminuir a exposição dos espermatozoides aos radicais livres durante seu trajeto para a ejaculação ou por meio de uma técnica laboratorial denominada de PICSI que identifica os espermatozoides menos fragmentados e os seleciona para a fertilização. São medidas simples que podem fazer muita diferença no resultado final de um tratamento de reprodução assistida!

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Dra. Claudia Gomes Padilla, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.