Homens também podem ter problemas de fertilidade

Matéria publicada no portal Minha Vida.

Em 40% dos casos o problema está neles, veja como cuidar da saúde fértil.

Qual foi a última vez que você esteve em um consultório de um urologista? Se você não lembra o nome do seu médico ou nunca foi a um deles, é importante dar mais atenção à sua saúde fértil. A infertilidade masculina é um tema de grande importância e tem ganhado relevância à medida que tabus e conceitos pré-estabelecidos têm sido desconstruídos.

Estudos comprovam que, em 40% dos casos, os homens são os responsáveis pela infertilidade de um casal – número apenas pouco menor à representação feminina. Este índice é alarmante, pois as mulheres ainda são maioria nos consultórios. A única maneira de cuidar da sua saúde fértil é receber acompanhamento médico periodicamente, para que os eventuais sinais identificados possam ser contornados.Galeria9-2718

Virilidade x fertilidade

É certo que uma confusão muito comum ainda atrapalha a criação desse hábito. A virilidade está relacionada à capacidade de ter uma ereção, enquanto a fertilidade é a capacidade de engravidar uma mulher. Há homens viris e férteis, mas também viris e inférteis. Portanto, não: não é porque você consegue manter relações sexuais que sua fertilidade está em dia. A ligação entre um fator e outro é apenas psicológica, emocional.

O que afeta a fertilidade do homem?

O fato de você não acompanhar sua saúde fértil é agravado por diversos fatores externos que contribuem para torná-lo infértil. A varicocele é a principal das responsáveis e representa 40% dos casos. Geralmente ela não apresenta sintomas, mas pode aparecer em forma de discreta deformidade na bolsa escrotal.

 - A lista de outros fatores é extensa:

 - Uso de determinados medicamentos e hormônios

- Cirurgias testiculares, prostáticas ou de grande porte na região abdominal

- Fatores genéticos

- Obesidade

- Tratamento contra o câncer, que inclui quimioterapia e radioterapia

- Atividades cotidianas ligadas ao estilo de vida, como tabagismo, consumo exagerado de álcool, uso de drogas recreativas e de anabolizantes.

Como saber se sou fértil?

Nosso corpo não emite muitos sinais que permitam percebermos se estamos ficando inférteis ? o mais comum deles, que ocorre apenas em alguns casos, é a diminuição do volume testicular. Portanto, o diagnóstico de infertilidade é feito em consultório.

Inicialmente, é realizado o espermograma, exame simples que contabiliza importantes índices do espermatozoide a partir da coleta do sêmen. São levadas em consideração a capacidade de movimentação, a morfologia e o número de espermatozoides para que a infertilidade seja constatada. Um especialista apurará esses dados, com um exame físico e outros exames complementares, caso seja necessário.

Se você for diagnosticado com infertilidade, é importante manter a calma e buscar ajuda. Há casos simples, em que os testículos não funcionam por falta de ação hormonal, por exemplo, e quadros mais complicados. O diagnóstico é individualizado e nossa experiência de consultório revela que o tratamento, na imensa maioria das vezes, reverte o cenário, possibilitando a paternidade. A questão fundamental é manter atenção à sua fertilidade. Você tem mantido atenção à sua?

Dr. Mauro Bibancos, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Mauro Bibancos

Problemas tentando engravidar? Saiba como obter o melhor da sua fábrica de bebês

 

 

 

 

Texto publicado na Revista GQ Brasil em 05/09/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal da revista.

Descubra o que o estilo de vida tem a ver com a infertilidade

Você está fazendo sua parte. Sempre que requisitado bate cartão entre os lençóis com disposição, estratégia e otimismo. Sua parceira faz o mesmo e ainda assim, mês após mês, o teste de gravidez dá negativo. Se isso acontece há menos de 12 meses não há com o que se preocupar. Ainda. De acordo com especialistas um ano é o prazo para começar a investigar se um de vocês (ou os dois) é infértil. De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, dois em cada dez casais têm alguma dificuldade para engravidar naturalmente, por motivos que vão de uma simples ansiedade a problemas no aparelho reprodutor. Em boa parte dos casos o problema é reversível, em outras é preciso recorrer às técnicas de reprodução assistida.

Eu ou ela?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade é caracterizada pela ausência de concepção após 12 meses de relações sexuais sem a utilização de contraceptivos. Estima-se que em aproximadamente 20% dos casos, a causa esteja tanto no homem quanto na mulher. Os outros 80% são divididos de forma igual entre os gêneros. No caso dos homens, problemas na produção de espermatozoides e alterações na qualidade dessas células reprodutoras são as principais causas de infertilidade. O primeiro passo é realizar um espermograma, exame que vai avaliar a qualidade do sêmen em aspectos como:

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Quando o problema está em você

Infecções (como a clamídia, uma das DSTs mais comuns no mundo), uso de alguns medicamentos (antibióticos e finasterida, contra a calvície) e traumas nos testículos (uma bolada no futebol ou a pressão prolongada contra o selim da bicicleta) são os fatores mais comuns a interferir na produção de espermatozoides. Outro problema recorrente é a existência de varizes nos países baixos. Quando as veias dilatadas estão nos testículos, ganham o nome de varicocele e podem levar à infertilidade. “Elas atrapalham a circulação, aumentam a temperatura local e prejudicam a formação e o crescimento de espermatozoides saudáveis”, explica o urologista e especialista em reprodução assistida Mauro Bibancos, da clínica Huntington Medicina Reprodutiva. Aproximadamente 60% dos homens têm varicocele e cerca de 20% dos casos de infertilidade se devem a ela. A boa notícia é que a maioria pode ser revertida com uma microcirurgia.

Vírus antifertilidade

Um estudo da Universidade de Pádua, na Itália, associou a presença do vírus HPV (transmitido pelo sexo) no esperma à infertilidade. Dos mais de 220 casais com esse problema participantes da pesquisa, 24% carregavam o vírus no sêmen (localizado na cabeça do espermatozoide, dificultando sua mobilidade). Quando submetidos à repro-dução assistida, 37% conse-guiram engravidar, já o restante sofreu abortos espontâneos.

Fértil até quando?

É verdade que o homem permanece fértil a vida inteira, enquanto a mulher vai perdendo a capacidade reprodutiva à medida que envelhece (elas nascem com determinado número de óvulos, que vão morrendo e perdendo qualidade ao longo do tempo). Mas por volta dos 50 anos, o nível de testosterona (o hormônio sexual masculino) começa a diminuir, e isso impacta a fabricação de espermatozoides. A produção nunca cessa (pense em homens que se tornam pais aos 70 anos), mas a qualidade das células reprodutoras pode cair. Isso dificulta a fecundação e aumenta o risco de nascimento de bebês com alterações genéticas.

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Bebês de laboratório

Esgotadas as tentativas e ainda sem conseguir engravidar, talvez seja o caso de partir para a fertilização assistida, que oferece aproximadamente 60% de chance de sucesso.

Inseminação artificial

O espermatozoide é colocado dentro do útero da mulher – pela relação sexual, teria que percorrer da vagina à trompa, passando pelo útero, um caminho bem maior para “nadar”. Ideal para espermatozoides com pouca mobilidade.

Fertilização in vitro

No laboratório, o médico coloca o sêmen em contato com o óvulo dentro de um tubo de vidro, onde ocorre a fecundação. Em condições normais, isso acontece em uma das trompas. Em seguida, o embrião é inserido no útero da mulher.

Injeção intracito-plasmática de espermatozoides (ICSI)

Colhe-se o sêmen e selecionam-se os melhores espermatozoides para serem injetados diretamente no óvulo. É indicada para homens vasectomizados ou com poucos espermatozoides.

Dr. Mauro Bibancos, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Mauro Bibancos

Você sabe o que é espermograma?

 

O espermograma ou análise do sêmen é, até hoje, o mais importante exame para averiguar a capacidade reprodutiva dos homens, pois avalia de uma só vez a quantidade e, de certa forma, a qualidade do espermatozoide para fertilizar um óvulo.

{072bb4ed-7610-4e56-8e36-a2ce78df923d}_1Sua execução é muito simples e a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou alguns critérios no ano de 2010 para uma correta análise. A coleta do sêmen é realizada por masturbação e recomenda-se que o homem fique de 03 a 05 dias em abstinência sexual, embora diversos estudos já tenham demonstrado que a variação na concentração dos espermatozoides ou de sua motilidade e/ou forma varie pouco, se este período não for adequadamente seguido.

O sêmen passará por dois tipos de análise: uma a “olho nu” (macroscópica) e a outra feita por meio de microscópios (microscópica). Os dados encontrados podem, inclusive, ajudar a diagnosticar as possíveis causas da infertilidade masculina e trabalhar como complemento em determinar a infertilidade do casal. Os parâmetros utilizados pelo Grupo Huntington são os mesmos recomendados pela OMS.

Dicionário Reprodutivo do Espermograma

Hipospermia: volume de sêmen ejaculado abaixo de 1,5 ml.

Oligozoospermia: concentração de espermatozoides abaixo de 15 milhões/ml.

Para fins de tratamento, é subdividida em:

Oligozoospermia leve: quando a concentração varia de 5,0 milhões/ml até 14,9 milhões/ml.

Oligozoospermia moderada: concentração de espermatozoides de 1,0 milhões/ml até 4,9 milhões/ml.

Oligozoospermia grave: concentração de espermatozoides de 0,1 milhões/ml até 0,9 milhões/ml.

Astenozoospermia: motilidade progressiva espermática abaixo de 32%.

Necrozoospermia: porcentagem de espermatozoides vivos abaixo de 58%.

Leucocitospermia: alta concentração de leucócitos na amostra seminal.

Teratozoospermia: espermatozoides com formato perfeito abaixo de 4%.

Azoospermia: ausência de espermatozoides no sêmen ejaculado.

Criptozoospermia: após centrifugação de todo volume ejaculado, são encontrados raros espermatozoides.

Normozoospermia: paciente sem nenhuma alteração nos parâmetros acima.

A partir da conclusão do exame, o médico poderá prescrever exames complementares ao espermograma. Entre os mais frequentes, estão:

Fragmentação de DNA – permite a identificação de áreas fragmentadas dentro do DNA espermático. Essa fragmentação, se alterada, pode trazer ao casal abortos de repetição, má qualidade embrionária ou a não gravidez.

Espermograma sob magnificação – o espermograma pode ser realizado por microscópios específicos que aumentam em até 1.000 vezes a visualização do espermatozoide, daí o nome sob magnificação. Estes microscópios são normalmente utilizados para realizar o chamado super-ICSI. Através desta análise, identificamos outros parâmetros, sendo o principal deles a presença de vacúolos ou buracos dentro do espermatozoide que estão associados à piora da fertilização ou do sucesso reprodutivo. Nos casos de oligospermia severa, é interessante contar com este tipo de análise prévia, pois se pode recomendar a fertilização pela técnica do super-ICSI.

FISH – analisa alterações no número de cromossomos presentes nos espermatozoides, como as dissomias (quando existem alguns cromossomos a mais) ou as diploidias (duplicação de todos os cromossomos no espermatozoide).

Carga viral – utilizada para pacientes com sorologias alteradas, como HIV, Hepatite, HTLV, para que no dia da fertilização seja utilizado um sêmen testado previamente e livre de quaisquer contaminações. Este sêmen passa por um processo de centrifugação e lavagem, na qual é retirado todo o líquido seminal contaminado, restando apenas os espermatozoides. Uma vez comprovada a não infecção dos espermatozoides, elas já podem ser utilizadas para a fertilização.

Congelamento seminal – utilizado para preservar a fertilidade de pacientes pré-quimioterápicos ou de pacientes com baixa concentração de espermatozoides – neste caso, para garantir o material reprodutivo, caso as células eventualmente deixem de ser produzidas pelo organismo durante o tratamento de fertilidade.

Homens estão mais abertos aos tratamentos de fertilidade para realizarem sonho de ter filhos

 

 

 

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), metade dos casos de infertilidade são decorrentes de alterações masculinas. Apesar de antigamente eles terem se mostrado mais relutantes em recorrer aos tratamentos de reprodução humana, essa realidade, hoje, é bastante diferente. “Os homens estão mais abertos aos tratamentos de fertilidade porque, na maioria das vezes, realizar o sonho da paternidade não exige medidas muito invasivas. Além disso, os avanços da medicina reprodutiva ajudam no sucesso do tratamento”, comenta a Dra. Thaís Domingues, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington.

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A infertilidade masculina nada tem a ver com perda de virilidade e é preciso desmistificar esse preconceito. Essa ideia apenas dificulta o progresso na construção de uma família e aumenta o estresse do casal, uma vez que não conseguir ter filhos gera muito sofrimento. “É importante perceber que o problema da infertilidade é algo a ser trabalhado pelo casal. Deve haver compreensão e informação para que ansiedade e tensão não se excedam além do normal”, aconselha.

Primeiro passo: identificar o problema

O material reprodutivo do homem pode apresentar alterações que diminuem a chance de fertilização do óvulo naturalmente, geralmente por alterações adquiridas ao longo da vida, como a varicocele, que podem levar a um prejuízo nas funções reprodutivas. Para que esses fatores sejam avaliados, é preciso recorrer, primeiro, ao espermograma, um exame realizado através da coleta de sêmen por masturbação e a posterior análise por critérios macro e microscópicos. Depois de identificadas as causas da infertilidade, o médico indicará o procedimento mais correto para que o casal consiga engravidar.

“Através da análise seminal macroscópica verificamos o volume de sêmen ejaculado, a acidez desse material, em quanto tempo ele se liquefaz, se possui aderência adequada. Pela avaliação microscópica descobrimos a concentração de espermatozoides por milímetro cúbico de sêmen assim como o total dessas células em todo o material ejaculado. A forma como essas células se movem, o formato delas e quantas estão de fato vivas também são indicadores importantes para estabelecermos o próximo passo a ser tomado”, explica a médica.

A partir dos resultados obtidos com o espermograma, o médico poderá encaminhar o paciente a outros exames, como o ultrassom de testículos, para se obter o diagnóstico da causa da diminuição do potencial reprodutivo masculino . “Quando sabe de sua infertilidade, o homem recebe a notícia como muita tristeza. Por diversas razões, esse tipo de diagnóstico se reflete diretamente na autoestima e vida sexual”, observa.

Como resolver?

Existem tecnologias muito precisas. Além da inseminação intra-uterina, que já consegue melhorar o potencial de fertilização, técnicas de alta complexidade, como a ICSI, por exemplo, através da seleção do melhor espermatozóide e a sua injeção diretamente no interior do óvulo, proporcionam melhores chances de se obter a gestação. Além disso,  Quando há  um caso de contagem muito baixa dos gametas masculinos, o material pode ser congelado para que não haja o risco das células se esgotarem enquanto outros processos do tratamento de fertilidade estão em andamento.

Caso haja alguma malformação do sistema reprodutivo ou o paciente tenha realizado a vasectomia, é possível recorrer a técnicas cirúrgicas que revertam o quadro. “No entanto, quando alguns casos não apresentam chances muito baixas de reversão, pode ser realizada uma punção testicular para coletar espermatozoides e realizar a fertilização in vitro” complementa a especialista.

DRª THAIS

Dra. Thaís Domingues, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.