Dúvidas e respostas sobre a infertilidade masculina

Texto publicado no Portal Papo de Homem.

A gente costuma receber muitas dúvidas e desabafos no e-mail do PapodeHomem. E quando digo muitas, não estou exagerando. As questões mais comuns giram em torno de relacionamentos que estão indo mal, garotos e garotas que querem saber se podem ter engravidado e muita gente querendo ser da maçonaria.

Mas o que mais nos preocupa é que, até pelo nome do site, muita gente acaba caindo aqui de paraquedas e vêm nos perguntar sobre sua virilidade, impotência etc. Da cor do sêmen à dimensão do pau, já lemos de tudo que você possa imaginar.

Diante disso, resolvemos nós mesmos conversar com um especialista para elucidar pelo menos uma questão recorrente: infertilidade masculina. Para isso conversamos com o Dr. Mauro Bibancos, médico andrologista especialista em reprodução humana do Grupo Huntington.

Nossa intenção é pouco a pouco voltar a falar mais sobre a saúde do homem nesse formato de entrevista curta. Mas não precisa consultar ninguém pra saber que essa série não substitui uma consulta ao médico e que você só vai descobrir um problema se for a um consultório e fizer seus exames regularmente. Não seja burro como muitos de nós.

Agora vamos ao que interessa.

DÚVIDAS FREQUENTES SOBRE INFERTILIDADE MASCULINA

PapodeHomem: Quais fatores externos podem contribuir para tornar um homem infértil?

Dr. Mauro Bibancos: A lista de fatores é extensa: o uso de determinados medicamentos e hormônios; cirurgias testiculares, prostáticas ou de grande porte na região abdominal; fatores genéticos; obesidade; tratamento contra o câncer que inclui quimo e radioterapia; e atividades cotidianas, ligadas ao estilo de vida, como tabagismo, consumo exagerado de álcool, uso de drogas recreativas e de anabolizantes. Tudo isso atrapalha.

Contudo, a varicocele é a principal das responsáveis e representa 40% dos casos. Geralmente ela não apresenta sintomas, mas pode aparecer em forma de discreta deformidade na bolsa escrotal.

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Quais hábitos aumentam as chances de tornar um homem infértil e quais diminuem?

Os hábitos citados acima são todos nocivos: tabagismo, alcoolismo, uso de drogas, anabolizantes, etc. Já para avaliar quais fatores cooperam para a fertilidade, é preciso avaliar cada paciente de forma individual. Por isso, o que orientamos sempre é o acompanhamento periódico da saúde fértil.

Estudos comprovam que, em 40% dos casos, os homens são os responsáveis pela infertilidade de um casal, mas a presença deles nos consultórios ainda é infinitamente menor que a das mulheres. A única maneira de cuidar da sua saúde fértil é receber esse acompanhamento médico periódico para que os eventuais sinais de infertilidade possam ser identificados e contornados.

O corpo do homem emite algum tipo de sinal que nos permita perceber se estamos ficando inférteis? Quais?

Na verdade não. O sinal mais comum deles é a diminuição do volume testicular, mas mesmo sendo o mais comum, ele ocorre apenas em alguns casos, portanto, estar com o tamanho normal não é sinônimo de saúde. Novamente: a única forma efetiva de acompanhar a saúde fértil é com o acompanhamento de um especialista.

Como diagnosticamos que um homem está infértil?

O diagnóstico de infertilidade é feito em consultório. Inicialmente, é realizado o espermograma, exame simples que contabiliza importantes índices do espermatozoide a partir da coleta do sêmen. São levadas em consideração a capacidade de movimentação, a morfologia e a quantidade para que a infertilidade seja constatada. Caso seja necessário, um especialista ainda pode apurar esses dados com um exame físico e outros exames complementares.

Existe medicação ou tratamento para voltar a ser fértil?

O diagnóstico é individualizado e nossa experiência de consultório revela que o tratamento, na imensa maioria das vezes, reverte o cenário e possibilita a paternidade. Cada paciente é tratado de forma individual.

Fertilidade e virilidade estão relacionadas?

Não estão relacionadas e essa é uma pergunta importantíssima. Essa confusão ainda se mostra muito comum e atrapalha a criação do hábito de consultar especialistas.

A virilidade está relacionada à capacidade de ter uma ereção, enquanto a fertilidade é a capacidade de engravidar uma mulher. Há homens viris e férteis, mas também viris e inférteis. Portanto, não: não é porque você consegue manter relações sexuais que sua fertilidade está em dia. A ligação entre um fator e outro é apenas psicológica, emocional.

Como podemos acolher alguém que enfrenta esse problema?

Mais do que acolher, acredito que a palavra seja conscientizar. É importante que todos se perguntem qual foi a última vez que estiveram no consultório de um especialista em medicina reprodutiva. Se você não lembra o nome do seu médico ou nunca foi a um, você deve dar mais atenção à sua saúde.

A infertilidade masculina é um tema de grande importância e tem ganhado relevância à medida que tabus e conceitos pré-estabelecidos têm sido desconstruídos. O fato de você não acompanhar sua saúde fértil é agravado por diversos fatores externos que contribuem para torná-lo infértil.

Se você for diagnosticado com infertilidade, é importante manter a calma e buscar ajuda. Há casos simples em que, por exemplo, os testículos não funcionam por falta de ação hormonal e casos mais complicados. A questão fundamental é manter atenção à sua fertilidade. Agora, se você tem um amigo que se descobriu infértil, a melhor coisa que você pode fazer é não tornar isso um tabu entre vocês. Caso contrário, você estará contribuindo para que mais gente tenha menos chances de reverter o cenário.

Dr. Mauro Bibancos, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Mauro Bibancos

Problemas tentando engravidar? Saiba como obter o melhor da sua fábrica de bebês

 

 

 

 

Texto publicado na Revista GQ Brasil em 05/09/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal da revista.

Descubra o que o estilo de vida tem a ver com a infertilidade

Você está fazendo sua parte. Sempre que requisitado bate cartão entre os lençóis com disposição, estratégia e otimismo. Sua parceira faz o mesmo e ainda assim, mês após mês, o teste de gravidez dá negativo. Se isso acontece há menos de 12 meses não há com o que se preocupar. Ainda. De acordo com especialistas um ano é o prazo para começar a investigar se um de vocês (ou os dois) é infértil. De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, dois em cada dez casais têm alguma dificuldade para engravidar naturalmente, por motivos que vão de uma simples ansiedade a problemas no aparelho reprodutor. Em boa parte dos casos o problema é reversível, em outras é preciso recorrer às técnicas de reprodução assistida.

Eu ou ela?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade é caracterizada pela ausência de concepção após 12 meses de relações sexuais sem a utilização de contraceptivos. Estima-se que em aproximadamente 20% dos casos, a causa esteja tanto no homem quanto na mulher. Os outros 80% são divididos de forma igual entre os gêneros. No caso dos homens, problemas na produção de espermatozoides e alterações na qualidade dessas células reprodutoras são as principais causas de infertilidade. O primeiro passo é realizar um espermograma, exame que vai avaliar a qualidade do sêmen em aspectos como:

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Quando o problema está em você

Infecções (como a clamídia, uma das DSTs mais comuns no mundo), uso de alguns medicamentos (antibióticos e finasterida, contra a calvície) e traumas nos testículos (uma bolada no futebol ou a pressão prolongada contra o selim da bicicleta) são os fatores mais comuns a interferir na produção de espermatozoides. Outro problema recorrente é a existência de varizes nos países baixos. Quando as veias dilatadas estão nos testículos, ganham o nome de varicocele e podem levar à infertilidade. “Elas atrapalham a circulação, aumentam a temperatura local e prejudicam a formação e o crescimento de espermatozoides saudáveis”, explica o urologista e especialista em reprodução assistida Mauro Bibancos, da clínica Huntington Medicina Reprodutiva. Aproximadamente 60% dos homens têm varicocele e cerca de 20% dos casos de infertilidade se devem a ela. A boa notícia é que a maioria pode ser revertida com uma microcirurgia.

Vírus antifertilidade

Um estudo da Universidade de Pádua, na Itália, associou a presença do vírus HPV (transmitido pelo sexo) no esperma à infertilidade. Dos mais de 220 casais com esse problema participantes da pesquisa, 24% carregavam o vírus no sêmen (localizado na cabeça do espermatozoide, dificultando sua mobilidade). Quando submetidos à repro-dução assistida, 37% conse-guiram engravidar, já o restante sofreu abortos espontâneos.

Fértil até quando?

É verdade que o homem permanece fértil a vida inteira, enquanto a mulher vai perdendo a capacidade reprodutiva à medida que envelhece (elas nascem com determinado número de óvulos, que vão morrendo e perdendo qualidade ao longo do tempo). Mas por volta dos 50 anos, o nível de testosterona (o hormônio sexual masculino) começa a diminuir, e isso impacta a fabricação de espermatozoides. A produção nunca cessa (pense em homens que se tornam pais aos 70 anos), mas a qualidade das células reprodutoras pode cair. Isso dificulta a fecundação e aumenta o risco de nascimento de bebês com alterações genéticas.

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Bebês de laboratório

Esgotadas as tentativas e ainda sem conseguir engravidar, talvez seja o caso de partir para a fertilização assistida, que oferece aproximadamente 60% de chance de sucesso.

Inseminação artificial

O espermatozoide é colocado dentro do útero da mulher – pela relação sexual, teria que percorrer da vagina à trompa, passando pelo útero, um caminho bem maior para “nadar”. Ideal para espermatozoides com pouca mobilidade.

Fertilização in vitro

No laboratório, o médico coloca o sêmen em contato com o óvulo dentro de um tubo de vidro, onde ocorre a fecundação. Em condições normais, isso acontece em uma das trompas. Em seguida, o embrião é inserido no útero da mulher.

Injeção intracito-plasmática de espermatozoides (ICSI)

Colhe-se o sêmen e selecionam-se os melhores espermatozoides para serem injetados diretamente no óvulo. É indicada para homens vasectomizados ou com poucos espermatozoides.

Dr. Mauro Bibancos, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Mauro Bibancos

A idade do homem também pode afetar a fertilidade

Texto publicado no Portal MdeMulher em 03/09/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

Durante muito tempo, as dificuldades de concepção estiveram sempre relacionados às mulheres, mas o cenário atual é totalmente diferente. Apesar das taxas serem muito semelhantes entre homens e mulheres, a infertilidade masculina ainda é tabu e pouco comentada. De uma forma geral, quando um casal busca tratamento para engravidar, a preocupação na maioria das vezes é do sexo feminino.

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Hoje, sabe-se que a infertilidade afeta entre 10% e 20% dos casais em idade reprodutiva, sendo que 20% dos casos são ligados ao homem e à mulher simultaneamente; 20% a 30% ao sexo masculino; e de 30 a 40% o problema está na mulher.

Varicocele, azoospermia e questões genéticas estão entre as causas mais comuns de infertilidade masculina. Além disso, segundo um estudo apresentado no 1º Congresso Internacional Huntington de Reprodução Humana pelo Dr. Andrea Garolla, da Universidade de Padova, na Itália, a idade do homem pode, sim, interferir nos índices de fertilidade.

As complicações podem aparecer principalmente após os 50 anos. Os responsáveis são o alto nível de aneuploidias (material genético do espermatozoide alterado), a fragmentação do DNA, questões epigenéticas (fatores do ambiente que podem alterar quimicamente a função dos genes que produzem os gametas masculinos) e o encurtamento dos telômeros, que danificam diretamente a estrutura dos cromossomos, prejudicando a qualidade e a motilidade dos espermatozoides. O espermograma, principal exame da análise seminal, pode diagnosticar essas possíveis alterações, mas nem sempre refletem aquelas relacionadas à faixa etária do futuro pai.

E com os casais buscando cada vez mais uma gravidez tardia, isto, consequentemente, interfere não somente na mulher, mas agora também no homem. Para elas, o fator idade é muito conhecido e a melhor maneira para evitar empecilhos é pensar em construir uma família ainda jovem. Mas quando se quer adiar a maternidade, existem recursos na medicina reprodutiva que podem ajudar a realizar esse desejo, como o congelamento de óvulos. Já para eles, pouco se fala em congelar o sêmen para o futuro, mas se a ideia de postergar a paternidade fizer parte de um planejamento de vida, isso também deve ser considerado.

Dr. Maurício Chehin, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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Doze(12) fatores que afetam a fertilidade feminina e você nem imaginava

Texto publicado no portal Dicas de Mulher em 23/05/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

Magreza excessiva, exposição a produtos como esmaltes e exercícios físicos em excesso são alguns exemplos.

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A maioria das pessoas já tem consciência de que a fertilidade da mulher diminui à medida que ela fica mais velha. Dessa forma, quem deseja engravidar “de primeira”, se possível, deve evitar deixar para muito tarde.

Ana Paula Aquino, especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, explica que as mulheres nascem com certo número de óvulos, chegando à puberdade com 300 mil óvulos disponíveis nos seus ovários, em média. “A cada ciclo menstrual algumas centenas de óvulos são recrutados, para que somente um atinja a maturação e posterior ovulação. Infelizmente, não há como regenerar a quantidade de óvulos ao longo da vida. Portanto, a fertilidade da mulher é proporcional à sua idade. Até os 30 anos, uma mulher saudável tem uma quantidade e qualidade ovular consideravelmente boa e costuma ter menos problemas para engravidar”, diz.

A partir dos 35 anos, destaca a especialista, a reserva de óvulos da mulher já começa a diminuir consideravelmente, com a queda natural da fertilidade, e isto se torna mais visível após os 40. “A qualidade ovular também cai e isto se reflete em óvulos propensos a erros na sua divisão celular, produzindo mais embriões com alterações genéticas, que são impeditivos de gerar uma gravidez saudável, aumentando, assim, a taxa de abortamento”, explica.

Porém, o que nem todo sabe é que, até mesmo durante os anos mais férteis, algumas escolhas de estilo de vida e fatores externos podem afetar as chances de uma mulher engravidar. Abaixo você conhece fatores – alguns até inusitados – que podem afetar negativamente a fertilidade da mulher.

 1. Obesidade

Ana Paula explica que as mulheres obesas possuem um metabolismo dos hormônios esteroides sexuais alterados. “Como, por exemplo, o aumento da produção de estrogênio, produzido tanto pelo ovário quanto pelo tecido adiposo. Isso pode provocar alterações ovulatórias, como irregularidade menstrual, ausência de menstruação (amenorreia), alteração na receptividade endometrial – que dificulta a implantação do embrião – ou aumentando a chance de abortos”, diz.

As principais causas de infertilidade nas pacientes obesas, de acordo com a especialista, são: redução da frequência de ovulações, alterações nos esteroides sexuais, pior qualidade oocitária e dos embriões formados.

Como evitar?

Ana Paula explica que o ideal, a fim de se evitar esses transtornos, é manter um IMC (índice de massa corpórea) entre 20 e 25 kg/m2, considerado normal. “Podendo ser aceitável até 30 kg/m2, mesmo já considerado sobrepeso. Uma alimentação adequada e prática de atividade física regularmente podem evitar esse fator”, destaca.

2. Magreza excessiva

Tanto a obesidade quanto a magreza excessiva, com IMC abaixo de 17 kg/m2, prejudicam a fertilidade feminina. “A falta de peso interfere na produção hormonal, diminuindo a produção de estrogênio no organismo, e podendo levar a perturbações no ciclo menstrual e ovulatório, causando uma dificuldade na concepção”, explica Ana Paula.

Como evitar?

De acordo com a especialista, para evitar esse tipo de problema, a mulher deve ter uma dieta balanceada e saudável, sem exageros na busca por um corpo perfeito.

3. Distúrbios da tireoide

Marcello Valle, especialista em Reprodução Humana, e diretor da clínica Origen (RJ), explica que o hipotireoidismo (quando a quantidade de hormônios produzidos pela tireoide está abaixo do normal) é muito frequente nas mulheres. “E, quando não controlado, pode diminuir a fertilidade ao interferir no chamado eixo hormonal hipófise-ovariano”, diz.

Como evitar?

O especialista destaca que, ao procurar precocemente um médico, a doença pode ser facilmente diagnosticada através de exames de sangue e ultrassonografia da tireoide, e o tratamento, logo iniciado.

4. Cafeína em excesso

Você adora um cafezinho?! Tomá-lo com moderação não oferece problema nenhum, muito pelo contrário, pode até oferecer benefícios à saúde. Mas, em excesso, não é recomendado, devido à alta quantidade de cafeína.

Valle destaca que, apesar da relação entre cafeína e fertilidade ainda não ser clara, recomenda-se o consumo com moderação. “Acredita-se que seja razoável o equivalente ao consumo máximo de duas xícaras de café ao dia”, diz.

Como evitar?

É só não exagerar na quantidade de café e outras bebidas que contêm cafeína (chá verde, chá preto, refrigerante à base de cola etc.). Tomar duas xícaras de café ao dia, por exemplo, não oferecerá riscos.

5. Genética

Ana Paula explica que se a mulher possui uma alteração genética no seu conjunto cromossómico (cariótipo), esse pode ser um fator de infertilidade. “Alterações genéticas podem causar, principalmente, abortos de repetição, considerados um problema após a ocorrência do terceiro consecutivo”, diz.

Como evitar?

Nesses casos, orienta a especialista, o recomendado é buscar um tratamento de reprodução assistida, “além de um diagnóstico genético pré-implantacional, a fim de se investigar o embrião. Dessa forma, permite-se que somente sejam transferidos embriões geneticamente normais”, destaca.

6. Exposição a produtos químicos domésticos

Ana Paula explica que alguns componentes químicos presentes em uma série de produtos domésticos, como produtos de limpeza, tintas, alimentos com corantes, solventes, esmaltes para unhas, cosméticos e tinturas podem ser muito tóxicos se manuseados em excesso e podem afetar negativamente a fertilidade feminina.

“Alguns desses componentes são formaldeído, éter, percloroetileno e tolueno, entre outros. Os efeitos nocivos encontrados são: abortos espontâneos, malformações fetais, menstruação irregular, além de uma diminuição na fertilidade como um todo”, destaca a especialista.

Como evitar?

Na prática, não é possível apontar uma solução definitiva para evitar a exposição a tais componentes. Mas buscar uma alimentação mais saudável, optando sempre que possível por alimentos naturais, já é um caminho (que diminuirá, assim, o consumo de alimentos com corantes pelo menos).

É interessante tentar evitar, dentro do possível, o contato com esses componentes. Claro que esta tarefa, na maioria das vezes, é complicada e de difícil incorporação à rotina, mas, estar ciente desses problemas, é útil e é um fato que poderá ser conversado e debatido com um profissional da sua confiança.

7. Profissões

Pouca gente sabe, mas algumas profissões, indiretamente, também podem interferir na fertilidade, conforme explica Valle. “Principalmente aquelas com exposição excessiva a poluentes ambientais, contato com produtos químicos voláteis e aquelas submetidas a altas temperaturas”, diz.

Como evitar?

Mais uma vez não é possível apontar uma solução definitiva para evitar o problema. O melhor caminho é conversar a respeito do assunto com um especialista de sua confiança que poderá orientá-la da melhor maneira caso sua profissão possa estar interferindo indiretamente na sua fertilidade.

Ainda é necessário avanço nas pesquisas acerca dos efeitos sobre a fertilidade (feminina e masculina) devido à exposição. Em consequência, esses avanços permitirão o desenvolvimento de ações preventivas.

8. Doenças ginecológicas

Valle explica que a síndrome dos ovários micropolicísticos, a endometriose e os miomas uterinos são doenças ginecológicas muito comuns que levam diversos casais ao consultório de infertilidade conjugal.

Como evitar?

Infelizmente, destaca o especialista, não há como preveni-las. “Mas o diagnóstico precoce pode amenizar os sintomas, impedir a piora progressiva da doença e proporcionar ao casal um caminho mais objetivo até a gravidez”, diz.

Neste contexto, reforça-se a necessidade de fazer visitas regulares ao médico ginecologista, estando sempre atenta à saúde de uma forma geral (independentemente do desejo de engravidar).

9. Tabagismo

Ana Paula destaca que o tabagismo pode interferir negativamente na fertilidade da mulher, e em muitos fatores. “O tabagismo causa uma maior taxa de infertilidade, diminuição da fecundidade e aumento no tempo para concepção. Todos esses fatores provocam danos no sistema reprodutivo da mulher”, diz.

Além disso, acrescenta a especialista, os componentes tóxicos presentes no cigarro podem provocar falência ovariana precoce, “acelerando a chegada da menopausa em um a quatro anos; menor número de folículos ovarianos; dificuldade no transporte do embrião das tubas até a cavidade uterina, pois afeta a mobilidade ciliar destas, o que pode levar a um maior número de gestações ectópicas tubáreas; alterações cromossômicas e do DNA, interferindo na gametogênese; e, finalmente, maior número de perdas gestacionais”.

Vale destacar ainda que o tabagismo é uma preocupação em diversos países e pode afetar a fertilidade tanto feminina como masculina.

Como evitar?

O tabagismo é um vício grave, que pode oferecer diversos problemas à saúde (e não só em relação à fertilidade). Dessa forma, não há outro caminho a não ser evitá-lo totalmente.

10. Doenças sexualmente transmissíveis

Entre outros problemas, as doenças sexualmente transmissíveis podem afetar negativamente a fertilidade da mulher.

“Elas interferem na resposta imunológica e inflamatória, com impactos negativos no funcionamento dos órgãos pélvicos, levando à diminuição da fertilidade. Neste universo, a Chlamydia continua sendo um dos micro-organismos mais frequentes”, destaca Marcello Valle.

Como evitar?

É fundamental evitar as doenças sexualmente transmissíveis e isso pode ser feito principalmente através do sexo seguro, feito com camisinha, e, também, de consultas regulares com o médico ginecologista, realizando todos os exames pedidos por ele.

11. Estresse

Valle explica que, na última década, diversos trabalhos científicos vêm relacionando o estresse com a diminuição da fertilidade do casal, perdas gestacionais e piora nos resultados perinatais.

Como evitar?

Por mais que pareça muito difícil, é preciso se esforçar para controlar o estresse que, em excesso, pode oferecer diversos problemas à saúde. Boas dicas para isso são: se exercitar, ter uma alimentação balanceada (de preferência contando com a orientação de um nutricionista), reservar um tempo para fazer coisas que gosta, dormir bem, ter um período do dia exclusivamente para relaxar etc. Em alguns casos é muito importante ainda procurar ajuda de um profissional da área.

12. Exercício físico em excesso

A atividade física de forte intensidade pode reduzir a fertilidade por gerar um bloqueio no eixo hipofisário-ovariano, conforme explica Ana Paula. “A endorfina liberada com a prática de exercícios vigorosos inibe a hipófise, comprometendo a ovulação. Isso causa uma alteração ovulatória e, consequentemente, anovulação e ausência de menstruação”, diz.

Como evitar?

A orientação é apenas “não exagerar”. De acordo com Ana Paula, exercícios leves a moderados são úteis e ajudam a aumentar a chance de concepção do casal, pois levam a um equilíbrio metabólico e hormonal. “Quando é feito com moderação e acompanhamento, é positivo. A manutenção de um peso adequado, com IMC ideal entre 20 a 25 kg/m2, melhora a disponibilidade dos hormônios relacionados ao ciclo menstrual e ovulação”, destaca.

Uso prolongado de anticoncepcional x fertilidade

Uma dúvida comum é se o uso de anticoncepcional por um longo período pode afetar negativamente a fertilidade da mulher (mesmo que depois ela pare o uso).

Vale explicar, porém, que o uso prolongado de pílulas anticoncepcionais não afeta a fertilidade porque não interfere na diminuição do número de óvulos ao longo da vida. “Os mecanismos que levam a esta redução ocorrem de forma semelhante com ou sem o uso de pílulas”, destaca.

Amamentação X Gravidez

Outra dúvida relativamente comum é: a mulher que ainda está amamentando pode ter dificuldade para engravidar de novo?

Ana Paula explica que, na verdade, a amamentação exclusiva (leite materno como único alimento do bebê) nos primeiros seis meses de pós-parto pode ser usada como um método contraceptivo, a fim de se evitar uma gestação neste período.

“A sucção frequente por parte do bebê envia impulsos nervosos ao hipotálamo materno, que responde alterando a produção dos hormônios hipofisários, o que leva à anovulação e amenorreia. Desse modo, a mulher não ovularia, evitando uma gravidez”, destaca a especialista.

Fatores que afetam a fertilidade do homem

A fertilidade do homem pode ser afetada de diversas maneiras, assim como a fertilidade feminina. Ana Paula Aquino destaca que os principais fatores responsáveis são:

Tabagismo: altera a concentração e motilidade dos espermatozoides.

Obesidade: aumenta a temperatura escrotal; aumenta o índice de fragmentação do DNA espermático (falha no processo de fertilização); diminui a concentração espermática e piora o padrão de motilidade do sêmen; aumenta o risco de disfunção erétil devido aos baixos níveis de testosterona.

Consumo de álcool: diminui a testosterona circulante; diminui o número total de células no ejaculado; altera a motilidade e morfologia espermática.

Produtos tóxicos: alterações seminais (relativas ao sêmen), principalmente de concentração.

Exercícios físicos em excesso: diminui o nível de testosterona e a concentração de espermatozoides.

Esteroides anabolizantes: inibem a produção de gonadotrofinas, prejudicando a produção espermática.

Caxumba: pode levar a atrofia testicular e interromper a produção de espermatozoides.

Diabetes: maior fragmentação do DNA espermático.

Varicocele: causa mais comum de infertilidade masculina; causa aumento de temperatura local, prejudicando a produção de espermatozoides.

Medicamentos: como finasterida, espironolactona, bloqueador do canal de cálcio, alupurinol, ranitidina, cimetidina, cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, gentamicina, antipsicóticos, entre outros; causam alterações seminais.

Marcello Valle ressalta que dentre os fatores mais comuns da infertilidade masculina está a varicocele (dilatação das veias na bolsa escrotal). “As causas externas como exposição a poluentes, trabalhar em lugares com alta temperatura, tabagismo e uso de drogas têm grande importância”, diz.

“A orquite – inflamação dos testículos – como complicação da caxumba deve ter atenção. São menos comuns condições congênitas como malformações dos órgãos genitais internos e externos, além de síndromes genéticas”, finaliza o especialista.

O casal que deseja ter filhos deve estar bastante atento a esses fatores e não deve hesitar em procurar ajuda de um especialista, se for o caso.

Então, se sua ideia é engravidar, evite os fatores que podem afetar negativamente sua fertilidade. Isso é possível, de forma geral, cuidando da sua saúde da melhor maneira possível e seguindo bons hábitos de vida.

Dra. Ana Paula Aquino, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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