Estilo de vida e fertilidade

Vários fatores interferem na fertilidade dos casais, e um deles é o estilo de vida. Alguns hábitos do nosso dia a dia podem aumentar ou diminuir as chances de um casal engravidar. Isso vale tanto para quem concebe naturalmente como para quem precisa de tratamento.

Couple in love drinking coffee in coffee shop

A idade é um fator importante na fertilidade de mulheres e homens, porém os efeitos são mais proeminentes nas mulheres, para quem a fecundidade começa a declinar após os 35 anos. Esse efeito só começa a acontecer após os 50 anos nos homens e de forma bem mais branda.

Na prática, isso se traduz no tempo de espera para conseguir engravidar: ele é de até um ano sem métodos contraceptivos para mulheres com menos de 35 anos. Após esta idade, o ideal é esperar apenas 6 meses e, se a gravidez não acontecer, procurar um especialista.

Outro ponto é em relação à frequência de relações sexuais. O ideal é que quem tenha ciclos regulares de cerca de 28 dias tenha relações em dias alternados, do 12º ao 16º dia do ciclo. Não existem evidências de que determinadas posições na hora da relação melhorem as chances de engravidar. Colocar as pernas para cima, por exemplo, é um mito.

Em relação ao peso corporal, a fertilidade diminui tanto em mulheres excessivamente magras como nas obesas. O ideal é manter um peso regular e uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e carnes magras, e evitar excesso de doces e comidas gordurosas.

Mas o hábito de fumar deve ser abandonado, porque ele está associado a menores chances de gravidez e aumento do risco de abortamento quando comparado a casos de mulheres não-fumantes. Além disso, mulheres que fumam têm a tendência a entrar na menopausa um a quatro anos antes do esperado. Em homens, o cigarro pode comprometer a qualidade e a mobilidade dos espermatozoides.

O uso de álcool socialmente e em doses baixas parece não atrapalhar a fertilidade de mulheres e homens. Uma vez que a mulher saiba que está grávida, deve cessar completamente o consumo de bebidas alcoólicas, pois seu uso pode causar problemas no desenvolvimento do bebê, e não existe dose segura para ser utilizada nesse período.

Café em excesso pode atrapalhar as chances de engravidar e predispor a mulher a abortar. Uma dose considerada alta seria mais do que cinco xícaras de café por dia. Entretanto, o consumo de duas a três xícaras parece não afetar a fertilidade e a gravidez.

Aqui vão algumas dicas para otimizar a fertilidade:

-      Não postergar muito a gravidez; o ideal é ter pelo menos o primeiro filho antes dos 35 anos de idade;

-      Manter o peso dentro de um ideal de saúde;

-      Alimentação balanceada e a mais saudável possível;

-      Fazer suplementação de ácido fólico;

-      Não fumar;

-      Consumir cafeína com moderação.

Em caso de dúvidas, procure um especialista. Espero que essas dicas ajudem :)

Dra. Melissa Cavagnoli, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

IMG_4494

Junho – Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade

O mês mundial de conscientização da infertilidade é um alerta para estimular casais a buscarem tratamentos adequados, quando a dificuldade para engravidar é constatada e persiste por mais de 12 meses.

02.06_Mês Mundial da Conscientização da Infertilidade

Felizmente, hoje, diversas técnicas e procedimentos já estão disponíveis, podem reverter o quadro e concretizar o sonho da maternidade.

Quando a dificuldade para engravidar aparece, o casal deve procurar um especialista que estudará qual a técnica que será utilizada para resolver o problema. Cada caso é um caso, por isso, o atendimento precisa ser muito individualizado, considerando as particularidades de cada casal.

Veja abaixo quais são as principais técnicas da medicina reprodutiva que podem ser indicadas:

Inseminação Artificial

Ocorre quando o sêmen do parceiro é coletado e introduzido diretamente na cavidade uterina. Nesse procedimento a intenção é cortar o caminho percorrido pelos espermatozoides. Isso acontece quando no colo do útero existem anticorpos que matam os gametas masculinos. Como na cavidade uterina já não há a possibilidade de haver tais organismos, o sêmen é depositado ali, através da técnica, para que os espermatozoides possam se dirigir ao óvulo sem impedimentos. Outro motivo que leva à utilização da inseminação é a baixa quantidade de espermatozoides no sêmen. Ele então é tratado para que sua concentração aumente e seja finalmente implantado.

FIV – Fertilização In Vitro

Conhecida popularmente como “bebê de proveta”, na Fertilização in vitro a fecundação é feita fora do corpo materno. O primeiro passo é estimular a produção de mais de um óvulo por ciclo através de medicações específicas. Então, esses óvulos são sugados por uma agulha e então depositados em uma solução nutritiva para que se mantenham vivos. Em seguida, os espermatozoides também são colocados no mesmo recipiente para que ocorra a fecundação. Quando fertilizado, o óvulo é encaminhado a uma estufa onde se iniciará o processo de divisão celular. Ao atingir o estágio de oito ou 16 células, o embrião já está apto a ser implantado no útero materno.

ICSI

Se a causa da fertilidade for proveniente do paciente masculino, é provável que a produção de espermatozoides seja muito baixa, rara ou praticamente inexistente. Nesses casos, soma-se à FIV uma técnica chamada injeção intracitoplasmática de espermatozoide, a chamada ICSI, em que único espermatozoide especialmente selecionado é injetado em cada óvulo disponível.

Diagnóstico Pré-Implantacional (DPI)

Uma das tecnologias mais avançadas no momento, o Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (DPI), analisa a genética de 24 cromossomos em uma única célula embrionária. O diagnóstico prévio de alterações cromossômicas permite transferir ao útero materno apenas os embriões cromossomicamente normais, evitando padecimentos desnecessários. Esta é uma técnica indicada em casos de idade materna avançada, repetidas falhas de implantação, abortos de repetição e fator masculino grave.

Criopreservação

A criopreservação é uma técnica de congelamento de óvulos, espermatozoides e embriões. Feito em nitrogênio líquido à baixíssima temperatura (-196ºC), o processo acontece de forma rápida: leva cerca de 3 segundos para se congelar a célula.

Ovodoação

A ovodoação é destinada a casais em que o fator ovulatório é a principal causa de infertilidade, seja pela incapacidade do ovário em produzi-los, seja pela acentuada queda na qualidade dos óvulos. O maior objetivo do programa é ajudar a paciente a engravidar através do óvulo de uma terceira pessoa. O processo é sigiloso para ambas as partes: doadora e receptores não conhecerão a identidade um do outro.

Dra. Michele Panzan, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Dra. Michele Quaranta Panzan

Casais estressados têm mais dificuldade para engravidar

As alterações hormonais causadas pelo estresse podem influenciar a fertilidade de homens e mulheres. O período de tentativas, quando o casal se programa para ter um filho, costuma vir acompanhado de um quadro de tensão, ansiedade e expectativa, que pode agravar a situação.

imagem

Aproximadamente dois em cada cinco casais (39%) mencionam aumento do estresse e da tensão em seus relacionamentos no período em que tentam ter filhos, 42% dos homens e 26% das mulheres. Quando estão em um tratamento de reprodução assistida, 25% abandonam os procedimentos precocemente, devido ao impacto psicológico que pode decorrer deles.

“O estresse pode alterar as taxas hormonais, que afetam as funções ovarianas, modificam os ciclos menstruais e, em quadros mais avançados, cessam a menstruação. No homem, ele pode reduzir a quantidade de esperma e volume do sêmen, além de causar excesso de ansiedade, que resulta na falta de libido e de ereção”, explica a Dra. Karla Zacharias, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington. Isso ocorre por reações no cérebro e no sistema nervoso, que agem para proteger o corpo de influências externas e podem acabar prejudicando o organismo.

Na contramão, uma visão conturbada da infertilidade – ainda vista como tabu ou motivo de vergonha – também pode contribuir para o estresse, o que impede que um tratamento psicológico seja realizado com naturalidade. A falta de apoio de familiares e pessoas próximas é bastante comum. “A população não se dá conta de que a infertilidade é uma questão de saúde como tantas outras. Não há culpados e nem motivo de vergonha para quem passa por esta situação”.

Efeito psicológico pode ser grave

Quando a pessoa descobre que é infértil acaba se questionando: O que há de errado comigo? É culpa minha? Por que isso está acontecendo? “Muitas vezes, o acompanhamento psicológico é importante para auxiliar o casal a lidar com esses anseios. Quando o quadro não é tratado, pode levar a outras doenças como a depressão ou o transtorno de ansiedade”, observa a especialista.

A médica destaca que as mulheres geralmente atravessam uma fase muito delicada após um ou dois anos de tentativas sem sucesso de engravidar. “Além de ficarem ansiosas, em um tratamento de reprodução assistida, por exemplo, o corpo pode ser submetido a uma carga alta de hormônios, que podem agravar o quadro emocional”.

Em casos mais graves, uma intervenção psiquiátrica com medicações pode ser necessária. Os pacientes de clínicas de reprodução assistida – que é o caminho encontrado por muitos casais que não conseguem engravidar naturalmente – costumam ser encaminhados a psicólogos especializados em lidar com quadros delicados. “Muitos preferem discutir seus conflitos pessoais em uma consulta e não em sua intimidade”, destaca a Dra. Karla.

Hábitos podem ajudar a diminuir estresse

Há algumas atividades que podem ser benéficas para reverter o quadro de estresse. Terapias como ioga, meditação, massagens e atividades intelectuais e de lazer costumam auxiliar casais estressados a manter o equilíbrio. A acupuntura é outra técnica que se torna cada vez mais popular no país e tem se confirmado como uma boa opção.

“É importante procurar ajuda com um objetivo comum. A divergência entre o casal é grande parte das causas de estresse e angústia ao longo desse período. Por isso, o principal fator ainda é o apoio mútuo. O processo de engravidar não é fácil e ter paciência e empatia ainda é a melhor saída para os feitos psicológicos”, esclarece a médica.

Dra. Karla Zachariasmédica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Karla Zacharias

Entenda como preservar sua fertilidade

Especialista em reprodução assistida dá dicas e recomendações para a mulher moderna que quer adiar a maternidade

Adiar a gravidez é uma realidade e uma tendência comportamental e cultural percebida na vida de muitas mulheres, principalmente nas mais jovens. Pode acontecer por uma série de motivos: o foco na carreira, a espera do parceiro ideal ou, até mesmo, a busca pelo corpo perfeito. Em lembrança ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8/3, a Dra. Karla Zacharias, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, selecionou informações importantes para orientar aquelas que possuem outros objetivos e querem adiar a maternidade, mas desejam – não menos que todas as outras – ter filhos, um dia.

Os dados comprovam a tendência: em 1991, a média de filhos por família era de 2,9. Essa taxa vem caindo anualmente e chegou a 1,7, em 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do adiamento da decisão, a taxa de fecundidade também caiu no Brasil. “A mulher do século XXI tem outras prioridades, em um comportamento que difere do visto no século passado e que pode trazer problemas para a fertilidade em longo prazo”, observa a médica.

Isso ocorre porque o relógio biológico não acompanha as mudanças comportamentais e pode ser implacável. “Os melhores óvulos são os primeiros a serem perdidos: aos 25 anos, mais de 70% deles já foram descartados pelo corpo. Uma mulher de 35 anos tem 80% mais chances de engravidar do que uma de 40 anos. A partir daí, as chances podem ser muito pequenas”, analisa a especialista.

Como preservar a fertilidade por mais tempo?

É possível se preparar fisicamente e psicologicamente para conseguir engravidar com mais idade. Algumas ações simples podem ser importantes para a conservação dos óvulos das mulheres. A médica dá algumas dicas à mulher moderna, sobre como manter a fertilidade por mais tempo:

 - Visitar um ginecologista periodicamente pode revelar desequilíbrios hormonais ou outras situações perigosas, que possam afetar a fertilidade;

 - Uma dieta balanceada, com adição de alguns alimentos benéficos, pode ajudar a fertilidade. Consumir Ômega 3, presente em nozes, ervilhas  e peixes de água fria como salmão e sardinha, por exemplo, ajuda o sistema de reprodução;

 - A prática de exercícios físicos para manter a forma é aconselhada. Uma mulher acima do peso está sujeita a mais disfunções hormonais e ovulatórias. Quando conseguem engravidar, a obesidade é prejudicial à gravidez;

 - A pílula anticoncepcional tem baixo conteúdo hormonal e pode até contribuir com a fertilidade, ao prevenir a endometriose, por exemplo. Após um tempo de interrupção de uso, a chance de engravidar volta ao normal;

 - Atenção ao uso de drogas e medicamentos. Fumar, consumir bebidas alcoólicas em excesso, antidepressivos, anabolizantes e outras drogas afeta a qualidade dos óvulos;

 - O estresse pode alterar as taxas hormonais, que afetam as funções ovarianas, modificam os ciclos menstruais e, em quadros mais avançados, cessam a menstruação;

Além das questões fisiológicas, a questão psicológica também é importante para a fertilidade. Quando se decide engravidar, o cenário costuma vir acompanhado de um quadro de tensão, ansiedade e expectativa. Aproximadamente dois em cada cinco casais (39%) mencionam aumento do estresse e da tensão em seus relacionamentos no período em que tentam ter filhos.

Um acompanhamento psicológico pode evitar o desenvolvimento de doenças, como a depressão ou o transtorno de ansiedade. Atividades como ioga, meditação, massagens e acupuntura podem ajudar a reverter o quadro de estresse. “O mais importante é a mulher saber as limitações de seu corpo para se programar para ter filhos. No caso de uma reserva ovariana diminuída, comum em mulheres com mais de 30 anos, as opções de reprodução assistida, como inseminação artificial e Fertilização In Vitro, podem ser uma solução”.

O congelamento de óvulos

A médica lembra que há outra possibilidade segura para preservar a fertilidade: o congelamento de óvulos, que mostra um alto índice de resultados positivos, de cerca de 30%. “O congelamento é mais indicado a casos de doenças que impeçam a paciente de engravidar imediatamente e para quem pretende ter filhos em idade bem avançada. O parceiro também pode congelar o sêmen, que pode permanecer neste estado por muitos anos antes de ser utilizado”, finaliza.

Dra. Karla Zacharias, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Karla Zacharias