Mês Mundial de Conscientização da Endometriose

Em março, muitos países se mobilizam e realizam ações para conscientizar a população feminina sobre o assunto.

Conhecida como a “doença da mulher moderna”, cerca de 40% das pacientes que chegam até as clínicas de reprodução assistida sofrem desse problema cada vez mais comum.

A fertilidade feminina pode ser afetada pela endometriose de diversas formas, dentre elas, por obstrução das trompas ocorrida diretamente por lesões, formação de cistos nos ovários que alteram a capacidade ovulatória e liberação de substâncias inflamatórias na pelve que podem alterar a qualidade do óvulo, do embrião e o desenvolvimento da gestação aumentando a taxa de abortamento.

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Anticoncepcionais podem causar infertilidade?

Os medicamentos contraceptivos, os chamados anticoncepcionais ou pílulas, não causam infertilidade. Acontece, entretanto, que o remédio pode mascarar algumas doenças que possam causá-la e algumas mulheres só descobrem os sintomas quando suspendem o uso para tentar engravidar.

Quando uma mulher toma um medicamento anticoncepcional, ele impede que seus folículos ovarianos (local onde se armazenam as células reprodutivas femininas) se desenvolvam e liberem o óvulo. Em outras palavras, inibe momentaneamente a ovulação e, portanto a fertilidade. Esse efeito não é permanente e, pouco tempo após parar de usá-los, muitas vezes inclusive no mês seguinte, a mulher volta a ovular normalmente e estará totalmente apta a ter filhos.

Por outro lado, os anticoncepcionais podem disfarçar os efeitos mais evidentes de doenças que afetam a fertilidade, como a menopausa precoce, por exemplo. Essa patologia suspende a menstruação e as ovulações de mulheres antes do tempo, com menos de 40 anos, reduzindo as chances de gravidez . Estima-se que de 1% a 3% das mulheres tenham esse distúrbio.

Quando está em tratamento com um medicamento anticoncepcional, os efeitos da menopausa precoce se tornam praticamente imperceptíveis. Os sintomas somente serão vistos quando a mulher tentar ter um filho. Algumas mulheres ao parar o anticoncepcional percebem ciclos irregulares, que em alguns casos, podem ser reflexo de uma reserva  ovariana já muito diminuída. Esse fator limita as chances de ter um óvulo de boa qualidade e, consequentemente, de engravidar.

Outras doenças que causam a infertilidade feminina, como a endometriose e a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), também podem ser mascaradas pelo medicamento contraceptivo.  Atingem  mulheres em idade reprodutiva, a primeira é caracterizada por apresentar células endometriais em locais fora do endométrio – camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação, provocando inflamação pélvica , dor e por vezes aderências na pelve, já a SOP é um distúrbio hormonal que provoca ausência de ovulação e sintomas de aumento de hormônios masculinos, como aumento de pilificação, pele  oleosa, queda de cabelo e acne.

Vale destacar que o uso das pílulas anticoncepcionais, mesmo que por muitos anos, não tem uma relação direta com a incapacidade de engravidar. São estas doenças e o tempo de vida da mulher que vão agir nas funções reprodutivas, independente do uso ou não do medicamento.

A recomendação para mulheres que desejam ter filhos e têm histórico familiar das doenças citadas ou idade avançada é procurar um médico para checar seu potencial reprodutivo. Um especialista pode dizer qual é o limite de idade para engravidar sem muitas dificuldades. Em casos onde já há uma redução considerável de fertilidade, a reprodução assistida pode ser uma opção para engravidar.

Dr. Maurício Chehin, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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Homens estão mais abertos aos tratamentos de fertilidade para realizarem sonho de ter filhos

 

 

 

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), metade dos casos de infertilidade são decorrentes de alterações masculinas. Apesar de antigamente eles terem se mostrado mais relutantes em recorrer aos tratamentos de reprodução humana, essa realidade, hoje, é bastante diferente. “Os homens estão mais abertos aos tratamentos de fertilidade porque, na maioria das vezes, realizar o sonho da paternidade não exige medidas muito invasivas. Além disso, os avanços da medicina reprodutiva ajudam no sucesso do tratamento”, comenta a Dra. Thaís Domingues, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington.

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A infertilidade masculina nada tem a ver com perda de virilidade e é preciso desmistificar esse preconceito. Essa ideia apenas dificulta o progresso na construção de uma família e aumenta o estresse do casal, uma vez que não conseguir ter filhos gera muito sofrimento. “É importante perceber que o problema da infertilidade é algo a ser trabalhado pelo casal. Deve haver compreensão e informação para que ansiedade e tensão não se excedam além do normal”, aconselha.

Primeiro passo: identificar o problema

O material reprodutivo do homem pode apresentar alterações que diminuem a chance de fertilização do óvulo naturalmente, geralmente por alterações adquiridas ao longo da vida, como a varicocele, que podem levar a um prejuízo nas funções reprodutivas. Para que esses fatores sejam avaliados, é preciso recorrer, primeiro, ao espermograma, um exame realizado através da coleta de sêmen por masturbação e a posterior análise por critérios macro e microscópicos. Depois de identificadas as causas da infertilidade, o médico indicará o procedimento mais correto para que o casal consiga engravidar.

“Através da análise seminal macroscópica verificamos o volume de sêmen ejaculado, a acidez desse material, em quanto tempo ele se liquefaz, se possui aderência adequada. Pela avaliação microscópica descobrimos a concentração de espermatozoides por milímetro cúbico de sêmen assim como o total dessas células em todo o material ejaculado. A forma como essas células se movem, o formato delas e quantas estão de fato vivas também são indicadores importantes para estabelecermos o próximo passo a ser tomado”, explica a médica.

A partir dos resultados obtidos com o espermograma, o médico poderá encaminhar o paciente a outros exames, como o ultrassom de testículos, para se obter o diagnóstico da causa da diminuição do potencial reprodutivo masculino . “Quando sabe de sua infertilidade, o homem recebe a notícia como muita tristeza. Por diversas razões, esse tipo de diagnóstico se reflete diretamente na autoestima e vida sexual”, observa.

Como resolver?

Existem tecnologias muito precisas. Além da inseminação intra-uterina, que já consegue melhorar o potencial de fertilização, técnicas de alta complexidade, como a ICSI, por exemplo, através da seleção do melhor espermatozóide e a sua injeção diretamente no interior do óvulo, proporcionam melhores chances de se obter a gestação. Além disso,  Quando há  um caso de contagem muito baixa dos gametas masculinos, o material pode ser congelado para que não haja o risco das células se esgotarem enquanto outros processos do tratamento de fertilidade estão em andamento.

Caso haja alguma malformação do sistema reprodutivo ou o paciente tenha realizado a vasectomia, é possível recorrer a técnicas cirúrgicas que revertam o quadro. “No entanto, quando alguns casos não apresentam chances muito baixas de reversão, pode ser realizada uma punção testicular para coletar espermatozoides e realizar a fertilização in vitro” complementa a especialista.

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Dra. Thaís Domingues, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

As consequências da obesidade para a fertilidade

O sonho de constituir uma família, alimentado por tantos casais, pode esbarrar em fatores genéticos, biológicos e até comportamentais. Estresse, ansiedade, automedicação, anabolizantes, hábitos alimentares inadequados, tabagismo e consumo de álcool podem levar a um quadro de infertilidade. Entre estes fatores, a obesidade, além de causar déficit de vitaminas no organismo, é uma das principais causas.

balanca1A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o excesso de peso como um dos principais problemas de saúde dos países desenvolvidos. No Brasil, segundo levantamento do Ministério da Saúde, o mal afeta 51% da população. É difícil mensurar, no entanto, o número de pacientes obesos que sofrem com a infertilidade. Dados da OMS mostram que cerca de 60 milhões de brasileiros não conseguem ter filhos, pelos mais variados motivos — o que equivale a um em cada dez casais no país.

Você deve estar se perguntando: como a capacidade reprodutiva é influenciada pela obesidade? Manter hábitos saudáveis — de vida e, principalmente, na alimentação — aumenta a longevidade e a qualidade dos espermatozoides e óvulos, que facilitam a evolução do tratamento para a fertilização.

Nas mulheres, a produção hormonal das células gordurosas pode ocasionar irregularidade do ciclo menstrual e uma ovulação não efetiva. Além disso, a própria obesidade também contribui para a diminuição da qualidade dos óvulos.

Uma pesquisa divulgada na revista Obstetrics and Gynecology Clinics of North Americamostrou que o tecido adiposo trabalha na produção de adipocinas, substâncias que influenciam na comunicação entre as células do corpo. Se esta ‘comunicação’ não é feita adequadamente, pode afetar as regiões do cérebro responsáveis pelo controle do ciclo ovulatório. O tecido adiposo em excesso pode prejudicar a funcionalidade do organismo, pois a gordura é armazenada em diferentes células e tecidos, inclusive nos óvulos, afetando a sua qualidade. No homem, o excesso de gordura causa o aumento da temperatura nos testículos, que leva a uma diminuição da produção e qualidade dos espermatozoides.

atividade-fisicaPorém, é importante ressaltar que manter um estilo de vida saudável refletirá positivamente em todas as áreas da vida e, claro, ajudará a encontrar o equilíbrio para a tão esperada maternidade. O bem-estar do casal também influencia em uma gestação tranquila e feliz. Uma dica para começar é procurar a ajuda de um profissional que poderá acompanhar a rotina de ambos. Outra dica é caprichar na dieta rica em legumes, frutas e verduras, cálcio e magnésio, que ajudam a regular os hormônios e manter o corpo e a mente em equilíbrio.

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Dr. Mauricio Chehin, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.