Quando devo procurar um especialista em reprodução humana?

Esta é uma dúvida muito comum entre as mulheres que já se consultam regularmente com o ginecologista. A resposta é: depende da idade.

Mulheres abaixo de 35 anos podem tentar engravidar por até 1 ano antes de procurar ajuda especializada. Recomendamos este período, pois não é todo mês que o corpo tem condições favoráveis para gerar a gravidez e há  tempo para esperar sem diminuir as chances de gravidez. No entanto, a partir dos 35 anos, a capacidade reprodutiva da mulher vai diminuindo progressivamente, por isso indicamos iniciar a investigação a partir de 6 meses de tentativas em casa.

Outra questão muito importante que devemos lembrar é que a partir dos 35 anos também devemos pensar em estratégias para preservar a fertilidade. Indicamos às mulheres que não tem pretensão de engravidar nos próximos 1 ou 2 anos procurar um especialista para congelar os óvulos, e assim ter liberdade de escolher o momento ideal para engravidar. Além disso, nos casos de pacientes com câncer, a estratégia de congelar os óvulos antes do tratamento de quimioterapia é de extrema importância.

Lívia Oliveira Munhoz

Dra. Lívia Munhoz Soares, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

A Infertilidade e os aspectos emocionais para o casal

Texto publicado no Blog da Fertilidade á Maternidade.

Muitos casais se surpreendem com a dificuldade de engravidar naturalmente, pois a expectativa é que teriam um filho quando desejassem. A constatação da ausência de controle e a frustração deste desejo suscita uma gama variada de sentimentos, como tristeza, culpa, vergonha, revolta, entre outros. Afeta tanto as mulheres quanto os homens e traz repercussões na vida conjugal. Alguns casais vivenciam esta situação com uma maior união, mas outros apresentam divergências e conflitos por vezes difíceis de lidar.

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Ainda hoje, algumas mulheres consideram a maternidade parte da natureza feminina e se sentem estigmatizadas quando não conseguem realizá-la. Muitas mulheres se sentem incompletas, impotentes e inferiorizadas por não conseguirem engravidar naturalmente como “todas as mulheres”. O período em que se submetem à investigação do diagnóstico e tratamentos também é marcado por uma gama variada de sentimentos. Os tratamentos para engravidar representam uma chance e esperança de ter o filho desejado, mas é um processo desgastante física e emocionalmente. Ao final do tratamento, quando não ocorre a gravidez desejada, evidencia-se a tristeza pela perda do filho desejado. Esta reação está dentro do que é esperado, pois em cada procedimento, o investimento emocional é enorme.

Quando se sucedem insucessos dos tratamentos, pode-se desenvolver um estado depressivo pelas perdas vividas, pela constatação da ausência de controle, assim como a incerteza se conseguirão ter o filho desejado. Esta condição pode se estender por um período de tempo maior e com intensidade que traga repercussões à vida profissional, conjugal e social.

Algumas mulheres desistem de dar continuidade aos tratamentos porque se veem sem condições emocionais para lidarem com mais expectativas e eventuais frustrações. É de extrema importância diferenciar uma reação de tristeza esperada pelo insucesso de um tratamento de um quadro depressivo. Nem toda tristeza é depressão. O psicólogo é um profissional que pode ajudar os casais a lidarem com todas as questões emocionais relacionadas à infertilidade e tratamentos, assim como identificar a existência de um quadro depressivo ou de ansiedade que necessite de intervenção medicamentosa.

Esta pesquisa refere-se à incidência de depressão pós-parto em tratamentos de FIV (Fertilização In Vitro), concluindo que tais índices não diferem daqueles de mulheres que engravidaram naturalmente. Em minha prática clínica, o receio de desenvolver um quadro de depressão pós parto não é comum nas mulheres que fazem FIV. Apesar do sofrimento estar muito presente, está associado à infertilidade, aos insucessos dos tratamentos e repetidas frustrações do desejo de terem o filho desejado. Acreditam que com a gravidez e o nascimento do filho, tal sofrimento irá desaparecer. Como a FIV está muito difundida em nosso meio, os tabus a este tipo de tratamento tem sido pouco frequentes, de acordo com minha prática clínica. Algumas mulheres sofrem por necessitarem de ajuda médica para engravidar, especialmente por se perceberem abaladas em sua “potência”, menos pelo tabu associados aos tratamentos.

O receio de desenvolver um quadro de depressão pós parto está presente em mulheres que farão FIV utilizando óvulos doados, que não é a população referida neste estudo. Comumente este receio relaciona-se à dificuldade de aceitação da infertilidade e da utilização de óvulos de uma doadora. Nestes casos, o preparo psicológico é de extrema importância para prevenir problemas futuros.

Dra. Helena Loureiro Montagnini,  psicóloga do Grupo Huntington.

Seleção de único embrião evita riscos da gravidez gemelar

Avanços da medicina reprodutiva permitem a transferência ao útero de um só embrião para evitar a gestação múltipla.

Atuais técnicas de reprodução assistida permitem a transferência de um único embrião ao útero, de modo a evitar gestações gemelares inesperadas que ofereçam complicações à mãe e ao bebê. O procedimento chamado Single Embryo Transfer aposta na avaliação detalhada do embrião para que seja o melhor a ser transferido, acompanhando-o até a fase chamada de blastocisto ou até submetendo-o à análise genética pré-implantacional. Essas avaliações almejam melhorar as taxas de sucesso na implantação de um único embrião.  De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, o nascimento de gêmeos duplicou desde a década de 80 e a estimativa é que dois terços deles estejam relacionados aos tratamentos de reprodução humana.

“Com avançados aparelhos laboratoriais é possível cultivar embriões até o 5º dia de desenvolvimento, estágio chamado de blastocisto. Nesta fase, o especialista pretende avaliar a forma da estrutura celular sem técnicas invasivas. Se for notada uma boa morfologia do embrião e o perfil médico da paciente for adequado, sugere-se a implantação apenas um deles”, explica Dra. Karla Zacharias.

Biópsia embrionária é alternativa

A biópsia embrionária também pode aumentar as chances de sucesso na transferência de um único blastocisto. Com a alternativa, retira-se um fragmento da estrutura do embrião que dará origem à placenta. Esse material é submetido ao CGH, técnica de análise cromossômica que avalia a quantidade de cromossomos do embrião e a viabilidade dele ser implantado e resultar em uma gravidez. “Essa técnica revela alterações cromossômicas que inviabilizariam o processo de implantação embrionária ou até evidenciam embriões que podem apresentar doenças que levam a um processo de abortamento. Os resultados influenciam consideravelmente nas chances de sucesso da implantação e do desenvolvimento de uma gestação normal”, observa.

Apesar de invasiva, a biópsia embrionária, quando realizada por embriologistas experientes, se mostra um bom método para alcançar melhores chances de gestação única, principalmente em casos de pacientes acima dos 40 anos, em que a incidência de malformação e aborto aumentam para o bebê.

Dra. Karla também verifica algo comum entre as pacientes: a gestação gemelar, ainda que envolvendo riscos dentre os quais a prematuridade, é o desejo de muitas mulheres, no intuito de não ter de recorrer novamente ao tratamento para ter mais de um filho. “A transferência de mais de um embrião é uma técnica que permite maior probabilidade de gravidez por tentativa de transferência, dentro de um quadro de infertilidade que pode ser avaliado em graus de severidade. Isso não significa que resultará necessariamente numa gestação gemelar”, esclarece a médica.

Mesmo que algumas pacientes queiram a esse tipo de gravidez, é importante alertar que ela oferece riscos como maior incidência de parto prematuro, doença hipertensiva da gravidez, insuficiência placentária e outras situações que podem levar à necessidade de  mãe e filho precisarem se recuperar em UTI. Obviamente, o bom acompanhamento pré e pós-natal visam a minimizar ou prevenir maiores complicações como essas. Ainda assim, a boa análise do crescimento e desenvolvimento do embrião, somada a fatores como idade da paciente e necessidade da biópsia embrionária, podem ser de grande ajuda para a transferência de apenas um desses embriões chamados de “top quality”, mesmo que seja permitida a transferência de mais de um embrião.

Karla Zacharias

Dra. Karla Zacharias, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.