Problemas tentando engravidar? Saiba como obter o melhor da sua fábrica de bebês

 

 

 

 

Texto publicado na Revista GQ Brasil em 05/09/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal da revista.

Descubra o que o estilo de vida tem a ver com a infertilidade

Você está fazendo sua parte. Sempre que requisitado bate cartão entre os lençóis com disposição, estratégia e otimismo. Sua parceira faz o mesmo e ainda assim, mês após mês, o teste de gravidez dá negativo. Se isso acontece há menos de 12 meses não há com o que se preocupar. Ainda. De acordo com especialistas um ano é o prazo para começar a investigar se um de vocês (ou os dois) é infértil. De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, dois em cada dez casais têm alguma dificuldade para engravidar naturalmente, por motivos que vão de uma simples ansiedade a problemas no aparelho reprodutor. Em boa parte dos casos o problema é reversível, em outras é preciso recorrer às técnicas de reprodução assistida.

Eu ou ela?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade é caracterizada pela ausência de concepção após 12 meses de relações sexuais sem a utilização de contraceptivos. Estima-se que em aproximadamente 20% dos casos, a causa esteja tanto no homem quanto na mulher. Os outros 80% são divididos de forma igual entre os gêneros. No caso dos homens, problemas na produção de espermatozoides e alterações na qualidade dessas células reprodutoras são as principais causas de infertilidade. O primeiro passo é realizar um espermograma, exame que vai avaliar a qualidade do sêmen em aspectos como:

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Quando o problema está em você

Infecções (como a clamídia, uma das DSTs mais comuns no mundo), uso de alguns medicamentos (antibióticos e finasterida, contra a calvície) e traumas nos testículos (uma bolada no futebol ou a pressão prolongada contra o selim da bicicleta) são os fatores mais comuns a interferir na produção de espermatozoides. Outro problema recorrente é a existência de varizes nos países baixos. Quando as veias dilatadas estão nos testículos, ganham o nome de varicocele e podem levar à infertilidade. “Elas atrapalham a circulação, aumentam a temperatura local e prejudicam a formação e o crescimento de espermatozoides saudáveis”, explica o urologista e especialista em reprodução assistida Mauro Bibancos, da clínica Huntington Medicina Reprodutiva. Aproximadamente 60% dos homens têm varicocele e cerca de 20% dos casos de infertilidade se devem a ela. A boa notícia é que a maioria pode ser revertida com uma microcirurgia.

Vírus antifertilidade

Um estudo da Universidade de Pádua, na Itália, associou a presença do vírus HPV (transmitido pelo sexo) no esperma à infertilidade. Dos mais de 220 casais com esse problema participantes da pesquisa, 24% carregavam o vírus no sêmen (localizado na cabeça do espermatozoide, dificultando sua mobilidade). Quando submetidos à repro-dução assistida, 37% conse-guiram engravidar, já o restante sofreu abortos espontâneos.

Fértil até quando?

É verdade que o homem permanece fértil a vida inteira, enquanto a mulher vai perdendo a capacidade reprodutiva à medida que envelhece (elas nascem com determinado número de óvulos, que vão morrendo e perdendo qualidade ao longo do tempo). Mas por volta dos 50 anos, o nível de testosterona (o hormônio sexual masculino) começa a diminuir, e isso impacta a fabricação de espermatozoides. A produção nunca cessa (pense em homens que se tornam pais aos 70 anos), mas a qualidade das células reprodutoras pode cair. Isso dificulta a fecundação e aumenta o risco de nascimento de bebês com alterações genéticas.

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Bebês de laboratório

Esgotadas as tentativas e ainda sem conseguir engravidar, talvez seja o caso de partir para a fertilização assistida, que oferece aproximadamente 60% de chance de sucesso.

Inseminação artificial

O espermatozoide é colocado dentro do útero da mulher – pela relação sexual, teria que percorrer da vagina à trompa, passando pelo útero, um caminho bem maior para “nadar”. Ideal para espermatozoides com pouca mobilidade.

Fertilização in vitro

No laboratório, o médico coloca o sêmen em contato com o óvulo dentro de um tubo de vidro, onde ocorre a fecundação. Em condições normais, isso acontece em uma das trompas. Em seguida, o embrião é inserido no útero da mulher.

Injeção intracito-plasmática de espermatozoides (ICSI)

Colhe-se o sêmen e selecionam-se os melhores espermatozoides para serem injetados diretamente no óvulo. É indicada para homens vasectomizados ou com poucos espermatozoides.

Dr. Mauro Bibancos, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Mauro Bibancos

A idade do homem também pode afetar a fertilidade

Texto publicado no Portal MdeMulher em 03/09/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

Durante muito tempo, as dificuldades de concepção estiveram sempre relacionados às mulheres, mas o cenário atual é totalmente diferente. Apesar das taxas serem muito semelhantes entre homens e mulheres, a infertilidade masculina ainda é tabu e pouco comentada. De uma forma geral, quando um casal busca tratamento para engravidar, a preocupação na maioria das vezes é do sexo feminino.

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Hoje, sabe-se que a infertilidade afeta entre 10% e 20% dos casais em idade reprodutiva, sendo que 20% dos casos são ligados ao homem e à mulher simultaneamente; 20% a 30% ao sexo masculino; e de 30 a 40% o problema está na mulher.

Varicocele, azoospermia e questões genéticas estão entre as causas mais comuns de infertilidade masculina. Além disso, segundo um estudo apresentado no 1º Congresso Internacional Huntington de Reprodução Humana pelo Dr. Andrea Garolla, da Universidade de Padova, na Itália, a idade do homem pode, sim, interferir nos índices de fertilidade.

As complicações podem aparecer principalmente após os 50 anos. Os responsáveis são o alto nível de aneuploidias (material genético do espermatozoide alterado), a fragmentação do DNA, questões epigenéticas (fatores do ambiente que podem alterar quimicamente a função dos genes que produzem os gametas masculinos) e o encurtamento dos telômeros, que danificam diretamente a estrutura dos cromossomos, prejudicando a qualidade e a motilidade dos espermatozoides. O espermograma, principal exame da análise seminal, pode diagnosticar essas possíveis alterações, mas nem sempre refletem aquelas relacionadas à faixa etária do futuro pai.

E com os casais buscando cada vez mais uma gravidez tardia, isto, consequentemente, interfere não somente na mulher, mas agora também no homem. Para elas, o fator idade é muito conhecido e a melhor maneira para evitar empecilhos é pensar em construir uma família ainda jovem. Mas quando se quer adiar a maternidade, existem recursos na medicina reprodutiva que podem ajudar a realizar esse desejo, como o congelamento de óvulos. Já para eles, pouco se fala em congelar o sêmen para o futuro, mas se a ideia de postergar a paternidade fizer parte de um planejamento de vida, isso também deve ser considerado.

Dr. Maurício Chehin, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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Homens estão mais abertos aos tratamentos de fertilidade para realizarem sonho de ter filhos

 

 

 

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), metade dos casos de infertilidade são decorrentes de alterações masculinas. Apesar de antigamente eles terem se mostrado mais relutantes em recorrer aos tratamentos de reprodução humana, essa realidade, hoje, é bastante diferente. “Os homens estão mais abertos aos tratamentos de fertilidade porque, na maioria das vezes, realizar o sonho da paternidade não exige medidas muito invasivas. Além disso, os avanços da medicina reprodutiva ajudam no sucesso do tratamento”, comenta a Dra. Thaís Domingues, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington.

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A infertilidade masculina nada tem a ver com perda de virilidade e é preciso desmistificar esse preconceito. Essa ideia apenas dificulta o progresso na construção de uma família e aumenta o estresse do casal, uma vez que não conseguir ter filhos gera muito sofrimento. “É importante perceber que o problema da infertilidade é algo a ser trabalhado pelo casal. Deve haver compreensão e informação para que ansiedade e tensão não se excedam além do normal”, aconselha.

Primeiro passo: identificar o problema

O material reprodutivo do homem pode apresentar alterações que diminuem a chance de fertilização do óvulo naturalmente, geralmente por alterações adquiridas ao longo da vida, como a varicocele, que podem levar a um prejuízo nas funções reprodutivas. Para que esses fatores sejam avaliados, é preciso recorrer, primeiro, ao espermograma, um exame realizado através da coleta de sêmen por masturbação e a posterior análise por critérios macro e microscópicos. Depois de identificadas as causas da infertilidade, o médico indicará o procedimento mais correto para que o casal consiga engravidar.

“Através da análise seminal macroscópica verificamos o volume de sêmen ejaculado, a acidez desse material, em quanto tempo ele se liquefaz, se possui aderência adequada. Pela avaliação microscópica descobrimos a concentração de espermatozoides por milímetro cúbico de sêmen assim como o total dessas células em todo o material ejaculado. A forma como essas células se movem, o formato delas e quantas estão de fato vivas também são indicadores importantes para estabelecermos o próximo passo a ser tomado”, explica a médica.

A partir dos resultados obtidos com o espermograma, o médico poderá encaminhar o paciente a outros exames, como o ultrassom de testículos, para se obter o diagnóstico da causa da diminuição do potencial reprodutivo masculino . “Quando sabe de sua infertilidade, o homem recebe a notícia como muita tristeza. Por diversas razões, esse tipo de diagnóstico se reflete diretamente na autoestima e vida sexual”, observa.

Como resolver?

Existem tecnologias muito precisas. Além da inseminação intra-uterina, que já consegue melhorar o potencial de fertilização, técnicas de alta complexidade, como a ICSI, por exemplo, através da seleção do melhor espermatozóide e a sua injeção diretamente no interior do óvulo, proporcionam melhores chances de se obter a gestação. Além disso,  Quando há  um caso de contagem muito baixa dos gametas masculinos, o material pode ser congelado para que não haja o risco das células se esgotarem enquanto outros processos do tratamento de fertilidade estão em andamento.

Caso haja alguma malformação do sistema reprodutivo ou o paciente tenha realizado a vasectomia, é possível recorrer a técnicas cirúrgicas que revertam o quadro. “No entanto, quando alguns casos não apresentam chances muito baixas de reversão, pode ser realizada uma punção testicular para coletar espermatozoides e realizar a fertilização in vitro” complementa a especialista.

DRª THAIS

Dra. Thaís Domingues, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.