Maternidade independente: uma realidade crescente na sociedade moderna

Texto publicado no portal HuffPost Brasil. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

As mulheres estão mais autossuficientes e independentes a cada dia. No mundo moderno, é muito comum priorizarem a carreira e adiar a maternidade, por exemplo. A ausência de um parceiro e o desejo de ser mãe têm levado um grande número de mulheres solteiras a optarem pela chamada “produção independente”.

Ter filhos atualmente não significa necessariamente ter um companheiro ao lado e muitas mulheres estão determinadas a criar uma criança sozinhas e tem buscado o auxílio da reprodução assistida para alcançar este sonho.

A mixed race pregnant lady tries on new clothes

A tecnologia ajudou muito na construção deste novo modelo familiar, mas ela ainda não tem o poder de impedir o declínio da fertilidade feminina. Diante disso, é muito importante que as mulheres que desejam engravidar após os 35 anos procurem um profissional especializado para entender quais métodos existentes de preservação da fertilidade.

Para essas mulheres, a medicina reprodutiva apresenta alguns procedimentos conhecidos e seguros. Algumas alternativas são:

 - Congelamento de óvulos: é uma opção para aquelas mulheres que querem engravidar tardiamente com seus próprios óvulos. É importante que este procedimento seja realizado antes dos 35 anos, quando a qualidade dos óvulos está mais preservada;

 - Banco de espermatozoides: é uma alternativa para as mulheres que não possuem parceiros. Existem bancos nacionais e internacionais, nos quais a quantidade de características sobre o doador é consideravelmente maior. Toda a escolha do doador é feita de forma anônima, garantindo total sigilo para ambas as partes;

 - Doação de óvulos (ovodoação): as mulheres que já não possuem óvulos saudáveis podem recorrer à ovodoação para engravidar. Todo o processo de escolha é realizado de forma anônima.

A partir da escolha de uma das alternativas apresentadas, que é realizada caso a caso, será necessária a realização de uma Fertilização in Vitro (FIV), onde o óvulo e o espermatozoide serão fecundados e, posteriormente, transferidos ao útero materno. A FIV poderá ser realizada com os próprios óvulos descongelados e os espermatozoides doados ou de um parceiro.

Nós, especialistas de medicina reprodutiva, acompanhamos as mudanças comportamentais do mundo moderno, especialmente das mulheres. Vemos com grande satisfação a possibilidade de oferecer tratamentos seguros que possam realizar o sonho de ser mãe de todas elas, inclusive as que optam pela maternidade independente.

Dra. Michele Panzan, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Dra. Michele Quaranta Panzan

Gravidez e Carreira

Confira a matéria com a Dra. Fernanda Rodrigues, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, sobre os limites biológicos que as mulheres precisam saber quando decidem adiar ou não uma gravidez.

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Qual a média da faixa etária de mulheres que procuram pela fertilização assistida?

A clínica tem pacientes de todas as idades, mas pudemos observar um aumento da procura em pacientes acima dos 35 anos.

Dentre elas, existem as que adiaram ao máximo a maternidade?

Na última década, a mulher de um modo geral tende a adiar a maternidade o máximo possível em busca do parceiro ideal e, sobretudo, para alcançar uma estabilidade financeira. As últimas estatísticas do IBGE comprovam esse comportamento.

Existe algum questionamento sobre o procedimento atrapalhar a carreira de quem optou por engravidar tarde?

Como dito, as mulheres tem adiado a maternidade, principalmente por motivo profissional.  Porém, no momento em que decidem engravidar, elas colocam a carreira em segundo plano, principalmente quando notam que terão alguma dificuldade para alcançar o sonho da gravidez.

Você conversa com suas pacientes sobre as questões que envolvem uma gravidez?

Sim, conversa-se bastante com todas as pacientes sobre isso, principalmente aquelas que passam em consulta ginecológica anual de rotina e que ainda não estão planejando engravidar. As mulheres devem ser conscientizadas da real queda da fertilidade que ocorre com acima dos 35 anos e, principalmente, acima dos 40. Muitas pensam que a fertilização in vitro poderá resolver e ajudar em qualquer situação e que por isso podem adiar a maternidade tranquilamente. Porém, isso é uma ilusão.

É verdade que muitas mulheres conseguem engravidar com a ajuda da tecnologia e ciência, mas as taxas de gravidez também são menores com o passar da idade, mesmo fazendo tratamento de reprodução assistida. Portanto, é nosso dever explicar os limites biológicos da fertilidade feminina e aconselhar que, se possível, não adiem a gestação além dos 35 anos.

Mesmo que esteja no consultório, tem paciente que ainda não tem a certeza se deverá optar pela gravidez?

Existem pacientes que estão tão envolvidas com sua carreira que ainda se questionam se realmente desejam ser mães. Elas se quer imaginam a mudança da rotina e, por isso, acabam adiando ainda mais. Muitas ainda não encontraram o parceiro ideal e por isso também têm dúvidas sobre o desejo da maternidade.

Por outro lado, há muitas pacientes que optam pela maternidade independente, ou seja, se sentem seguras e estáveis financeiramente e, mesmo sem o parceiro ideal, fazem tratamento com banco de sêmen de doador e engravidam de maneira resolvida. Independentemente da situação: o mais importante é que as pacientes sejam informadas sobre os limites biológicos. É muito triste quando se atende pacientes já com a reserva ovariana diminuída – ou até mesmo ausente, falando que se soubesse antes que isso iria acontecer, tinha engravidado ou feito algum tratamento mais jovem. É por isso que a conscientização é fundamental para que cada paciente tome sua decisão.

Texto publicado na Revista Downtown em 13/05/2015Clique aqui e acesse a matéria no portal da revista.

Dra. Fernanda Rodrigues, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Fernanda Rodrigues

Brasileiras planejam maternidade tardia e têm menos filhos

A cada ano temos oportunidade de refletir sobre as mudanças comportamentais da mulher, esse sexo nada ‘frágil’. A conquista de igualdade de direitos, a liberdade de expressão, a busca pelo aperfeiçoamento profissional, o crescimento no mercado de trabalho, os novos modelos familiares e, o que tenho notado de perto, como médica, a maternidade mais tardia. É isso que vemos nos consultórios de reprodução humana. Ter filhos é agora uma questão de grande planejamento e, tendo que priorizar outros objetivos, a mulher ‘moderna’ adia a decisão, cada vez para mais tarde.

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Os números não mentem: em 1991, a média de filhos por família era de 2,9. Essa taxa vem caindo anualmente e chegou a 1,7 em 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas é simples compreender essa nova tendência, principalmente no Brasil. Afinal, não é fácil escolher a melhor profissão, entrar em uma boa faculdade e se formar, ingressar no mercado de trabalho, ser bem sucedida e, finalmente, ter tempo para encontrar um companheiro, pai ideal para os filhos. A questão é que, nem sempre, é possível atingir essas metas de vida em tempo de encontrar-se em idade fértil, que, em média, vai até os 35 anos.

Essa decisão pode ser irreversível, pois o relógio biológico nem sempre é tão amigável, e o funcionamento do corpo não acompanha as mudanças comportamentais. Aos 25 anos, mais de 70% dos melhores óvulos já foram descartados pelo corpo. Uma mulher de 35 anos tem 80% mais chances de engravidar do que uma de 40 anos. A partir dessa idade, a queda de fertilidade é alta e gradual.

Preservação da fertilidade

Algumas ações podem ajudar a preservar a fertilidade mesmo em idade avançada. Um hábito muito importante é visitar um ginecologista periodicamente. As consultas podem revelar desequilíbrios hormonais ou outras situações perigosas, que podem ser tratadas quando diagnosticadas rapidamente.

Uma dieta balanceada, com adição de alguns alimentos benéficos, também pode ajudar. Consumir ômega 3, presente em nozes, ervilhas  e peixes de água fria como salmão e sardinha, por exemplo, ajuda o sistema de reprodução. Há outros alimentos que cooperam com a fertilidade.

A prática de exercícios físicos para manter a forma é recomendada. O sobrepeso é considerado um agravante, pois propicia à mulher a ter mais disfunções hormonais e ovulatórias. Quando ela consegue engravidar, a obesidade é prejudicial à gravidez. Outras ações ligadas à saúde, como não fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, evitar o uso de antidepressivos e outras drogas e medicamentos contraindicados também podem ajudar.

Muitas mulheres culpam o uso prolongado de medicamentos anticoncepcionais (pílulas) pela infertilidade. É um erro bastante comum, pois não há relação entre eles. A pílula tem baixo conteúdo hormonal e pode até contribuir com a fertilidade, ao prevenir a endometriose, por exemplo. Depois de suspender o seu uso por três ou quatro meses, a maioria das mulheres retoma sua capacidade normal de fertilidade. Não há efeito negativo em longo prazo.

Para a mulher que sabe que vai ter filhos com idade avançada, ou quer ao menos garantir essa possibilidade, o congelamento de óvulos é uma boa alternativa. O índice de resultados positivos apresentados por tratamentos que usam óvulos congelados é de cerca de 30%. Essa opção também é indicada em casos de doenças que afetem irreversivelmente os ovários, como alguns cânceres.

Quando o relógio biológico do corpo já deixou a mulher infértil, uma possibilidade é recorrer a um tratamento de reprodução assistida. Alguns, como a inseminação artificial e a Fertilização In Vitro, têm bons índices, mesmo no caso de idades avançadas. O mais importante é que a mulher tenha consciência de seus limites biológicos e planeje a maternidade com consciência. Assim, depois de conseguir realizar todos os almejados sonhos pessoais e profissionais, ela poderá, enfim, conquistar o seu bem maior, um filho.

Dra. Michele Panzan, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Dra. Michele Quaranta Panzan

Será que estou preparada para ser mãe?

duvidas-femininashopAcho que uma pergunta que em algum momento toda tentante se faz, mesmo as que não são de primeira viagem, é se vão conseguir dar conta de mais um filho ou se vão conseguir amá-lo da mesma forma.

Eu já passei por essas duas situações e o que eu posso responder é que, se a gente deseja, com certeza está preparada. Infelizmente, para ser mãe não existe receita. Somos a melhor mãe que conseguimos ser e cada mãe é única e ao mesmo tempo perfeita.

Quanto a conseguir amar os filhos da mesma maneira, minha avó sempre me dizia uma coisa, que para mim é pura sabedoria: “quanto mais o amor se divide, mais a felicidade se multiplica”, ou seja, como mãe o nosso amor aumenta cada vez mais. Sempre haverá amor suficiente para todos e você será ainda mais feliz.

Quando estava tentando engravidar na primeira vez, resisti muito para decidir. Queria estar com a carreira firmada, um apartamento melhor, melhor financeiramente, me preparar melhor. Encontrei milhares de motivos que me fizeram adiar a decisão e hoje olhando para trás, percebo que só perdi tempo, mas isso era algo que precisava passar.

Se você familia1está com esse tipo de dúvida, é hora de parar para ter uma conversa sincera com você mesmo e tentar entender porque você está em dúvida. Será que não é medo? São respostas que só você mesma tem, só você mesma vai conseguir entender.

Outro ponto fundamental é conversar com seu marido, afinal essa decisão também é dele. É preciso entender o que ele quer, o que ele espera. A união e a comunicação entre vocês é fundamental para conseguir obter uma resposta consistente. Já falei várias vezes aqui sobre essas questões do relacionamento. Os filhos podem mudar bastante o relacionamento do casal. O que eu repito aqui é que o casal precisa estar junto nisso e se apoiar é fundamental.

Se a maternidade é o desejo de vocês, não fiquem criando muitos obstáculos e demorando demais para decidir. Acho que completamente preparados ninguém nunca está, a maternidade/paternidade é algo que a gente está sempre aprendendo.

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Alê Nunes, mãe e blogueira