Brasileiras planejam maternidade tardia e têm menos filhos

A cada ano temos oportunidade de refletir sobre as mudanças comportamentais da mulher, esse sexo nada ‘frágil’. A conquista de igualdade de direitos, a liberdade de expressão, a busca pelo aperfeiçoamento profissional, o crescimento no mercado de trabalho, os novos modelos familiares e, o que tenho notado de perto, como médica, a maternidade mais tardia. É isso que vemos nos consultórios de reprodução humana. Ter filhos é agora uma questão de grande planejamento e, tendo que priorizar outros objetivos, a mulher ‘moderna’ adia a decisão, cada vez para mais tarde.

178887214

Os números não mentem: em 1991, a média de filhos por família era de 2,9. Essa taxa vem caindo anualmente e chegou a 1,7 em 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas é simples compreender essa nova tendência, principalmente no Brasil. Afinal, não é fácil escolher a melhor profissão, entrar em uma boa faculdade e se formar, ingressar no mercado de trabalho, ser bem sucedida e, finalmente, ter tempo para encontrar um companheiro, pai ideal para os filhos. A questão é que, nem sempre, é possível atingir essas metas de vida em tempo de encontrar-se em idade fértil, que, em média, vai até os 35 anos.

Essa decisão pode ser irreversível, pois o relógio biológico nem sempre é tão amigável, e o funcionamento do corpo não acompanha as mudanças comportamentais. Aos 25 anos, mais de 70% dos melhores óvulos já foram descartados pelo corpo. Uma mulher de 35 anos tem 80% mais chances de engravidar do que uma de 40 anos. A partir dessa idade, a queda de fertilidade é alta e gradual.

Preservação da fertilidade

Algumas ações podem ajudar a preservar a fertilidade mesmo em idade avançada. Um hábito muito importante é visitar um ginecologista periodicamente. As consultas podem revelar desequilíbrios hormonais ou outras situações perigosas, que podem ser tratadas quando diagnosticadas rapidamente.

Uma dieta balanceada, com adição de alguns alimentos benéficos, também pode ajudar. Consumir ômega 3, presente em nozes, ervilhas  e peixes de água fria como salmão e sardinha, por exemplo, ajuda o sistema de reprodução. Há outros alimentos que cooperam com a fertilidade.

A prática de exercícios físicos para manter a forma é recomendada. O sobrepeso é considerado um agravante, pois propicia à mulher a ter mais disfunções hormonais e ovulatórias. Quando ela consegue engravidar, a obesidade é prejudicial à gravidez. Outras ações ligadas à saúde, como não fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, evitar o uso de antidepressivos e outras drogas e medicamentos contraindicados também podem ajudar.

Muitas mulheres culpam o uso prolongado de medicamentos anticoncepcionais (pílulas) pela infertilidade. É um erro bastante comum, pois não há relação entre eles. A pílula tem baixo conteúdo hormonal e pode até contribuir com a fertilidade, ao prevenir a endometriose, por exemplo. Depois de suspender o seu uso por três ou quatro meses, a maioria das mulheres retoma sua capacidade normal de fertilidade. Não há efeito negativo em longo prazo.

Para a mulher que sabe que vai ter filhos com idade avançada, ou quer ao menos garantir essa possibilidade, o congelamento de óvulos é uma boa alternativa. O índice de resultados positivos apresentados por tratamentos que usam óvulos congelados é de cerca de 30%. Essa opção também é indicada em casos de doenças que afetem irreversivelmente os ovários, como alguns cânceres.

Quando o relógio biológico do corpo já deixou a mulher infértil, uma possibilidade é recorrer a um tratamento de reprodução assistida. Alguns, como a inseminação artificial e a Fertilização In Vitro, têm bons índices, mesmo no caso de idades avançadas. O mais importante é que a mulher tenha consciência de seus limites biológicos e planeje a maternidade com consciência. Assim, depois de conseguir realizar todos os almejados sonhos pessoais e profissionais, ela poderá, enfim, conquistar o seu bem maior, um filho.

Dra. Michele Panzan, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Dra. Michele Quaranta Panzan

Será que estou preparada para ser mãe?

duvidas-femininashopAcho que uma pergunta que em algum momento toda tentante se faz, mesmo as que não são de primeira viagem, é se vão conseguir dar conta de mais um filho ou se vão conseguir amá-lo da mesma forma.

Eu já passei por essas duas situações e o que eu posso responder é que, se a gente deseja, com certeza está preparada. Infelizmente, para ser mãe não existe receita. Somos a melhor mãe que conseguimos ser e cada mãe é única e ao mesmo tempo perfeita.

Quanto a conseguir amar os filhos da mesma maneira, minha avó sempre me dizia uma coisa, que para mim é pura sabedoria: “quanto mais o amor se divide, mais a felicidade se multiplica”, ou seja, como mãe o nosso amor aumenta cada vez mais. Sempre haverá amor suficiente para todos e você será ainda mais feliz.

Quando estava tentando engravidar na primeira vez, resisti muito para decidir. Queria estar com a carreira firmada, um apartamento melhor, melhor financeiramente, me preparar melhor. Encontrei milhares de motivos que me fizeram adiar a decisão e hoje olhando para trás, percebo que só perdi tempo, mas isso era algo que precisava passar.

Se você familia1está com esse tipo de dúvida, é hora de parar para ter uma conversa sincera com você mesmo e tentar entender porque você está em dúvida. Será que não é medo? São respostas que só você mesma tem, só você mesma vai conseguir entender.

Outro ponto fundamental é conversar com seu marido, afinal essa decisão também é dele. É preciso entender o que ele quer, o que ele espera. A união e a comunicação entre vocês é fundamental para conseguir obter uma resposta consistente. Já falei várias vezes aqui sobre essas questões do relacionamento. Os filhos podem mudar bastante o relacionamento do casal. O que eu repito aqui é que o casal precisa estar junto nisso e se apoiar é fundamental.

Se a maternidade é o desejo de vocês, não fiquem criando muitos obstáculos e demorando demais para decidir. Acho que completamente preparados ninguém nunca está, a maternidade/paternidade é algo que a gente está sempre aprendendo.

Ale-Nunes-150x150.jpg

 

 

 

Alê Nunes, mãe e blogueira

Tratamentos para engravidar: até quando tentar?

Você sente que chegou o momento de realizar o sonho da maternidade?

gravidaOs tratamentos de repordução assistida não são feitos a esmo, sem que haja uma análise cuidadosa do médico, que está em constante diálogo com o casal. É muito importante que se leve em conta todos os fatores que podem, ou não determinar o sucesso da gravidez. Por isso, mesmo que, em termos gerais, se deva esperar um ciclo menstrual para uma nova tentativa, é de suma importância que o especialista verifique a particularidade de cada caso.

O que as pesquisas acerca da medicina reprodutiva apontam é que o número de tentativas para engravidar estão essencialmente ligados à idade. Quando está no ápice de suas funções reprodutivas, até os 35 anos, a mulher pode engravidar na primeira ou segunda tentativa, em média.

Após essa idade, a reserva ovariana já se encontra em declínio e a qualidade dos óvulos pode ser mais baixa, gerando embriões não muito sadios, que podem não se fixar no útero e evoluírem para um aborto quando implantados. Esses fatores aumentariam a quantidade de vezes em que se precisa recorrer aos tratamentos para engravidar.

fiv 2Contudo, estamos falando em termos gerais. É importante esclarecer que não é impossível que uma paciente jovem, entre 20 e 30 anos, tenha que recorrer a mais de duas tentativas ou que mulheres com mais de 35 engravidem na primeira fertilização. Cada caso é um caso, e técnicas avançadas de reprodução assistida conseguem hoje diminuir o número de tentativas pela acuidade com que selecionam as melhores células e os melhores embriões a serem transferidos ao útero materno.  Muitos fatores não podem ser excluídos, como a fertilidade do parceiro e as condições do aparelho reprodutivo.

Nem sempre a paciente precisará passar por todas as etapas do tratamento novamente, caso ele não funcione como esperado. Apesar das medicações de estímulo hormonal serem seguras, não há necessidade de esperar entre 10 a 15 dias para coletar os óvulos e então fertilizá-los toda vez que outro ciclo precise ser feito. Existem casos onde é possível o congelamento de embriões excedentes e estes podem ser transferidos para o útero em diferentes ocasiões, após o médico avaliar o porquê da falha na última tentativa.

Hoje,não existem evidências de que os tratamentos, quando feitos repetidas vezes, possam causar danos à saúde. As medicações utilizadas apenas induzem artificialmente a ovulação. O que acontece com frequência é a retenção de líquido, algo que se mostra incômodo à vaidade feminina, mas que é passageiro.

A gravidez é um sonho para muitas pessoas, mas não conseguir engravidar pode ser um grande teste emocional, um processo cheio de pressões e ansiedades. Torna-se imprescindível que o médico informe bem seus pacientes e lhes aponte todos os caminhos possíveis –  até mesmo seus limites. Por isso, as competências de um especialista em medicina reprodutiva podem ser decisivas para o bem estar de todos os envolvidos no tratamento.

dr-mauricio-barbour-chehin2.png

 

 

Dr. Mauricio Chehin, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

A maternidade ensina

Nossa, a gente aprende tanta coisa com a maternidade. Como dizia uma propaganda: “a gente tem que rever nossos conceitos”.

Antes de ser mãe, eu preciso admitir, sempre julgava a criação de uma criança quando via a mãe não fazendo o que “eu” julgava ser o certo. Achava que a mãe que decidia por uma cesárea ou não amamentar era uma pessoa de outro mundo. Achava que a mãe que colocava o filho para dormir na cama estava errada. “Como ela não consegue se organizar para arrumar a casa e ficar bonita para o marido?”. ‘Nossa, ela dá presente para conseguir as coisas do filho”. E por aí tantos outros julgamentos errados.

birra5

Hoje, olhando para trás foram julgamentos errados, porque uma das coisas mais importantes que a maternidade me ensinou foi a não julgar.

Quando a gente é mãe descobre que tudo que se achava que sabia, na verdade, não é tanta coisa assim, ou até, não é nada. Aprendi que cada mãe tem a sua realidade, as suas experiências, os seus problemas, as suas vivências. Então, cada mãe tenta ser a melhor mãe do mundo do jeito que acha certo para o seu filho. Pode até parecer errado para os outros, mas na realidade dessa mãe é o melhor a ser feito naquele momento.

Não estou aqui levantando nenhuma bandeira ou criticando quem julga. Só estou fazendo minha própria auto-crítica :). É como aquelas situações em que a gente diz: “ah se eu voltasse no tempo com a cabeça que eu tenho hoje”.

Também não estou dizendo que acho essas coisas certas ou erradas, apenas aprendi que eu não devo julgar. Posso até dar um conselho se for apropriado ou, até mesmo em pensamento, digo: “se fosse comigo eu faria assim”, ou “eu prefiro assim”, ou ainda, “para minha filha ou para mim isso não serve”.

Acho que nós temos todo o direito de termos nossas convicções sobre maternidade, mas como diz a música: “cada um no seu quadrado”. O que pode ser ótimo e certo para um, pode não ser para outro.

leituraEnfim, meu conselho é, não julgue e não se culpe, se informe. Leia, peça opiniões, crie suas regras, sim. Não existe regra única na área da maternidade, amiga. A gente tem que aprender a não ser radical, avaliar, testar e filtrar tudo o que é bom para o nosso filho(a), para nós, para nossa vida, para nossa realidade.

Já tá virando jargão, mas seja uma mãe possível, não uma mãe perfeita! :)

 

Alê Nunes, mãe e blogueira.