Congelamento de óvulos: ético e libertário

Confira a matéria veiculada no programa Saia Justa do canal GNT, com participação do Dr. Eduardo Motta, sócio-diretor do grupo Huntington.

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Dr. Eduardo

Muitas mulheres chegam ao fim dos 40 anos sem ter tido filhos, por falta de oportunidade ou contexto afetivo. Mas o desejo está lá. Nestes casos, muitas decidem congelar os óvulos. O procedimento é uma segurança para se no futuro quiserem fazer uma inseminação.

As técnicas de reprodução utilizadas em uma produção independente

Texto publicado no portal Bebe.com.

O médico Mauricio Chehin, do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva, esclarece questões cruciais para auxiliá-la a realizar o sonho da maternidade.

Antes da Páscoa, as redes sociais pipocaram com fotos de Karina Bacchi em sua 22ª semana de gestação. O bebê é fruto de uma fertilização in vitro e de uma gravidez tardia: a modelo realizou o sonho de ser mãe aos 40 anos de idade. Isso une duas tendências: além das mulheres estarem postergando cada vez mais os planos de ter um filho, esse processo também tem dependido cada vez menos de se ter um parceiro.

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Segundo pesquisa do Instituto Data Popular de 2015, das 67 milhões de mães brasileiras, 31% não são casadas, como também é o caso da atriz e de muitas mulheres  que procuraram pela técnica de reprodução assistida. A produção independente tem sido, de forma crescente, uma escolha consciente da mulher moderna.

E, embora existam outros modelos familiares possíveis, existe uma questão concomitante a esse panorama. A fertilidade feminina declina fortemente após os 35 anos de idade. Neste contexto, a indicação é procurar um profissional especializado, para a paciente entender e escolher a melhor maneira de se preservar a fertilidade.

Na prática, a forma mais eficaz da mulher conceber em situações de produção independente é por meio da fertilização in vitro (FIV), em que a fecundação é feita em laboratório e depois o embrião é transferido para o útero materno. No caso das chamadas mães solo, existem procedimentos que complementam a FIV e auxiliam a independência da mulher na maternidade.

Congelamento de óvulos

A técnica é ideal para as mulheres que postergam a gravidez e querem tê-la com os próprios óvulos. O caso da atriz também é este e a fertilização foi feita com os óvulos congelados quando ela tinha 35 anos, idade limite para garantir a qualidade deles. A partir deste ponto, as chances de engravidar caem para cerca de 30%, segundo a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). Isso porque, até os 32 anos, chega a ser de até 60%.

Banco de espermatozoides

Essa é a alternativa para a produção independente e também foi pelo que Karina optou. Para isso, existem bancos nacionais e internacionais, nos quais há uma descrição mais completa das características do doador, cuja identidade sempre deve ser mantida anônima. Na ocasião, o pai biológico não participa das decisões e não exerce seu papel na futura família.

Doação de óvulos (ovodoação)

Outro procedimento contempla também quem não tem óvulos saudáveis. As mulheres podem recorrer à ovodoação e, neste caso, as identidades de doadora e receptora também são anônimas. A doadora também não tem participação na nova configuração familiar. As três alternativas, aliadas a qualquer tipo de tratamento, devem ser escolhidas caso a caso, dependendo das necessidades e da saúde da futura mãe. O papel da reprodução assistida nesse processo é colocar a ciência a serviço da autonomia da mulher, enquanto dona de seu corpo e protagonista de sua maternidade.

Dr. Maurício Chehin.

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Mãe na hora certa: saiba como funciona o congelamento de óvulos

Texto publicado no portal Yahoo.

As mulheres estão adiando a maternidade, seja por motivos pessoais ou profissionais, o número de mamães depois dos 30 passou de 22,5% em 2005 para mais de 30% em 2015, segundo dados do IBGE. A tendência social seria a idade aumentar cada vez mais, segundo especialistas, mas os riscos da gravidez tardia preocupam aquelas que desejam ter filhos. Foi pensando nisso que a radiologista Renata Andreosi, 37 anos, decidiu congelar seus óvulos. “Foi há dois anos, ainda não tinha parceiro e o sonho de ser mãe era grande”, explicou.

Renata não está sozinha e os motivos das mulheres que optam pela “preservação” da fertilidade são vários. Ela mesma tem três amigas próximas que decidiram pelo procedimento. “Algumas mulheres que já têm seus companheiros querem engravidar mais tarde pelo lado profissional. Congelar os óvulos é como um seguro, pois quando o desejo aparecer, os óvulos estarão lá”, afirmou Renata. Segundo o obstetra do Centro de Reprodução Humana do Hospital Santa Joana, Eduardo Motta, a maioria das pacientes que procura o congelamento dos óvulos tem mais de 35 anos e é solteira.

Nos últimos dois anos, de acordo com o coordenador médico da Huntington Medicina Reprodutiva, Maurício Chehin, houve um crescimento de 40% na busca pelo procedimento. “Muitas mulheres até os 35 anos ainda têm expectativas na vida profissional e não estão focadas na maternidade. Mas o relógio bate antes”, disse Chehin. Segundo ele, quanto mais cedo as mulheres optam por congelar os óvulos, mais chances têm de conseguir uma gestação saudável no futuro.

O planejamento é fundamental, até pelo custo do procedimento que varia de R$ 8 mil a R$ 13 mil. Motta explicou que não existe “idade máxima” para o congelamento dos óvulos, mas o recomendável é que seja feito antes de a mulher atingir 37 anos. O procedimento é relativamente seguro, no entanto, entre os riscos Chehin citou trombose arterial ou venosa, síndrome de hiperestímulo ovariano e sangramento. Complicações são raras, reforçou Motta: a perda de sangue foi observada em 1 a cada 1 mil casos e o crescimento dos ovários em 1 a cada 7.

Como funciona?

O coordenador médico da Huntington Medicina Reprodutiva enumerou quatro passos principais para o congelamento de óvulos. Na primeira fase, a mulher passa por uma série de exames para detectar o nível de fertilidade. Depois, a paciente começa o tratamento de indução da ovulação com medicamentos à base de hormônios. A coleta dos óvulos é feita com uma agulha acoplada a um aparelho de ultrassom. O último estágio é a criopreservação dos óvulos maduros e de qualidade. A taxa de sobrevivência ao descongelamento é de 95%, segundo Chehin.

Renata considerou o processo “tranquilo”. Ela passou por todos os estágios, até a retirada dos óvulos, quando sentiu “um pequeno desconforto no abdome”. “Foi como uma pequena cólica menstrual”, comparou. Para ela, porém, valeu a pena. Nesses dois anos que se passaram, a radiologista encontrou um parceiro e se casou. “A ideia é “engravidarmos” ainda nesse ano. Primeiro vamos tentar de forma natural, mas caso não aconteça, sei que meus óvulos estarão lá guardados para me permitir ser mãe”, contou.

A hora da maternidade

Não existe prazo limite para deixar os óvulos congelados, afirmou Motta. Uma vez que a mulher decide ser mãe, os óvulos são descongelados e fertilizados com o espermatozoide do doador ou companheiro. Cerca de cinco dias depois, os embriões são colocados no útero da mulher. As chances de dar certo são, em geral, 50% para congelamentos feitos quando a paciente estava com 35 anos ou menos; 35% para mulheres que passaram pelo procedimento entre 36 e 39 anos e 20% para óvulos com mais de 40 anos de idade, estimou o obstetra.

Todo o procedimento deve ser acompanhado por médicos especialistas. De acordo com Motta e Chehin, casos em que a mulher apresenta doença que causa diminuição da reserva ovariana são indicados para o congelamento de óvulos.

Dr. Maurício Chehin, coordenador médico do grupo Huntington.

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Síndrome dos Ovários Policísticos

A síndrome dos ovários policísticos é uma das alterações endócrinas mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva e que, frequentemente, as faz vivenciar a infertilidade.

Diagnóstico

Todos os critérios levam em consideração, para seu diagnóstico, a presença de hiperandrogenismo (aumento de pelos em regiões observadas nos homens ou aumento de hormônios masculinos), além de alteração ovulatória (identificada pelas menstruações escassas ao longo do ano, com intervalo superior a 45 dias entre elas ou pelos ovários de aspecto policísticos ao ultrassom).

O diagnóstico, assim, é clínico, após a exclusão de outras doenças que possam levar às mesmas alterações, desde as mais simples, como aumento de prolactina, alterações tireoidianas, obesidade, até as mais graves, como tumores produtores de hormônio masculino – os androgênios.

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Tratamento

O tratamento deve ser direcionado à queixa da paciente, sendo que para as mulheres com problemas de obesidade, a perda de peso é medida urgente e inicial.

Para as que não desejam engravidar, devemos protegê-las dos riscos tardios da doença, como câncer de endométrio – parte interna do útero (através do uso de anticoncepcionais) e riscos metabólicos, como infarto e diabetes (através de dieta e pratica de exercícios, além de remédios que diminuam o risco de diabetes, como a metformina).

Para as que desejam engravidar, além de algumas medidas supracitadas, o objetivo principal é fazê-las ovular. Quando o casal infértil avaliado mostra como fator único a falta de ovulação, remédios, em forma de comprimido, para induzi-la podem resolver o problema. Entretanto, quando eles têm indicação de fertilização in vitro (por alteração masculina ou tubária), devemos optar por medicações indutoras mais potentes, de administração subcutânea.

Sempre devemos ter em mente que estas são pacientes mais propensas a complicações como a síndrome de hiperestímulo ovariano. Felizmente, quando bem assistidas por equipe experiente, esses riscos podem ser evitados e quase anulados.

Dra. Thais Domingues, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Thais Domingues