Gravidez depois dos 50? É possível e a gente discute os prós e contras!

Matéria publicada no portal da Revista Pais&Filhos.

Cada uma tem a sua hora certa para engravidar

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Em nome de esperar um momento de melhor estabilidade, cada vez empurramos mais para frente a decisão de ter um filho. Falta terminar o mestrado, dar entrada na casa própria, arrumar um parceiro estável e se sentir madura para cuidar de uma criança. Não necessariamente nessa ordem.

Nos anos 1960, era consenso que a idade ideal para a primeira gravidez ficava entre 18 e 25 anos. Após os 25, a gestante era classificada como “primigesta idosa”! A idade fértil situa-se entre 10 e 49 anos. No entanto, as técnicas de reprodução assistida derrubaram esses limites. Em tese, pode-se engravidar a qualquer momento. Mas a coisa não é tão tranquila. Em 2013, o Conselho Federal de Medicina determinou 50 anos como a idade máxima para engravidar por meio de tratamento.

Depois de muita discussão, a resolução foi flexibilizada no ano passado, deixando a cargo do médico a decisão, desde que com base em critérios científicos e orientando a futura mãe sobre potenciais riscos. Aqui a gente discute os riscos de engravidar depois dos 50.

Fisicamente

As chances de gravidez natural aos 50 anos existem, mas são bastante baixas, menos de 1%, segundo Claudia Padilla, mãe de Miguel e Isabel, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington. Mesmo recorrendo a técnicas como a fertilização in vitro, essa possibilidade cai de 25% aos 40 anos para apenas 5% aos 50.

Felizmente, hoje existem técnicas, como a do congelamento de óvulos, que deve ser feito pela mulher quando mais jovem. Outra possibilidade é recorrer à adoção. Segundo o Eduardo Motta, à medida que o tempo avança, todas as situações de risco para a gravidez são mais prevalentes.

O Conselho Federal de Medicina estipulou que os médicos avaliem caso a caso os riscos de um tratamento nesta fase e informem a futura mãe dos riscos envolvidos, que incluem hipertensão, diabetes, parto prematuro e baixo peso do recém-nascido.

Psicologicamente

O nível de maturidade e vivência é ainda maior que nos 40 anos. O seu “ajuste de rota” geralmente nesta fase já contempla administração do seu “Plano B”. Tudo isso faz com que a mulher tenha ainda mais espaço para dedicar suas energias e aprendizados para a maternidade, diz a coach Deborah Toschi filha de Rafael e Lourdes.

Financeiramente

A carreira pode estar no auge ou ameaçada pelo desemprego (ou troca com rebaixamento de renda) devido à “obsolescência” da profissional, imposta pelo mercado de trabalho, o que varia muito conforme a profissão.

“A gravidez de maior risco biológico pode exigir cuidados e gastos mais intensivos”, o economista Marcos Silvestre, pai de Rachel e Alexandre.  Se você já se aposentou, por exemplo, mas mantém alguma atividade remunerada, a aposentadoria entra como complemento e você pode estar mais tranquila.

“Para a aposentadoria ou para garantir a educação do filho que nasceu agora, o dinheiro deve ficar em aplicações de longo prazo”, recomenda Luciano Tavares, pai de Henrique, Eva e Helena, CEO da Magnetis.

Dr. Eduardo Motta, diretor do Grupo Huntington e Dra. Claudia Gomes Padilla, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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Malformações uterinas

As malformações uterinas ou mullerianas são alterações anatômicas do sistema reprodutor feminino. Essas alterações são congênitas, com início ao redor da 6a semana de formação embrionária intra-uterina, sendo muitas vezes perceptíveis apenas após o início dos ciclos menstruais.

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As alterações uterinas são heterogêneas, podendo variar em sua complexidade, tanto diagnóstica quanto terapêutica, de acordo com o grau de acometimento uterino. Dentre elas, o septo uterino é o responsável por cerca de 40% destas malformações e pode afetar a cavidade endometrial (que reveste internamente o útero e pode afetar diretamente a implantação e manutenção de gravidez) parcial ou totalmente. Além dessa afecção mais comum, existem outras mais raras, como o útero unicorno, bicorno (uma ou 2 cavidades endometriais) até o mais raro que é o útero didelfo, onde ocorre a formação de 2 estruturas uterinas independentes.

Estão presentes em 3 a 5% da população geral, podendo atingir taxas mais altas (até 25%) em pacientes com histórico de aborto de repetição ou prematuridade, incluindo casos de incompetência istmo-cervical. Pacientes inférteis também apresentam uma prevalência mais alta destas patologias, podendo atingir cerca de 7 a 13% dos casais, como relatado em estudos recentes.

Atualmente, a ultrassonografia convencional é um bom método de rastreamento para tais alterações, sendo a ultrassonografia tridimensional ou a ressonância magnética os métodos diagnósticos de escolha, por sua especificidade na avaliação destas alterações, fornecendo informações que nos auxiliam no tratamento e, muitas vezes, no aumento das taxas de nascimento.

Dra. Luciene Kanashiro Tsukuda, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

Luciene Tsukuda