Congelamento de óvulos deve ser feito até os 35 anos: entenda como funciona

Matéria publicada no portal UOL Estilo, com participação da Dra. Thais Domingues, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

Adiar a gravidez é uma realidade cada vez mais comum às mulheres. Nos últimos 16 anos, o Brasil viu crescer em 27% o número de gestantes com mais de 40 anos, segundo o IBGE. Muitas delas recorrem ao congelamento de óvulos.

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Thais Domingues

Dra. Thais Domingues, médica especialista em reprodução assistido da grupo Huntington.

Congelamento de óvulos: ético e libertário

Confira a matéria veiculada no programa Saia Justa do canal GNT, com participação do Dr. Eduardo Motta, sócio-diretor do grupo Huntington.

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Dr. Eduardo

Muitas mulheres chegam ao fim dos 40 anos sem ter tido filhos, por falta de oportunidade ou contexto afetivo. Mas o desejo está lá. Nestes casos, muitas decidem congelar os óvulos. O procedimento é uma segurança para se no futuro quiserem fazer uma inseminação.

Estilo de vida e fertilidade

Vários fatores interferem na fertilidade dos casais, e um deles é o estilo de vida. Alguns hábitos do nosso dia a dia podem aumentar ou diminuir as chances de um casal engravidar. Isso vale tanto para quem concebe naturalmente como para quem precisa de tratamento.

Couple in love drinking coffee in coffee shop

A idade é um fator importante na fertilidade de mulheres e homens, porém os efeitos são mais proeminentes nas mulheres, para quem a fecundidade começa a declinar após os 35 anos. Esse efeito só começa a acontecer após os 50 anos nos homens e de forma bem mais branda.

Na prática, isso se traduz no tempo de espera para conseguir engravidar: ele é de até um ano sem métodos contraceptivos para mulheres com menos de 35 anos. Após esta idade, o ideal é esperar apenas 6 meses e, se a gravidez não acontecer, procurar um especialista.

Outro ponto é em relação à frequência de relações sexuais. O ideal é que quem tenha ciclos regulares de cerca de 28 dias tenha relações em dias alternados, do 12º ao 16º dia do ciclo. Não existem evidências de que determinadas posições na hora da relação melhorem as chances de engravidar. Colocar as pernas para cima, por exemplo, é um mito.

Em relação ao peso corporal, a fertilidade diminui tanto em mulheres excessivamente magras como nas obesas. O ideal é manter um peso regular e uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e carnes magras, e evitar excesso de doces e comidas gordurosas.

Mas o hábito de fumar deve ser abandonado, porque ele está associado a menores chances de gravidez e aumento do risco de abortamento quando comparado a casos de mulheres não-fumantes. Além disso, mulheres que fumam têm a tendência a entrar na menopausa um a quatro anos antes do esperado. Em homens, o cigarro pode comprometer a qualidade e a mobilidade dos espermatozoides.

O uso de álcool socialmente e em doses baixas parece não atrapalhar a fertilidade de mulheres e homens. Uma vez que a mulher saiba que está grávida, deve cessar completamente o consumo de bebidas alcoólicas, pois seu uso pode causar problemas no desenvolvimento do bebê, e não existe dose segura para ser utilizada nesse período.

Café em excesso pode atrapalhar as chances de engravidar e predispor a mulher a abortar. Uma dose considerada alta seria mais do que cinco xícaras de café por dia. Entretanto, o consumo de duas a três xícaras parece não afetar a fertilidade e a gravidez.

Aqui vão algumas dicas para otimizar a fertilidade:

-      Não postergar muito a gravidez; o ideal é ter pelo menos o primeiro filho antes dos 35 anos de idade;

-      Manter o peso dentro de um ideal de saúde;

-      Alimentação balanceada e a mais saudável possível;

-      Fazer suplementação de ácido fólico;

-      Não fumar;

-      Consumir cafeína com moderação.

Em caso de dúvidas, procure um especialista. Espero que essas dicas ajudem :)

Dra. Melissa Cavagnoli, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

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Mãe na hora certa: saiba como funciona o congelamento de óvulos

Texto publicado no portal Yahoo.

As mulheres estão adiando a maternidade, seja por motivos pessoais ou profissionais, o número de mamães depois dos 30 passou de 22,5% em 2005 para mais de 30% em 2015, segundo dados do IBGE. A tendência social seria a idade aumentar cada vez mais, segundo especialistas, mas os riscos da gravidez tardia preocupam aquelas que desejam ter filhos. Foi pensando nisso que a radiologista Renata Andreosi, 37 anos, decidiu congelar seus óvulos. “Foi há dois anos, ainda não tinha parceiro e o sonho de ser mãe era grande”, explicou.

Renata não está sozinha e os motivos das mulheres que optam pela “preservação” da fertilidade são vários. Ela mesma tem três amigas próximas que decidiram pelo procedimento. “Algumas mulheres que já têm seus companheiros querem engravidar mais tarde pelo lado profissional. Congelar os óvulos é como um seguro, pois quando o desejo aparecer, os óvulos estarão lá”, afirmou Renata. Segundo o obstetra do Centro de Reprodução Humana do Hospital Santa Joana, Eduardo Motta, a maioria das pacientes que procura o congelamento dos óvulos tem mais de 35 anos e é solteira.

Nos últimos dois anos, de acordo com o coordenador médico da Huntington Medicina Reprodutiva, Maurício Chehin, houve um crescimento de 40% na busca pelo procedimento. “Muitas mulheres até os 35 anos ainda têm expectativas na vida profissional e não estão focadas na maternidade. Mas o relógio bate antes”, disse Chehin. Segundo ele, quanto mais cedo as mulheres optam por congelar os óvulos, mais chances têm de conseguir uma gestação saudável no futuro.

O planejamento é fundamental, até pelo custo do procedimento que varia de R$ 8 mil a R$ 13 mil. Motta explicou que não existe “idade máxima” para o congelamento dos óvulos, mas o recomendável é que seja feito antes de a mulher atingir 37 anos. O procedimento é relativamente seguro, no entanto, entre os riscos Chehin citou trombose arterial ou venosa, síndrome de hiperestímulo ovariano e sangramento. Complicações são raras, reforçou Motta: a perda de sangue foi observada em 1 a cada 1 mil casos e o crescimento dos ovários em 1 a cada 7.

Como funciona?

O coordenador médico da Huntington Medicina Reprodutiva enumerou quatro passos principais para o congelamento de óvulos. Na primeira fase, a mulher passa por uma série de exames para detectar o nível de fertilidade. Depois, a paciente começa o tratamento de indução da ovulação com medicamentos à base de hormônios. A coleta dos óvulos é feita com uma agulha acoplada a um aparelho de ultrassom. O último estágio é a criopreservação dos óvulos maduros e de qualidade. A taxa de sobrevivência ao descongelamento é de 95%, segundo Chehin.

Renata considerou o processo “tranquilo”. Ela passou por todos os estágios, até a retirada dos óvulos, quando sentiu “um pequeno desconforto no abdome”. “Foi como uma pequena cólica menstrual”, comparou. Para ela, porém, valeu a pena. Nesses dois anos que se passaram, a radiologista encontrou um parceiro e se casou. “A ideia é “engravidarmos” ainda nesse ano. Primeiro vamos tentar de forma natural, mas caso não aconteça, sei que meus óvulos estarão lá guardados para me permitir ser mãe”, contou.

A hora da maternidade

Não existe prazo limite para deixar os óvulos congelados, afirmou Motta. Uma vez que a mulher decide ser mãe, os óvulos são descongelados e fertilizados com o espermatozoide do doador ou companheiro. Cerca de cinco dias depois, os embriões são colocados no útero da mulher. As chances de dar certo são, em geral, 50% para congelamentos feitos quando a paciente estava com 35 anos ou menos; 35% para mulheres que passaram pelo procedimento entre 36 e 39 anos e 20% para óvulos com mais de 40 anos de idade, estimou o obstetra.

Todo o procedimento deve ser acompanhado por médicos especialistas. De acordo com Motta e Chehin, casos em que a mulher apresenta doença que causa diminuição da reserva ovariana são indicados para o congelamento de óvulos.

Dr. Maurício Chehin, coordenador médico do grupo Huntington.

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