Além de braços e pernas, agora cientistas fazem ovários com impressão 3D

 

Confira a matéria publicada no jornal O Globo, com participação do Dr. Maurício Chehin.

Em estudo, órgão foi capaz de gerar filhotes saudáveis e é esperança futura para mulheres que não podem engravidar

A impressão 3D é cada vez mais uma opção para a produção de próteses sob medida de membros e tecidos simples. Já usada na fabricação de pernas e braços mecânicos, de partes da pélvis e articulações do fêmur, ossos da face e até pedaços da traqueia, entre outros, a tecnologia agora está sendo testada para a substituição de estruturas mais complexas, incluindo órgãos como rins, fígado e coração.

gel ovario

Num avanço importante, cientistas anunciaram ontem sucesso em um experimento que usou a impressão 3D para criar ovários artificiais para camundongos. Implantados em fêmeas dos animais, eles funcionaram como ovários naturais, estimulando a produção de hormônios e o amadurecimento de óvulos que deram origem a proles saudáveis. A expectativa é que, no futuro, um método semelhante ajude meninas submetidas a terapias contra o câncer possam ter um desenvolvimento sexual normal, assim como preservar e restaurar a fertilidade de mulheres mais velhas que também passem por estes tipos de tratamentos.

Esta pesquisa mostra que as biopróteses de ovários têm um funcionamento durável de longo prazo — comemora Teresa Woodruff, diretora do Instituto de Pesquisas para Saúde da Mulher da Universidade Northwestern, EUA, e líder do estudo, publicado na revista científica “Nature Communications”. — Usar a bioengenharia para criar estruturas e órgãos que funcionem e restaurem a saúde daquela pessoa específica, e não uma parte de um cadáver, é o Santo Graal da medicina regenerativa.

No caso dos ovários artificiais, o sucesso começou na escolha do material usado para imprimir as estruturas: uma espécie de hidrogel composto por 90% de água e uma gelatina que é nada mais que colágeno — e por isso bem tolerado pelo corpo e seguro para uso em humanos —, rígido o suficiente para ser manipulado em cirurgias de implante.

Ao mesmo tempo, este hidrogel pôde ser configurado numa geometria porosa o bastante para interagir com os tecidos dos animais. E foi justamente esta última propriedade outro fator fundamental para o experimento dar certo. Os cientistas puderam testar ângulos de 30, 60 e 90 graus entre os filamentos do órgão impresso para ver qual melhor se adequava à sobrevivência e ao desenvolvimento do tecido ovariano — folículos formados por células produtoras de hormônios que cercam os óvulos imaturos — retirado das fêmeas e que depois os cientistas usaram para “semear” os ovários artificiais.

A maioria dos hidrogéis é muito fraca, já que são feitos na maior parte de água e frequentemente colapsam sobre si mesmos — destaca Ramille Shah, professora de engenharia de materiais da universidade americana e outra integrante do grupo de pesquisadores. — Mas encontramos uma temperatura da gelatina que permite a ela se sustentar e não colapsar e favorece a construção de camadas múltiplas. Ninguém até agora tinha conseguido imprimir a gelatina em uma geometria tão bem definida e autossustentada. Assim, este é o primeiro estudo a demonstrar que a arquitetura da estrutura faz diferença para a sobrevivência dos folículos.

FUTUROS EXPERIMENTOS EM HUMANOS

Especialistas em reprodução humana consideraram os resultados do estudo excepcionais, embora destaquem que ainda há um longo caminho antes que a técnica seja usada em humanos. Mas, assim como os cientistas do experimento, eles estão otimistas quanto aos seus futuros desenvolvimentos.

No caso de humanos, é mais difícil que estes ovários artificiais funcionem porque a complexidade dos folículos é muito maior, por exemplo — lembra Maurício Chehin, coordenador do projeto de oncofertilidade da Huntington Medicina Reprodutiva, que estima que os experimentos em humanos podem começar em de cinco a sete anos. — É uma perspectiva de fato muito boa.

Além de dar a meninas que se tratam de câncer a possibilidade de uma puberdade normal, espera-se que a técnica seja uma alternativa para mulheres que passam por terapias semelhantes e hoje se arriscam a reintroduzir a doença em seus corpos implantando diretamente tecidos ovarianos colhidos e preservados previamente ao tratamento, e que podem ter células cancerosas escondidas neles.

Poderemos separar só os folículos nestes tecidos, livres do risco de serem cancerosos, mas que sozinhos não conseguem crescer e amadurecer em óvulos, e dar a eles um lugar onde possam fazer isso, que são estes ovários artificiais — conta.

Dr. Maurício Chehin, médico coordenador de Oncofertilidade do Grupo Huntington.

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Estilo de vida e fertilidade

Vários fatores interferem na fertilidade dos casais, e um deles é o estilo de vida. Alguns hábitos do nosso dia a dia podem aumentar ou diminuir as chances de um casal engravidar. Isso vale tanto para quem concebe naturalmente como para quem precisa de tratamento.

Couple in love drinking coffee in coffee shop

A idade é um fator importante na fertilidade de mulheres e homens, porém os efeitos são mais proeminentes nas mulheres, para quem a fecundidade começa a declinar após os 35 anos. Esse efeito só começa a acontecer após os 50 anos nos homens e de forma bem mais branda.

Na prática, isso se traduz no tempo de espera para conseguir engravidar: ele é de até um ano sem métodos contraceptivos para mulheres com menos de 35 anos. Após esta idade, o ideal é esperar apenas 6 meses e, se a gravidez não acontecer, procurar um especialista.

Outro ponto é em relação à frequência de relações sexuais. O ideal é que quem tenha ciclos regulares de cerca de 28 dias tenha relações em dias alternados, do 12º ao 16º dia do ciclo. Não existem evidências de que determinadas posições na hora da relação melhorem as chances de engravidar. Colocar as pernas para cima, por exemplo, é um mito.

Em relação ao peso corporal, a fertilidade diminui tanto em mulheres excessivamente magras como nas obesas. O ideal é manter um peso regular e uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e carnes magras, e evitar excesso de doces e comidas gordurosas.

Mas o hábito de fumar deve ser abandonado, porque ele está associado a menores chances de gravidez e aumento do risco de abortamento quando comparado a casos de mulheres não-fumantes. Além disso, mulheres que fumam têm a tendência a entrar na menopausa um a quatro anos antes do esperado. Em homens, o cigarro pode comprometer a qualidade e a mobilidade dos espermatozoides.

O uso de álcool socialmente e em doses baixas parece não atrapalhar a fertilidade de mulheres e homens. Uma vez que a mulher saiba que está grávida, deve cessar completamente o consumo de bebidas alcoólicas, pois seu uso pode causar problemas no desenvolvimento do bebê, e não existe dose segura para ser utilizada nesse período.

Café em excesso pode atrapalhar as chances de engravidar e predispor a mulher a abortar. Uma dose considerada alta seria mais do que cinco xícaras de café por dia. Entretanto, o consumo de duas a três xícaras parece não afetar a fertilidade e a gravidez.

Aqui vão algumas dicas para otimizar a fertilidade:

-      Não postergar muito a gravidez; o ideal é ter pelo menos o primeiro filho antes dos 35 anos de idade;

-      Manter o peso dentro de um ideal de saúde;

-      Alimentação balanceada e a mais saudável possível;

-      Fazer suplementação de ácido fólico;

-      Não fumar;

-      Consumir cafeína com moderação.

Em caso de dúvidas, procure um especialista. Espero que essas dicas ajudem :)

Dra. Melissa Cavagnoli, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

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Palestra de Casais em Campinas – 16/03 às 19h30

A Palestra de Casais em Campinas está de volta!
Dia 16 de março nossa equipe médica e embriologistas apresentarão uma palestra no Vitória Hotel para esclarecer todas as dúvidas de quem quer engravidar ou está com alguma dificuldade.
Não perca essa oportunidade! Será um prazer tê-los com a gente.

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