Vontade de desistir

Hoje queria conversar um pouco sobre um sentimento muito comum entre nós tentantes, a vontade de desistir. É quase impossível encontrar uma tentante, que já não tenha dito ou pensado ‘vou desistir’, eu mesma, muitas vezes, pensei nisso.

Em qualquer situação da vida, é tão frustrante, quando a gente deseja tanto, quer tanto e tem que enfrentar uma decepção. No caso de uma mulher ou casal que tenta engravidar, isso se potencializa muito, pois é algo que temos que enfrentar mensalmente, muitas vezes por anos a fio. Como não pensar em desistir?!

A meu ver, quase impossível. Essa fase do ‘desejo de desistir’ é mais uma das várias fases da vida de tentante, algo muito comum e natural. Mas apesar de normal, é uma fase que precisa ser superada. E aí entra a maior virtude de uma tentante, a meu ver, a persistência, a força de superação para seguir em frente. Descobrimos uma força que nem sabia que tínhamos, pois o desejo de ser mãe é sempre muito maior que a vontade de desistir.

Depois que finalmente realizamos nosso sonho e temos nosso bebê nos braços, olhamos para trás e entendemos que tudo que passamos foi uma grande fase de aprendizado, uma fase que nos preparou para ser uma mãe ainda melhor.

Então minha amiga, se você ainda está na luta, acredite, persista, siga em frente, por mais difícil que o caminho seja. Chore se quiser chorar, dê um tempo para você(s) se precisar, procure ajuda, se for o caso, tente relaxar fazendo algo que você gosta. Faz bem, alivia toda essa ‘carga’, mas sempre deixe o coração acalmar para decidir o que fazer.

Com certeza não é fácil administrar nosso emocional, não é fácil se submeter a tratamentos, controles de ovulação, administrar a ansiedade, mas veja isso como uma etapa de preparação que precisa acontecer e vai lhe trazer a maior recompensa de todas: a maternidade!

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Alê Nunes, mãe e blogueira.

Superar o medo após a perda de um filho e voltar a tentar

Perder um filho é uma situação muito complicada para os pais. É algo realmente indescritível, que só quem passa consegue entender realmente o que se sente. É uma dor imensa e algo muito difícil de superar, aliás acho que nunca se supera completamente, apenas se aprende a conviver com ela. E depois de passar por uma experiência de perda, como superar pelo menos o medo e pensar em ter um outro filho?

Muitos devem conhecer minha história e sabem que perdi meu filho em maio de 2012, aos 6 meses de gravidez. Logo que aconteceu não conseguia nem pensar na hipótese de engravidar novamente, não tinha condições de decidir se tentaria novamente. Nesse momento de luto passam muitas coisas pela cabeça da gente: porque aquilo aconteceu?, medo de acontecer de novo, um outro bebê não vai substituir o outro, culpa… Enfim, tive que passar por meu luto primeiro, dar um tempo para conseguir me encontrar novamente e então decidi não pensar no assunto de um outro filho, pelo menos por algum tempo. Nesse período, o apoio da família e amigos foi fundamental, principalmente da minha filha, meu marido e minha mãe, que me mostraram que eu tinha que reagir, afinal eles estavam ali e precisava de mim.

Fiz terapia, voltei para a academia, tentei me ocupar durante todo o período da licença maternidade (a grávida a partir de 20 semanas tem direito a licença, mesmo em caso de bebê natimorto) até retornar ao trabalho. E a medida que o tempo foi passando, naturalmente consegui perceber que eu queria ter outro filho, mas que ainda não sabia quando ia me sentir preparada para isso.

Mais um tempo se passou e eu estava mais segura para pensar no assunto de tentar de novo, mas o medo ainda era forte demais. “E se acontecer de novo?!”, era a pergunta que mais me perseguia. Até o dia que percebi que o medo não vai embora assim, que eu vou ter que aprender a conviver com ele e enfrentá-lo. Não haverá outra saída se eu realmente quero tentar de novo e, eu quero. A partir daí tomei minha decisão de seguir em frente. Estou fazendo o que posso para que tudo corra bem, recomecei o ácido fólico, voltei na médica, refiz todos os exames necessários para ter certeza que em relação a saúde está tudo bem.

Quando engravidar. Acho que vai ser tudo diferente, uma mistura de medo e alegria, mas tenho consciência que a alegria vai ser mais forte. Lidar com as pessoas a minha volta também será complicado, pois quem perde um filho sabe bem, que não por maldade, mas por ignorância, as pessoas não sabem lidar com essa situação, nem mesmo com a decisão de uma nova gravidez depois da perda. Enfim, faz parte e são desafios que vão me fazer mais forte e que valerão a pena pelo meu bebê.

Espero que esse post consiga ajudar outras mulheres a também seguir em frente!

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Alê Nunes, mãe e blogueira.