Diferença entre Inseminação Intrauterina x Fertilização in Vitro

Essa é uma dúvida muito comum entre os casais que procuram tratamento de reprodução assistida. De maneira simples, a diferença é que na inseminação é colocado o sêmen “potencializado” dentro do útero para que a fertilização ocorra naturalmente, e na fertilização in vitro é colocado no útero o embrião formado em laboratório.

Por esse motivo classificamos a inseminação intrauterina como procedimento de baixa complexidade, por ser mais simples, e a fertilização in vitro como de alta complexidade, pois necessita de tecnologia laboratorial avançada para a manipulação dos gametas (óvulo e espermatozoide) e cultivo embrionário adequado.

Quanto às taxas de sucesso dos dois tratamentos há diferenças importantes entre as duas técnicas. Considerando um casal jovem, sem fator de infertilidade grave, a inseminação permite uma taxa de cerca de 15-20% de gravidez, enquanto na fertilização in vitro pode chegar a 50-60%.

Há indicações médicas para cada um dos tratamentos, pois não são todos os casais que tem benefícios em realizar a inseminação intrauterina. Por exemplo, mulheres com as tubas ocluídas não conseguiriam ter a fertilização natural, portanto devem ser encaminhadas diretamente para a fertilização in vitro.

Por isso é necessário consultar o especialista em reprodução assistida para decidir, em conjunto com o casal, o melhor tratamento para cada caso.

Lívia Oliveira Munhoz

Dra. Lívia Munhoz Soares, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

Congelamento de óvulos: uma estratégia segura?

518020494Atualmente com o crescimento das mulheres no mercado de trabalho, cada vez mais temos postergado a maternidade em prol da carreira profissional. Por este motivo, tem crescido significativamente o número de mulheres com anseio de engravidar próximo aos 40 anos, e é neste momento que, consequentemente, as dificuldades reprodutivas aparecem.

Isso acontece pois os óvulos são produzidos no início da vida da mulher, ainda no estágio fetal, e com o passar dos anos os óvulos vão sendo “gastos” sem uma nova produção. Assim, a partir dos 35 anos, podemos considerar que a mulher já utilizou mais da metade da sua reserva ovariana, restando menor quantidade e qualidade ovular para alcançar uma gestação. Essa queda se intensifica ainda mais a partir dos 40 anos.

Por esse motivo, as mulheres precisam ficar atentas ao tempo. Com a tecnologia atual é possível congelar os óvulos, tendo a liberdade para escolher o momento em que se sentem preparadas para engravidar. A técnica é segura, eficiente e garante no futuro o óvulo com a mesma qualidade da idade em que foi congelado.

Devemos lembrar que, embora a técnica de vitrificação apresente taxas de sobrevivência ao descongelamento de 95%, os óvulos são preservados, e não há garantia de gravidez futura, pois isso dependerá muito do número de óvulos criopreservados, da qualidade deles, e também de como se dará a fertilização destes óvulos no futuro com o espermatozoide.

Lívia Oliveira Munhoz

Dra. Lívia Munhoz Soares, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

Estilo de vida e fertilidade

Vários fatores interferem na fertilidade dos casais, e um deles é o estilo de vida. Alguns hábitos do nosso dia a dia podem aumentar ou diminuir as chances de um casal engravidar. Isso vale tanto para quem concebe naturalmente como para quem precisa de tratamento.

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A idade é um fator importante na fertilidade de mulheres e homens, porém os efeitos são mais proeminentes nas mulheres, para quem a fecundidade começa a declinar após os 35 anos. Esse efeito só começa a acontecer após os 50 anos nos homens e de forma bem mais branda.

Na prática, isso se traduz no tempo de espera para conseguir engravidar: ele é de até um ano sem métodos contraceptivos para mulheres com menos de 35 anos. Após esta idade, o ideal é esperar apenas 6 meses e, se a gravidez não acontecer, procurar um especialista.

Outro ponto é em relação à frequência de relações sexuais. O ideal é que quem tenha ciclos regulares de cerca de 28 dias tenha relações em dias alternados, do 12º ao 16º dia do ciclo. Não existem evidências de que determinadas posições na hora da relação melhorem as chances de engravidar. Colocar as pernas para cima, por exemplo, é um mito.

Em relação ao peso corporal, a fertilidade diminui tanto em mulheres excessivamente magras como nas obesas. O ideal é manter um peso regular e uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e carnes magras, e evitar excesso de doces e comidas gordurosas.

Mas o hábito de fumar deve ser abandonado, porque ele está associado a menores chances de gravidez e aumento do risco de abortamento quando comparado a casos de mulheres não-fumantes. Além disso, mulheres que fumam têm a tendência a entrar na menopausa um a quatro anos antes do esperado. Em homens, o cigarro pode comprometer a qualidade e a mobilidade dos espermatozoides.

O uso de álcool socialmente e em doses baixas parece não atrapalhar a fertilidade de mulheres e homens. Uma vez que a mulher saiba que está grávida, deve cessar completamente o consumo de bebidas alcoólicas, pois seu uso pode causar problemas no desenvolvimento do bebê, e não existe dose segura para ser utilizada nesse período.

Café em excesso pode atrapalhar as chances de engravidar e predispor a mulher a abortar. Uma dose considerada alta seria mais do que cinco xícaras de café por dia. Entretanto, o consumo de duas a três xícaras parece não afetar a fertilidade e a gravidez.

Aqui vão algumas dicas para otimizar a fertilidade:

-      Não postergar muito a gravidez; o ideal é ter pelo menos o primeiro filho antes dos 35 anos de idade;

-      Manter o peso dentro de um ideal de saúde;

-      Alimentação balanceada e a mais saudável possível;

-      Fazer suplementação de ácido fólico;

-      Não fumar;

-      Consumir cafeína com moderação.

Em caso de dúvidas, procure um especialista. Espero que essas dicas ajudem :)

Dra. Melissa Cavagnoli, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.

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Síndrome dos Ovários Policísticos

A síndrome dos ovários policísticos é uma das alterações endócrinas mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva e que, frequentemente, as faz vivenciar a infertilidade.

Diagnóstico

Todos os critérios levam em consideração, para seu diagnóstico, a presença de hiperandrogenismo (aumento de pelos em regiões observadas nos homens ou aumento de hormônios masculinos), além de alteração ovulatória (identificada pelas menstruações escassas ao longo do ano, com intervalo superior a 45 dias entre elas ou pelos ovários de aspecto policísticos ao ultrassom).

O diagnóstico, assim, é clínico, após a exclusão de outras doenças que possam levar às mesmas alterações, desde as mais simples, como aumento de prolactina, alterações tireoidianas, obesidade, até as mais graves, como tumores produtores de hormônio masculino – os androgênios.

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Tratamento

O tratamento deve ser direcionado à queixa da paciente, sendo que para as mulheres com problemas de obesidade, a perda de peso é medida urgente e inicial.

Para as que não desejam engravidar, devemos protegê-las dos riscos tardios da doença, como câncer de endométrio – parte interna do útero (através do uso de anticoncepcionais) e riscos metabólicos, como infarto e diabetes (através de dieta e pratica de exercícios, além de remédios que diminuam o risco de diabetes, como a metformina).

Para as que desejam engravidar, além de algumas medidas supracitadas, o objetivo principal é fazê-las ovular. Quando o casal infértil avaliado mostra como fator único a falta de ovulação, remédios, em forma de comprimido, para induzi-la podem resolver o problema. Entretanto, quando eles têm indicação de fertilização in vitro (por alteração masculina ou tubária), devemos optar por medicações indutoras mais potentes, de administração subcutânea.

Sempre devemos ter em mente que estas são pacientes mais propensas a complicações como a síndrome de hiperestímulo ovariano. Felizmente, quando bem assistidas por equipe experiente, esses riscos podem ser evitados e quase anulados.

Dra. Thais Domingues, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Thais Domingues